PUBLICIDADE

Mãe luta por diagnóstico há 7 meses: 'Não importa se é uma gripe ou um câncer'

Redatora publicitária busca diagnóstico para febre quase diária do filho de 9 anos; exames são inconclusivos

14 set 2023 - 16h43
(atualizado às 17h45)
Compartilhar
Exibir comentários
Gael e Karoline fazem exames desde março para identificar causa da febre
Gael e Karoline fazem exames desde março para identificar causa da febre
Foto: Reprodução/ Twitter @umamaefeminista/ Montagem Terra

Era 1º de março quando Gael, de 9 anos, começou a sentir uma febre alta resistente a medicações. Sete meses depois, uma internação e dezenas de exames, ainda não se sabe qual doença ou condição o menino tem.

Sua mãe, a redatora publicitária Karoline Miranda, de 29 anos, corre entre consultas e procedimentos. Mas nada explica a persistência da febre.

"Eu cheguei até a postar uma vez que eu não consigo mais ler a palavra 'inconclusivo'. Eu só queria que alguém visse e falasse: 'é gripe'. Porque pelo menos eu teria uma resposta. Pode ser o mais grave que for, eu enfrento. Não importa se é uma gripe ou um câncer, eu só queria que dissessem: é isso. E aí eu poderia tratar".

O sofrimento com a falta de respostas é justamente por não saber o que esperar e, consequentemente, como tratar adequadamente. "Por enquanto é febre e eu trato com dipirona. Mas fico preocupada porque parece uma bomba-relógio", acrescenta Karoline em entrevista ao Terra.

A saga entre exames e especialistas

Quando Gael teve febre por três dias, em março, Karoline fez o caminho natural: consultou o pediatra. Na ocasião, o médico diagnosticou sinusite e receitou antibiótico. Como o remédio não fez efeito, a redatora levou o filho ao otorrinolaringologista, que não identificou nenhuma evidência de sinusite.

As febres não cessaram, com intervalos iniciais de até três dias, e mãe e filho foram para a emergência pela primeira vez. "Quando eu contei a história, o médico foi muito arrogante. Mas passou um exame de sangue".

O resultado indicou infecção, não especificando qual, e Gael foi receitado a tomar mais um antibiótico. De novo, não melhorou.

Em meio a isso, o menino se consultou com alergologista e imunologista, passou 21 dias internado — a família precisou abrir uma ação judicial para garantir que o plano cobrisse os custos — e começou uma bateria de exames específicos. 

Após identificarem linfonodos no abdome, Gael foi submetido a uma biópsia que apontou a presença de granulomas. Deu-se início a uma nova investigação, porém ele negativou para bartonella, tuberculose e outras alternativas cogitadas. Foi negativo também o resultado para a leucemia, bem como descartaram qualquer problema de fundo emocional.

Primeiras descobertas

Só este mês, a família saiu completamente do escuro. A hematologista analisou os exames e identificou um tipo diferente de anemia, a talassemia.

A condição é hereditária — Karoline descobriu que também é portadora — e caracterizada por sintomas como fraqueza, atraso no crescimento, aumento do baço e alterações ósseas, entre outros sintomas. Não justifica a febre, no entanto.

Por isso, a investigação continua. Pouco antes de falar com o Terra, na manhã de quarta-feira (13), a redatora levou o filho para fazer o Exoma, um teste para identificar doenças genéticas que custou quase R$ 4,3 mil. O plano de saúde se recusou a cobrir o pedido médico, como já fez outras vezes, e o exame foi custeado a partir de doações dos seguidores de Karoline.

Conheça o remédio mais caro do mundo Conheça o remédio mais caro do mundo

Impacto na vida do filho

Além da febre constante, Gael também tinha dores na perna e se sentia sem ânimo quando foi internado em abril. Esse último sintoma não desapareceu, somando aos enjoos que o menino sente com frequência. Assim, é comum sair da escola mais cedo ou até faltar aula por conta do mal estar.

No âmbito psicológico, Gael passou um tempo deprimido enquanto esteve internado, conforme observado por um dos médicos que assistiu à família. Karoline logo buscou atendimento psicológico e a criança hoje faz terapia, com avanços.

"Ele passou a interpretar a doença como algo comum na vida dele, passou a achar que estar doente é normal e isso, pra mim, é muito triste", lamenta.

Impacto na vida da mãe

Além de Gael, a redatora também é mãe de uma menina, a bebê Pilar, de apenas sete meses. O período é quase o mesmo que o garoto está doente. 

"Eu sinto que não consegui desenvolver toda a minha relação com ela porque o Gael está exigindo muito de mim. (...) A minha [saúde mental] está despedaçada".

Karoline não enfrenta tudo sozinha. Sua rede de apoio inclui o marido e padrasto de Gael, seu pai, demais familiares dela e do esposo e suas amigas. Ainda assim, a exaustão é grande. Enquanto equilibra a atenção demandada pela bebê e pelo menino, a redatora conta com a compreensão dos colegas e chefes no trabalho.

Fonte: Redação Terra Você
Compartilhar
Publicidade
Publicidade