Metade da população não vai ao dentista. Quando devo ir?

Visitar o dentista com frequência evita mau hálito, perda dentária, sensibilidade, problemas na mastigação e dores futuras

25 set 2020
10h00
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Foto: Unplash

Divulgada em 4 de setembro, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em parceria com o Ministério da Saúde, pesquisa afirma que menos da metade da população brasileira (49,4%) se consultou com um dentista nos últimos 12 meses antes da entrevista. Os dados apontam que a atenção com a saúde bucal ainda é incipiente no país. Para prevenção de problemas relacionados à saúde bucal, que vão de sangramentos na gengiva a doenças cardíacas, a recomendação é fazer uma visita duas vezes por ano ao dentista. Para falar sobre o assunto, conversamos com Bruna Conde, cirurgiã dentista, pós-graduada em Periodontia, Cirurgia Plástica Periodontal e Disfunção Temporomandibular, e membro da ABHA (Associação Brasileira de Halitose). Veja: 

Com qual frequência uma pessoa deve visitar o dentista?
No mínimo duas vezes por ano. Se a pessoa tiver algum problema de saúde, por exemplo, pressão alta, diabetes, obesidade, ser fumante ou problema bucal, como gengivite, periodontite, cáries e sensibilidade, essa frequência pode ser mais regular.

Por quê?
Para evitar que os problemas permaneçam, para manter a saúde bucal em dia e assim auxiliar na saúde do nosso organismo. Por exemplo: a doença periodontal é um possível fator de risco para desenvolvimento de placa de ateroma, que leva a aterosclerose, um distúrbio no coração. Qualquer problema bucal têm a presença de bactérias, que migram para a corrente sanguínea e podem complicar mais o organismo. Uma infecção bucal tem bactérias que podem ir para o pulmão, agravar o quadro de pneumonia.

Quais são os procedimentos padrão em uma visita regular?
Você faz um checkup odontológico, com avaliação completa bucal, inclusive lábios e língua. Avaliar se a gengiva está inflamada, se há acúmulo de placa bacteriana, cálculo/tártaro, se tem cárie, como estão as restaurações ou próteses. Pode ser realizada uma raspagem com profilaxia. O especialista pode pedir ainda exames radiológicos para evitar problemas futuros.

Quais males a visita regular ao dentista evita?
Evita o mau hálito, perda dentária, sensibilidade, problemas na mastigação, dores futuras nas articulações dentárias e cáries.

O que eu devo perguntar ao meu dentista em uma consulta?
Perguntar como está sua saúde, se você tem algum problema gengival/ bucal, como você deve fazer a correta higienização, se precisa de exames laboratoriais ou de imagem, e qual é o tempo ideal do seu retorno.

Quais são os principais problemas bucais encontrados em consultório?
Gengivite, cárie, sensibilidade e apertamento dental. Eles são assintomáticos em sua fase inicial. Você pode não sentir nada e ter um ou todos esses problemas. A cárie não começa grande, pode ser uma mancha branca inicial. A gengivite inicia com leve sangramento, que muitos não dão importância. A sensibilidade pode iniciar com uma raiz exposta ou um incômodo que não é diário, e se tornar algo insuportável. O apertamento dental pode iniciar com pequenas trincas e dores na face. Se tiver esse acompanhamento frequente, você minimiza os problemas antes que eles piorem.

Na sua opinião, por que metade dos brasileiros não consulta o dentista regularmente?
Muitas acreditam que dente é só uma parte estética, mas um problema bucal pode afetar a saúde geral. Por exemplo, uma infecção dentária ou gengival pode ser porta de entrada para bactérias irem para a corrente sanguínea, isso afeta vários órgãos e pode prejudicar o controle da pressão, glicemia, entre outros. Então não precisa esperar ter aquela dor terrível de dente. Você pode minimizar isso procurando seu dentista. Invista em prevenção para ter uma saúde integral e completa.

Fonte: FF Este conteúdo é de propriedade intelectual do Terra e fica proibido o uso sem prévia autorização. Todos os direitos reservados.
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