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COVID-19 e Nipah: o papel dos morcegos na transmissão de vírus

O vírus Nipah voltou ao debate internacional de saúde públicaCOVID-19 e Nipah: o papel dos morcegos na transmissão de vírus

2 fev 2026 - 09h01
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O vírus Nipah voltou ao debate internacional de saúde pública porque reúne características que preocupam especialistas. Cientistas o descobriram no fim da década de 1990 e, desde então, ele já causou surtos localizados com alta taxa de mortalidade. Além disso, estudos recentes indicam potencial para desencadear uma crise sanitária de grandes proporções. Ao compará-lo à COVID-19, pesquisadores destacam especialmente sua letalidade elevada e a ausência de tratamentos específicos amplamente disponíveis.

Enquanto o coronavírus responsável pela COVID-19 se espalhou de forma rápida e global, o vírus Nipah ainda permanece restrito a surtos em alguns países da Ásia. No entanto, a combinação de alta mortalidade, transmissão entre animais e humanos e possibilidade de adaptação às vias respiratórias mantém esse patógeno no radar de organizações internacionais. Assim, a discussão atual procura entender por que, mesmo com número menor de casos, o risco associado ao Nipah continua tão relevante.

O que torna o vírus Nipah tão perigoso?

O principal fator que torna o vírus Nipah temido envolve sua alta taxa de mortalidade. Em diferentes surtos já registrados, a letalidade variou aproximadamente entre 40% e mais de 70%. Esse número depende da região, das condições de atendimento médico e do momento do diagnóstico. Em contraste, a taxa de mortalidade global da COVID-19, ao longo da pandemia, permaneceu bem abaixo desse patamar. Ainda assim, o impacto da COVID-19 se mostrou enorme por causa do número massivo de infectados.

O Nipah frequentemente causa um quadro de encefalite, ou seja, inflamação no cérebro. Além disso, o vírus provoca sintomas respiratórios e febre. Muitos pacientes evoluem rapidamente para agravamento do estado neurológico, com confusão mental, convulsões e coma. Outro elemento relevante envolve o longo período de incubação em certos casos, que pode chegar a mais de 20 dias. Dessa forma, uma pessoa pode permanecer infectada, sem sintomas aparentes, circulando normalmente e, em algumas situações, transmitindo o vírus.

Além da gravidade clínica, a ausência de antivirais específicos aprovados e de vacina amplamente disponível contra o Nipah reforça a preocupação. Os profissionais de saúde atualmente oferecem tratamento de suporte, com foco em estabilizar o paciente, controlar sintomas e prevenir complicações. Pesquisadores investigam vacinas com diferentes plataformas, incluindo tecnologias usadas contra a COVID-19. No entanto, até o início de 2025, os países ainda não implementaram amplamente esses produtos em programas nacionais de imunização. Paralelamente, estudos exploram terapias de anticorpos monoclonais e antivirais de amplo espectro, mas essas abordagens ainda se mantêm em fase experimental.

morcego – depositphotos.com / CreativeNature
morcego – depositphotos.com / CreativeNature
Foto: Giro 10

Por que o vírus Nipah pode ser mais perigoso do que a COVID-19?

Quando se compara o vírus Nipah ao SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19, surgem diferenças importantes. A primeira envolve a relação entre contágio e mortalidade. A COVID-19 apresenta alta capacidade de disseminação, mas letalidade relativamente menor na população geral. Já o Nipah, embora atualmente mostre transmissão mais limitada, provoca uma proporção de óbitos muito superior entre os infectados. Essa combinação o coloca como potencialmente mais perigoso caso ele se adapte a uma transmissão respiratória eficiente de pessoa para pessoa.

Especialistas destacam alguns pontos que ajudam a entender esse risco:

  • Letalidade elevada: em alguns surtos, mais da metade dos casos confirmados terminou em óbito.
  • Reservatórios animais: o vírus circula em morcegos frugívoros, o que torna a erradicação praticamente impossível.
  • Transmissão múltipla: pesquisadores já documentaram infecções por contato com animais, consumo de alimentos contaminados e contágio entre humanos.
  • Possível adaptação: muitos cientistas temem mutações que aumentem a transmissão respiratória e alterem o cenário global.

