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Hidroxicloroquina pode causar efeito grave, diz estudo

Pesquisa mostra que remédio tem potencial de provocar danos ao corpo

12 nov 2020
17h08
atualizado às 17h12
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Além de ineficaz no tratamento da covid-19, a hidroxicloroquina pode causar efeitos colaterais significativos no corpo humano, comparados a medicamentos usados na quimioterapia. A conclusão de um estudo feito pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) indica que o remédio precisa ser usado com ainda mais cuidado.

Hidroxicloroquina
27/05/2020
REUTERS/George Frey
Hidroxicloroquina 27/05/2020 REUTERS/George Frey
Foto: Reuters

A pesquisa foi publicada no The Journal Physical Chemistry Letters e não investigou a eficiência do medicamento, mas seu potencial de interagir com o DNA. Os pesquisadores usaram uma técnica chamada de pinça ótica, que manipula moléculas com um laser e as colocam em uma solução com a hidroxicloroquina.

"O resultado é preocupante porque existe forte potencial de causar efeitos colaterais. A interação da hidroxicloroquina com a molécula é muito forte. Constatamos que tem feito e pode dar problema", disse o físico Marcio Rocha, um dos autores do estudo e professor da UFV.

O estudo não indica quais são os efeitos colaterais possíveis pois precisaria ser feito com um organismo vivo. A pesquisa utilizou apenas a interação molecular. "Analisar os efeitos é um trabalho médico. Fizemos a interação do DNA com o fármaco. Na literatura se encontra efeitos que vão de diarreia a psicose. Mas nosso trabalho foi feito a nível molecular", explicou Rocha.

Alguns dos efeitos colaterais já observados em pacientes que usaram o medicamento incluem retinopatia, que pode levar à hemorragia e vazamento de líquido da retina, neuropatia, podendo causar dor, formigamento e dormência devido a danos nos nervos do corpo, miopatia, resultando em fraqueza muscular, e alterações cardíacas graves.

A hidroxicloroquina interage com o DNA de duas maneiras. Em baixas concentrações, se liga à fenda menor da molécula. Em doses mais altas, intercala entre pares de base do DNA. "É uma demonstração que existe uma atividade química bastante elevada do fármaco com a molécula."

Por isso a comparação com medicamentos usados no tratamento do câncer. Os quimioterápicos interagem com DNA com o intuito de destruir as células cancerosas, mas acabam também atingindo células saudáveis e por isso causam efeitos colaterais.

O estudo com a técnica da pinça ótica ainda é pouco utilizado no Brasil e pode abrir caminho para estudos com outros medicamentos e, assim, dar mais segurança para médicos e pacientes. A expectativa de Rocha agora é poder apresentar a pesquisa para médicos investigarem os efeitos colaterais.

Hidroxicloroquina no Brasil

A hidroxicloroquina é um medicamento sintetizado a partir do estudo da ação dos alcalóides contra alguma doenças, como a malária. Ele é um fármaco que, segundo a UFV, apresenta menos efeitos colaterais do que a cloroquina.

Em maio, o Ministério da Saúde publicou um documento que permite o uso da cloroquina e hidroxicloroquina, mesmo em estágios iniciais da doença, em pacientes infectados pelo novo coronavírus no sistema público de saúde.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Saúde e a Federação Nacional dos Farmacêuticos já apresentou ação no Supremo Tribunal Federal cobrando a suspensão do protocolo elaborado pelo Ministério da Saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já destacou que não há eficácia comprovada do medicamento contra a covid-19 e alertou para a gravidade de seus efeitos colaterais. A OMS já suspendeu estudos com a substância.

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Estadão
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