Mito ou verdade: existe uma epidemia de micropênis entre crianças?
Tratamento hormonal sem diagnóstico pode trazer riscos para a saúde; entenda
Não há evidência científica que comprove o aumento no número de casos de micropênis em crianças. Vídeos com desinformação sobre o assunto viralizaram nas redes sociais e deixaram pais, mães e responsáveis preocupados com uma suposta 'epidemia de micropênis' que, na verdade, não é real.
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Danielle Costa, médica endocrinologista pediátrica do Hospital Vitória, da Rede Américas, explica que a busca por especialistas aumentou depois que informações falsas sobre micropênis foram espalhadas nas redes sociais sem nenhum tipo de base científica.
"O diagnóstico de micropênis não é realizado por uma medida isolada do pênis e requer uma avaliação complexa pelos especialistas, na qual são considerados o exame físico completo, o histórico de vida e patologias, além da avaliação do estágio puberal, complementando, se houver necessidade, com exames laboratoriais", afirma.
O micropênis é uma condição rara com incidência de cerca de 1 a 1,5 caso para cada 10 mil pacientes. O diagnóstico só pode ser feito por um especialista que orientará sobre o tratamento hormonal adequado. Além disso, não é um procedimento simples.
Um pênis adulto ereto mede aproximadamente 13 centímetros. Estudos mostram que um micropênis teria menos de 7 centímetros de comprimento em ereção e esse é o critério adotado por sociedades médicas internacionais.
"A medição do pênis deverá ser feita por um especialista, em um ambiente adequado e com a técnica apropriada. O critério de diagnóstico de micropênis é definido como um pênis com comprimento inferior a 2,5 desvios-padrão da média para a idade", destaca a médica.
Em relação ao desenvolvimento do órgão genital masculino, não existem dados na literatura que comprovem que fatores ambientais pós-natais possam interferir no desenvolvimento genital infantil.
O hormônio sexual só pode ser receitado para tratar micropênis em crianças quando há a comprovação de deficiência hormonal após avaliação médica. O uso inadequado de hormônio pode trazer riscos inclusive para a puberdade e para o crescimento da criança.