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Especialistas alertam para riscos silenciosos do uso das 'canetas emagrecedoras'

Uso desenfreado e sem acompanhamento médico de medicamentos como Ozempic e Mounjaro pode causar problemas digestivos e até nas articulações

9 mar 2026 - 04h57
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Especialistas alertam para riscos silenciosos do emagrecimento rápido
Especialistas alertam para riscos silenciosos do emagrecimento rápido
Foto: Freepik

Basta abrir a publicação de alguém mostrando uns quilinhos a menos nas redes sociais para se deparar com os comentários: "foi natural ou tomou Mounjaro?". É fato que as canetas emagrecedoras se tornaram uma alternativa para a perda de peso de maneira acelerada. O problema é que o uso indiscriminado e sem acompanhamento médico adequado pode causar riscos silenciosos para a saúde, como redução de força, deficiências nutricionais e até dores nas articulações do joelho.

A obesidade é uma doença grave que cresceu exponencialmente no Brasil nas últimas décadas. Dados recentes da pesquisa Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, mostram que o número de adultos obesos no país saltou 118% entre os anos de 2006 e 2024. Nesse cenário, as famosas canetinhas podem ser uma boa opção, desde que aliadas a uma mudança de estilo de vida. 

Perda de força e risco de cálculos na vesícula

Endocrinologista e autora do livro O equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor, Alessandra Rascovski explica que o emagrecimento rápido pode ser animador, mas muitas vezes vem acompanhado de consequências traiçoeiras. 

"A primeira é a redução do metabolismo basal. O músculo consome energia mesmo em repouso. Quando tem perda de massa muscular, o corpo gasta menos calorias por dia e isso atrapalha, inclusive, na manutenção do peso a longo prazo", explica. 

A endocrinologista também aponta que o uso de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro podem causar fragilidade física e perda funcional, especialmente para pessoas mais velhas, depois dos 45 anos, que não fazem atividades físicas. 

Especialistas alertam para riscos silenciosos do emagrecimento rápido
Especialistas alertam para riscos silenciosos do emagrecimento rápido
Foto: Freepik

"Pode-se aumentar o risco de sarcopenia (perda progressiva e generalizada de massa, força e função muscular), reduzir força, mobilidade e autonomia ao longo do envelhecimento. Algumas pessoas ainda acabam tendo muito cansaço e, enquanto estão tomando remédio, apresentam uma qualidade de vida muito pior, pois nem pensam em fazer atividade física", alerta.

Não dá para esperar que as canetinhas façam todo o trabalho sozinhas. Apesar de serem boas alternativas para a perda de peso, as medicações estão longe de serem milagrosas e podem ser prejudiciais para quem não inclui exercícios cardiovasculares e musculação na rotina. 

"Quando se usa esses medicamentos, o importante não é apenas quantos quilos a pessoa está emagrecendo, mas a qualidade dessa perda de peso. Em qualquer estratégia, é necessário treinamento de força para preservar e estimular a massa muscular", afirma. 

Outros riscos, segundo Alessandra, são a formação de cálculos na vesícula biliar e até mesmo o desenvolvimento de transtornos alimentares. 

"Esses cálculos [vesiculares] podem migrar para o ducto biliar e desencadear uma pancreatite aguda, que é uma inflamação potencialmente grave do pâncreas. Existem pessoas que tomam por conta, que já tinham cálculos na vesícula e não sabiam. Então, é sempre necessário uma avaliação", ressalta.

Especialistas alertam para riscos silenciosos do emagrecimento rápido
Especialistas alertam para riscos silenciosos do emagrecimento rápido
Foto: Freepik

Deficiências nutricionais 

Além de manter uma rotina de atividades físicas, quem recorre ao Mounjaro e ao Ozempic também não pode esquecer de ficar de olho na dieta. Segundo o nutricionista Brian Sumner, da clínica Atma Soma, não dá para negligenciar as refeições só porque as canetinhas diminuem a fome.

Por promover uma redução significativa do apetite, muitas pessoas que fazem uso do medicamento acabam dando menos atenção à qualidade da dieta, o que favorece a ocorrência de deficiências nutricionais. 

"A deficiência de ferro e vitamina B12 é particularmente relevante, uma vez que está diretamente relacionada ao desenvolvimento de anemia, condição frequentemente relatada em indivíduos sob tratamento prolongado", explica. 

"A baixa ingestão de cálcio representa outro ponto crítico, com implicações importantes para a saúde óssea e risco aumentado de osteopenia ou osteoporose. Adicionalmente, a redução do consumo de fibras alimentares pode intensificar quadros de constipação intestinal, efeito adverso já descrito como comum nessa classe farmacológica", complementa. 

Mounjaro é um medicamento injetável usado no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2
Mounjaro é um medicamento injetável usado no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2
Foto: Reprodução

Segundo a gastroenterologista e hepatologista Claudia P. Oliveira, a má digestão e absorção de alimentos também podem ser um fator preocupante entre os adeptos das canetas. 

"Podem ocorrer má digestão e absorção de alimentos, deficiências vitamínicas, supercrescimento bacteriano, perda de massa muscular. Retardo do esvaziamento gástrico, redução ou parada dos movimentos intestinais", lista. 

Sobrecarga nas articulações

Do ponto de vista ortopédico, perder peso costuma ser algo positivo para as articulações, especialmente para o joelho. Existe até um dado clássico na literatura que mostra que cada quilo perdido pode reduzir em até quatro quilos a carga que passa pelo joelho durante a caminhada. O problema é quando essa perda acontece de forma muito rápida e sem preservação da massa muscular.

Quem explica é Jonatas Brito, ortopedista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Unichristus. "Nesses casos, o peso até diminui, mas a 'proteção' do joelho também. Assim, o paciente pode ficar mais vulnerável a dor, inflamação e até lesões, principalmente quando começa a se exercitar sem preparação adequada", inicia. 

Isso porque o músculo funciona como um estabilizador do joelho. É ele quem ajuda a distribuir melhor as forças, amortecer o impacto e proteger estruturas como cartilagem, ligamentos e menisco. Quando há perda muscular, a carga na articulação pode ficar maior. 

Mounjaro
Mounjaro
Foto: Divulgação/CRF-PR

Por esse motivo, é importante focar na rotina de treinos durante o uso das canetinhas. No entanto, não adianta pegar fichas extensas e recheadas de exercícios difíceis e variações para a musculação. Da mesma forma que o sedentarismo pode causar danos, a prática de atividades físicas de maneira exagerada e sem orientação também pode prejudicar as articulações. 

"Muitas pessoas começam a se exercitar com muita empolgação após perder peso, o que é ótimo. O problema é quando o corpo ainda não está preparado para determinadas cargas e demanda. O ideal é começar com atividades de baixo impacto e progressão gradual. Caminhadas, bicicleta, exercícios na água e treinamento de força supervisionado costumam ser boas opções no início", indica. 

Se pudesse sugerir exercícios para musculação, o ortopedista indicaria focar no fortalecimento de quadríceps, glúteos e posterior de coxa. "Esse equilíbrio muscular ajuda a estabilizar o joelho. Estudos mostram que programas de fortalecimento podem reduzir em até 30% o risco de dor no joelho em pessoas que iniciam atividade física após períodos de sedentarismo", argumenta. 

Fonte: Portal Terra
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