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População periférica é mais contaminada na cidade de SP

Inquérito sorológico aponta que moradores da região centro-oeste têm quatro vezes menos chance de ter coronavírus do que residentes da parte sul de São Paulo; reabertura de parques nos fins de semana será avaliada em 15 dias

13 out 2020
13h44
atualizado às 13h57
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A população periférica foi a que mais contraiu a covid-19 na cidade de São Paulo, segundo inquérito sorológico apresentado pela Prefeitura de São Paulo nesta terça-feira, 13. A maior incidência do novo coronavírus se encontra nos extremos das zonas sul, leste e norte, nos distritos com os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), como Grajaú, Jardim Ângela, Guaianases, Jardim Helena, Perus e Brasilândia, dentre outros. Pelos dados, um residente da zona sul tem quase quatro vezes mais chance de ter a doença do que outro da centro-oeste.

"A pandemia oferece uma oportunidade única para estudar como os valores morais das pessoas se comportam em tempos de crise", diz pesquisadora
"A pandemia oferece uma oportunidade única para estudar como os valores morais das pessoas se comportam em tempos de crise", diz pesquisadora
Foto: DW / Deutsche Welle

Segundo o levantamento, 13,6% da população da capital paulista contraiu o novo coronavírus, o que representa 1.614 milhão de pessoas. O número pode chegar a 15,8%, pela margem de erro, dado semelhante ao da fase 5, de 13,9%, divulgada em setembro.

Proporcionalmente, a distribuição da doença é maior na zona sul, com 19,9% de incidência para o total de moradores, isto é, praticamente um a cada quatro residentes na região contraíram a doença. Na sequência, as mais afetadas são as zonas norte (13,8%), leste (11,8%), sudeste (10,3%) e centro-oeste (5,5%) - essa última voltou aos índices das fases anteriores após ter alta em setembro (com 10,3% na época).

O perfil de contágio é de pessoas jovens e adultos de até 49 anos, das classes D e E, negros e pardos, que moram em área de IDH baixo, com baixa escolaridade e que não estão em teletrabalho. "A doença jogou luz para a desigualdade social na cidade de São Paulo", como destacou o prefeito Bruno Covas (PSDB), em coletiva de imprensa.

Como apontou o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, a contaminação é mais elevada nas chamadas regiões "dormitório", em que grande parte da população precisa se deslocar para áreas centrais para trabalhar. Ele ainda destacou que o pico de incidência na fase 5 coincidiu com uma maior flexibilização da quarentena na capital paulista. Outro dado do levantamento é que 35,3% dos casos foram assintomáticos.

O inquérito sorológico foi feito com amostras sorológicas de 2.016 adultos, que abrangem as regiões de todas as UBSs da cidade, sorteados a partir de dados de IPTU, hidrômetro e Estratégia Saúde da Família (ESF).

Os resultados apresentados são das fases 6 e 7 do inquérito sorológico feito com a população com 18 anos ou mais. Também nesta terça, ocorreu a divulgação do quarto inquérito sorológico de crianças. A Prefeitura ainda realiza, em paralelo, um censo com alunos e professores da rede municipal, que terá a primeira fase divulgada em 22 de outubro e deve servir de apoio para as decisões a respeito da volta das aulas regulares de forma presencial nas escolas da Prefeitura, cujo retorno em 3 de novembro foi adiado.

Reabertura de parques municipais nos fins de semana será avaliada em 15 dias

O secretário Edson Aparecido também declarou que uma possível reabertura dos parques municipais nos fins de semana e feriados será avaliada daqui a 15 dias. Segundo ele, primeiro é necessário analisar se haverá alteração na tendência de queda dos números de internações, casos e óbitos da covid-19 com a reabertura de cinemas, teatros e outros espaços culturais na cidade, anunciada na semana passada.

Setenta dos 108 parques municipais estão abertos ao público desde julho, com funcionamento em horário normal desde agosto. A liberação dos espaços nos fins de semana tem resistência dentro da gestão municipal pela alta frequência de visitantes nos sábados e domingos antes da pandemia, com aglomerações.

Sobre o tema, Covas pediu "paciência" da população. "Estamos colecionando bons índices, São Paulo não teve que retroceder agora em nenhuma atividade que foi reaberta. Mas o vírus ainda é uma realidade a ser enfrentada", destacou. "Ainda não é o momento de estimular aglomeração na cidade de São Paulo."

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Estadão
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