No caso da COVID-19, em poucos meses após a identificação do vírus, diversos países iniciaram rapidamente pesquisas e acordos para vacinas em larga escala. Em seguida, governos começaram a aplicar esses imunizantes ainda em 2020. Para o Nipah, o caminho avança de forma mais lenta, devido ao menor número de casos e à dificuldade em realizar grandes estudos clínicos. Isso cria uma espécie de janela de vulnerabilidade. Se o vírus se espalhar de forma repentina, o mundo pode não dispor de vacinas aprovadas e distribuídas em tempo hábil.

Como o vírus Nipah é transmitido e controlado hoje?

Atualmente, especialistas classificam o Nipah como uma zoonose, ou seja, uma doença que passa de animais para humanos. Os principais reservatórios são morcegos da família Pteropodidae, conhecidos como morcegos frugívoros. Nos surtos anteriores, a transmissão ocorreu de três formas principais. Em primeiro lugar, o vírus passou por contato direto com animais infectados. No segundo lugar, a infecção aconteceu após o consumo de frutas ou seiva de tamareira contaminadas por secreções de morcegos. Por fim, em menor escala, o contágio surgiu em contatos próximos com pessoas doentes.

As regiões afetadas utilizam principalmente as seguintes medidas de controle:

  1. Identificar rapidamente casos suspeitos e isolar pacientes.
  2. Monitorar contatos próximos, como familiares e profissionais de saúde.
  3. Orientar a população para evitar consumo de alimentos que possam ter recebido secreções de morcegos.
  4. Adotar uso rigoroso de equipamentos de proteção individual em hospitais e clínicas.
  5. Realizar vigilância em animais, especialmente em criadouros de porcos, quando surge risco de transmissão intermediária.

Essas ações, quando executadas de forma adequada, contêm surtos antes que eles atinjam grande escala. No entanto, essas estratégias dependem de sistemas de saúde estruturados, capacidade laboratorial para diagnóstico e comunicação rápida entre autoridades locais e internacionais. Em áreas com poucos recursos, a detecção tardia de casos favorece uma disseminação mais ampla. Por isso, organizações globais defendem investimentos em abordagem "Uma Só Saúde", que integra vigilância em humanos, animais e meio ambiente.

O vírus Nipah pode realmente causar uma nova pandemia?

A possibilidade de o vírus Nipah se tornar uma pandemia permanece em avaliação constante dentro da comunidade científica. Os pesquisadores não tratam esse risco como previsão inevitável, mas sim como um cenário plausível, que depende da combinação de vários fatores. Entre eles, figuram uma mutação que aumente a transmissão respiratória sustentada entre humanos, falhas na vigilância epidemiológica e circulação do vírus em áreas densamente povoadas, com intensa conexão aérea.

Alguns elementos se mostram estratégicos para reduzir esse risco:

  • Fortalecer sistemas de vigilância em países que já detectaram o vírus.
  • Manter investimentos contínuos em pesquisa de vacinas e terapias específicas.
  • Aprimorar protocolos de biossegurança em laboratórios e hospitais.
  • Estimular colaboração internacional para compartilhamento rápido de dados e amostras.

O debate sobre o Nipah ocorre em um contexto em que a experiência com a COVID-19 permanece muito recente. Muitos países revisam seus planos de preparação para emergências sanitárias e consideram patógenos com alta letalidade e potencial de disseminação, como esse vírus. O cenário atual indica que atenção precoce, pesquisa científica e cooperação global representam fatores centrais para evitar que um agente mais letal do que o coronavírus provoque outra crise mundial. Além disso, autoridades de saúde defendem campanhas de educação pública contínuas, que ajudem comunidades a reconhecer sinais de alerta e a procurar atendimento sem demora.

Covid 19 – depositphotos.com / IgorVetushko
Covid 19 – depositphotos.com / IgorVetushko
Foto: Giro 10
Giro 10
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