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Mais dor, menos escuta: o desafio das mulheres com dor crônica

Especialista explica por que a dor crônica em mulheres é mais comum e por que ainda é minimizada

1 mar 2026 - 19h51
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A dor crônica em mulheres é mais frequente do que em homens, segundo dados da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Ainda assim, muitas pacientes relatam que suas queixas são minimizadas no atendimento médico.

Mulheres são mais afetadas por dor crônica, mas ainda enfrentam desvalorização no atendimento médico
Mulheres são mais afetadas por dor crônica, mas ainda enfrentam desvalorização no atendimento médico
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

O problema envolve fatores biológicos, hormonais e também sociais. Entender essa combinação é essencial para melhorar diagnóstico e tratamento.

Por que mulheres sentem mais dor crônica?

Estudos mostram que diversas condições dolorosas são mais prevalentes no sexo feminino. Entre elas estão:

  • Dor lombar.

  • Dor no ombro e joelhos.

  • Dor orofacial.

  • Enxaqueca (migrânea).

  • Fibromialgia.

Na fibromialgia, por exemplo, a proporção pode chegar a quatro mulheres para cada homem diagnosticado.

Também existem síndromes específicas do sexo feminino, como:

  • Dismenorreia (dor menstrual).

  • Dor pélvica crônica.

  • Dor vulvar crônica.

  • Dor lombar na gestação.

  • Dor do parto.

Esses dados mostram que a diferença não é pontual, mas consistente.

O papel dos hormônios

As diferenças biológicas ajudam a explicar parte do cenário. O estrogênio, hormônio fundamental para a função reprodutiva feminina, influencia a sensibilidade à dor.

Variações hormonais ao longo do ciclo menstrual, da gravidez e até pelo uso de anticoncepcionais podem alterar a resposta do sistema nervoso.

Pesquisas indicam que flutuações hormonais podem aumentar a excitabilidade de células nervosas, tornando o organismo mais sensível a estímulos dolorosos.

Isso significa que a dor não é exagero. É resposta fisiológica real.

Dor minimizada: um problema recorrente

Mesmo sendo mais prevalente e, muitas vezes, mais intensa, a dor crônica em mulheres costuma ser desvalorizada. Relatos indicam que pacientes são frequentemente rotuladas como "emocionais" ou "exageradas".

Estudos de revisão apontam um paradoxo preocupante: embora as mulheres sofram mais com dor crônica, seus relatos são levados menos a sério.

Em muitos casos, elas recebem:

  • Mais antidepressivos.

  • Menos analgésicos adequados.

  • Encaminhamentos tardios para especialistas.

Essa diferença no tratamento pode atrasar o diagnóstico e prolongar o sofrimento.

Senso comum x ciência

É importante diferenciar percepção social de evidência científica. A ciência já confirmou que diferenças biológicas existem. Isso não invalida a dor feminina, nem a transforma em fragilidade emocional.

A dor crônica é definida como aquela que persiste por mais de três meses. Ela pode ter origem inflamatória, neuropática ou multifatorial.

Quando ignorada, compromete qualidade de vida, saúde mental e funcionalidade.

Quando buscar ajuda?

Se a dor persiste, limita atividades ou interfere no sono, é essencial procurar avaliação médica. O ideal é buscar profissionais que escutem de forma atenta e realizem investigação completa.

Também pode ser necessário acompanhamento multidisciplinar, envolvendo fisioterapia, psicologia e controle medicamentoso adequado.

Dor não é "frescura". É sintoma. E merece escuta, respeito e tratamento.

Saúde em Dia
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