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No Congresso, Doria pede que Bolsonaro respeite seu ministro da Saúde e posa com Coronavac

Governador pediu a Bolsonaro 'grandeza para liderar o País para a saúde'; mais cedo, presidente desautorizou Eduardo Pazuello, se referiu à Coronavac como 'a vacina chinesa de João Dória' e disse que o imunizante não será comprado

21 out 2020
12h28
atualizado às 13h55
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BRASÍLIA - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), rebateu as declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, e pediu a ele "grandeza para liderar o País para a saúde". O tucano pediu ainda que ele respeite seu ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. "Não é razoável que um presidente não respeite seu ministro da saúde", disse Doria.

"A vacina do Butantã é a vacina do Brasil, de todos os brasileiros", disse. O medicamento, em fase de testes contra a covid-19, é desenvolvido pela chinesa Sinovac e o Instituto Butantã. Após o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciar nesta terça-feira a intenção de aquisição de 46 milhões de doses da vacina, o presidente Jair Bolsonaro publicou nesta quarta nas redes sociais que não iria comprar a "vacina chinesa".

Doria fez um discurso no Senado, acompanhado de alguns parlamentares, inclusive o deputado General Peternelli (PSL-SP), da base do governo federal. Antes das declarações, o grupo fez fotos com amostras da vacina Coronavac nas mãos. O diretor do Instituto Butantã, Dimas Covas, acompanhou a coletiva.

Nesta quarta-feira, 21, Doria está em Brasília para uma série de compromissos que envolvem discussões sobre a Coronavac. Doria tinha uma reunião às 10h com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mas, segundo a assessoria do governador, o encontro foi cancelado. A assessoria de Doria informou que recebeu a informação de que Maia estava indisposto e teria cancelado agendas do dia. Às 13h, ainda de acordo com agenda divulgada pela assessoria do governador, ele tem uma reunião com o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres.

"O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou ontem (terça-feira) que a vacina do Butantã e outras aprovadas dentro do protocolo da Anvisa seriam adquiridas", disse Doria.

Durante a coletiva, o Ministério da Saúde divulgou uma nota de esclarecimento e o secretário executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, fez uma declaração dizendo que não houve qualquer compromisso entre a Pasta e o governo de São Paulo, ou com Doria, para aquisição da Coronavac.

Segundo Franco, houve interpretação equivocada da fala do ministro da Saúde. Doria mais uma vez rebateu o governo e questionou então se todos haviam entendido errado a mensagem e ressaltou que em nenhum momento foi dito que a vacina já estava aprovada. "Esperamos que a posição do ministro expressa ontem (terça-feira) seja a do governo Bolsonaro", disse.

O argumento de que houve má interpretação contraria documento assinado pelo próprio ministro Pazuello e enviado ao Instituto Butantã na segunda, 19, um dia antes do anúncio oficial da compra.

No ofício, endereçado ao diretor do Butantã, Dimas Covas, o ministro confirma a intenção de compra. "Nesta oportunidade, informo a intenção deste Ministério da Saúde em adquirir 46 milhões de doses da referida vacina (Vacina Butantan - Sinovac/Covid-19), em desenvolvimento pelo Instituto Butantan, ao preço estimado de US$ 10,30 (dez dólares e trinta centavos) por dose", diz trecho do documento.

No ofício, Pazuello destaca que só "será possível prosseguir com o processo de aquisição após o regular registro da vacina na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), conforme prevê o artigo 12 da Lei nº 6.360, de 23 de setembro de 1976, ou caso sobrevenha alguma alteração legislativa".

Ofício assinado pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, fala sobre intenção de comprar 46 milhões de doses da Coronavac após aprovação da Anvisa
Ofício assinado pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, fala sobre intenção de comprar 46 milhões de doses da Coronavac após aprovação da Anvisa
Foto: Reprodução/Ministério da Saúde / Estadão

"Conforme vocês puderam acompanhar, aceitando o convite do ministro da Saúde, 24 governadores participaram de uma reunião histórica, acompanhada pelos líderes do governo no Congresso, promoveram essa reunião conciliatória, pacífica e construtiva e com base na ciência e com base na prioridade da saúde da população", afirmou Doria.

Para comprovar que Pazuello confirmou a intenção de compra, o governo de São Paulo disponibilizou um vídeo com a íntegra da reunião do ministro com os governadores, na qual ele anuncia o acordo com o Butantã para a aquisição dos 46 milhões de doses.

Doria disse que sempre defendeu o desenvolvimento de todos as vacinas e que o Brasil não pode estar numa corrida pelas vacinas e sim pela vida. "Como pai desejo que meus filhos tomem a vacina", disse. "Não é processo eleitoral que salva, é vacina", disse.

Depois do pronunciamento no Senado, Doria voltou a falar sobre o tema em suas redes sociais. Pediu ao presidente que "lidere o Brasil para a saúde, a vida e a retomada de empregos" e afirmou que a guerra "não é eleitoral, é contra a pandemia". "Não podemos ficar uns contra os outros. Vamos trabalhar unidos para vencer o vírus. E salvar os brasileiros", declarou o tucano.

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Estadão
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