Espermograma analisa capacidade do homem de fecundar
A análise do sêmen é um exame básico para a investigação de problemas de fertilidade. Por meio do espermograma, é possível verificar diversos fatores que podem reduzir as chances de o homem conseguir fecundar a mulher.
O sêmen deve ser coletado por masturbação, sendo que o indicado é que o homem esteja de dois a cinco dias sem ejacular. A amostra é analisada por um responsável do laboratório, que costuma ser um biomédico ou biólogo especializado. Ele levanta uma série de características do material com base nos parâmetros definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O ideal é que sejam feitas duas amostras.
No entanto, apenas essa análise não é suficiente para definir se é necessário o tratamento de reprodução assistida, muito menos qual deles. "Não é uma coisa matemática. Depende de quanto tempo o casal está tentando engravidar, se a mulher tem algum fator envolvido e se os outros parâmetros estão normais", explica o médico especialista em reprodução humana Georges Fassolas, da clínica Vivitá, de São Paulo.
A análise seminal se divide em duas partes: a macroscópica e a microscópica.
Análise macroscópica
Nesse exame, são observadas características do próprio sêmen, como a cor, o odor, a viscosidade, o volume e o pH.
O pH que foge de 7 a 8,5, a cor amarelada ou avermelhada do sêmen, o odor e a viscosidade diferentes costumam ser sinais de alguma infecção, que deve ser tratada. O volume menor que 1 mililitro também pode ter como causa a ejaculação retrógrada ou a obstrução de ducto ejaculatório.
Embora possa indicar infecções ou outros problemas, a análise macroscópica não é tão importante para identificar problemas de fertilidade. "O volume, por exemplo, não está associado ao número de espermatozoides. O que dá volume para o sêmen não é o espermatozoide, que é o que ele menos ejacula", afirma o médico.
Análise microscópica
São verificadas algumas das características do espermatozoide, sendo as mais importantes a concentração, a motilidade e a morfologia.
A concentração de espermatozoides deve ser maior que 15 milhões por mililitro. A concentração baixa de espermatozoides é denominada oligospermia, que pode ser leve, moderada ou severa. O número total também é analisado, mas levado menos em conta. "Às vezes, ele está pouco excitado e ejacula um volume menor de espermatozoides, o que diminui o número total", conta Georges.
A motilidade é dividida em quatro graus distintos: A, em que o espermatozoide se movimenta de forma progressiva (para frente) e rápida; B, progressiva, mas lenta; C, não progressiva; e D, quando não se movimenta. É considerado normal quando o homem tem mais de 32% de espematozoides classificados como A e B.
A morfologia é investigada pelo método de Kruger, que analisa as três partes do espermatozoide ¿ a cabeça, a porção intermediária e a cauda. O ideal é que 4% dos espermatozoides estejam normais. Partes que são duplicadas, pequenas ou grandes, com irregularidades nas organelas (parte da célula) e angulação incorreta podem dificultar a fecundação do óvulo pelo espermatozoide.
É conferida também a vitalidade dos espermatozoides, sendo que o ideal é ter mais de 58% dessas células vivas. Ainda é verificada a presença de células inflamatórias (ou redondas) cuja concentração não pode passar de 1 milhão por mililitro, ou há um provável processo inflamatório.
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