Qual a validade de vacinas contra covid no Brasil? Entenda por que o prazo pode ser prorrogado
Prática de expandir prazo é segura e comum; no caso das vacinas anticovid, atualizações mais frequentes têm relação com aprovação emergencial
A data de validade de um produto médico, como vacinas, reflete o período durante o qual se espera que ele permaneça estável e mantenha identidade, força, qualidade e pureza, quando armazenado adequadamente. Normalmente, o tempo em prateleira é indicado pelo fabricante e pode ser alterado quando testes comprovem a estabilidade após a expiração.
A ampliação de validade, quando validado por órgão regulatório - no Brasil, trata-se da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) -, é algo seguro e também comum. Especialistas explicam que avaliações rotineiras sobre tempo de prateleira são uma prática desejável, para evitar desperdício e também gastos, mas é preciso boa comunicação com a população sobre a medida, a fim de que não haja ruídos.
O sanitarista Gonzalo Vecina, que já presidiu a Anvisa, comenta que o prazo de validade inicial indicado pelos fabricantes é sempre "mínimo" e, com o tempo e novos testes, há oportunidade de expandi-lo. "Os testes de estabilidade são feitos mesmo com um rigor muito maior do que o necessário."
"O produto não estraga no dia seguinte ao vencimento dele, se ele foi mantido em boas condições de armazenamento, dentro daquilo que é especificado de temperatura e exposição a luz. Muito provavelmente você pode estender o prazo de validade do produto tranquilamente", completa. No entanto, a extensão só pode ser validada por órgão regulatório e não deve ser feita de modo indiscriminado.
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Saúde pública
Levando em consideração que colocar no lixo produto médico que pode estar estável mesmo fora da validade pode ser algo muito custoso, a discussão ganha uma outra dimensão de saúde, que tem muito a ver com gestão. Ballalai comenta que, sempre que houver dados que embasam, as expansões de prazo deveriam ser "rotina". "Jogar fora nunca é bom, nem para o meio ambiente nem para a economia."
Vecina acrescenta que, nesses casos, também é comum que, se não for possível estender validade, os gestores públicos têm o dever de negociar com os fabricantes a troca por produto novo, caso haja estoque abundante ou facilidade em produzir. "Você compra medicamento e não deve deixar vencer na prateleira", destaca.
Validade das vacinas contra covid aplicadas no Brasil
No momento, imunizantes de quatro laboratórios têm autorização de uso e são aplicados no País. É possível acompanhar o processo de aprovação e atualizações da autorização no site da Anvisa pelo link.
Veja a lista dos imunizantes aplicadas e respectivas validades:
Vacina da Pfizer (Comirnaty) monovalente para crianças a partir de 6 meses, adolescentes e adultos: Validade de 18 meses a temperatura entre -90 °C e -60 °C.
Vacina da Pfizer (Cominarty) bivalente: Validade de 12 meses, quando estocadas de -80°C a -60°C ou de -90°C a -60°C.
Coronavac: Validade de 12 meses sob refrigeração entre 2 °C e 8 °C.
Janssen: Validade de 24 meses quando armazenado em temperaturas de -25°C a -15°C.