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Coqueluche: o 'resfriado inocente' que pode matar em silêncio

A coqueluche, também chamada de tosse comprida, é uma infecção respiratória causada por bactéria que atinge principalmente crianças, mas também pode afetar adolescentes e adultos. A doença costuma começar com sintomas parecidos com os de um resfriado comum e, depois de alguns dias, evolui para crises de tosse intensa, que podem durar semanas. Por esse […]

27 mar 2026 - 23h57
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A coqueluche, também chamada de tosse comprida, é uma infecção respiratória causada por bactéria que atinge principalmente crianças, mas também pode afetar adolescentes e adultos. A doença costuma começar com sintomas parecidos com os de um resfriado comum e, depois de alguns dias, evolui para crises de tosse intensa, que podem durar semanas. Por esse motivo, essa enfermidade exige acompanhamento médico cuidadoso, especialmente em bebês pequenos.

Por ser altamente contagiosa, a coqueluche ainda gera preocupação entre profissionais de saúde e serviços de vigilância epidemiológica em 2026. Mesmo com a existência de vacina, surtos ainda ocorrem em locais com baixa cobertura vacinal ou em grupos mais vulneráveis. Portanto, entender causas, formas de transmissão, sinais em cada fase e medidas de prevenção ajuda a reduzir a circulação da bactéria e a gravidade dos casos.

O que é coqueluche e qual é a causa da doença?

A coqueluche é uma infecção respiratória aguda. Na maioria dos casos, a bactéria Bordetella pertussis provoca essa doença. Essa bactéria se instala nas vias aéreas superiores, principalmente na traqueia e nos brônquios, e produz toxinas que irritam a mucosa respiratória. Essa irritação leva às crises de tosse características, longas e repetidas, muitas vezes acompanhadas de um ruído inspiratório forte, conhecido como "guincho" ou "whoop".

A doença costuma apresentar maior gravidade em lactentes, sobretudo abaixo de 6 meses de idade. Nessa fase, o sistema imunológico ainda se encontra em desenvolvimento e as vias aéreas permanecem mais estreitas. Além da Bordetella pertussis, outras espécies do mesmo gênero, como a Bordetella parapertussis, também podem provocar quadros semelhantes, porém em geral menos intensos. A resposta do organismo à infecção e o tempo de evolução se relacionam diretamente com a idade, o estado de vacinação e a presença de outras doenças associadas.

Coqueluche_depositphotos.com / katerynakon
Coqueluche_depositphotos.com / katerynakon
Foto: Giro 10

Como a coqueluche é transmitida e quem está mais exposto?

A coqueluche se transmite de pessoa para pessoa, principalmente por meio de gotículas de saliva expelidas ao tossir, espirrar, falar alto ou rir. Essas gotículas podem alcançar o rosto de quem permanece próximo ou se depositar em superfícies, o que favorece o contato com mucosas da boca, nariz e olhos. Geralmente, a transmissão se intensifica nas primeiras semanas de sintomas, quando a carga de bactérias na via respiratória permanece maior.

Ambientes fechados e com aglomeração, como creches, escolas, transporte público e residências com muitos moradores, facilitam a propagação da doença. Além disso, alguns grupos apresentam maior risco:

  • Recém-nascidos e bebês pequenos, especialmente sem o esquema vacinal completo.
  • Gestantes, pela possibilidade de complicações para a mãe e para o bebê.
  • Idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas ou imunidade comprometida.
  • Profissionais de saúde e cuidadores que mantêm contato próximo com muitos indivíduos.

Coqueluche: quais são as fases e sintomas principais?

Os sintomas da coqueluche costumam aparecer entre 7 e 21 dias após o contato com a bactéria. Tradicionalmente, os profissionais de saúde dividem a doença em três fases clínicas, e cada uma apresenta manifestações predominantes.

Fase catarral: quando a coqueluche parece um simples resfriado?

Na fase catarral, que dura em média de 1 a 2 semanas, os sinais permanecem bastante inespecíficos. A pessoa pode apresentar:

  • Coriza, com nariz escorrendo, e leve congestão nasal.
  • Tosse seca e discreta, geralmente mais incômoda à noite.
  • Mal-estar, discreta dor de garganta e espirros.
  • Febre baixa ou até ausência de febre.

Nessa etapa, a coqueluche muitas vezes se confunde com um resfriado comum. No entanto, justamente nesse período inicial a capacidade de transmissão atinge níveis mais altos, pois a mucosa respiratória abriga grande quantidade de bactérias.

Fase paroxística: como reconhecer a tosse típica da coqueluche?

fase paroxística se caracteriza por crises de tosse intensa, chamadas paroxismos, que podem durar de 2 a 6 semanas, às vezes mais. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Séries de tosses rápidas e seguidas, sem que a pessoa consiga respirar entre um golpe e outro.
  • Ruído agudo na inspiração após a crise, frequentemente descrito como "guincho".
  • Vômitos após a tosse, principalmente em crianças.
  • Rosto avermelhado ou arroxeado durante os acessos de tosse.
  • Cansaço importante após cada episódio.

Em lactentes, a apresentação pode ser diferente. Em vez de tosse forte, o bebê pode apresentar pausas respiratórias, chamadas apneias, dificuldade para mamar, choro fraco e coloração azulada nos lábios e extremidades. Nessa faixa etária, mesmo sinais discretos exigem atenção imediata, pois o risco de complicações aumenta consideravelmente.

Fase de convalescença e possíveis complicações da coqueluche

Na fase de convalescença, que pode se estender por várias semanas, a intensidade e a frequência das crises de tosse diminuem gradualmente. Ainda assim, episódios mais leves podem persistir por um período prolongado, especialmente após esforços físicos ou novas infecções respiratórias virais.

Além disso, a coqueluche pode levar a complicações importantes. As principais complicações associadas à doença incluem:

  • Pneumonia bacteriana, que frequentemente responde pelos quadros graves em bebês.
  • Desidratação devido a vômitos frequentes após a tosse.
  • Perda de peso pela dificuldade de alimentação adequada.
  • Crises de apneia e hipóxia, ou falta de oxigênio, especialmente em lactentes.
  • Otite média e outras infecções secundárias.
  • Em casos extremos, complicações neurológicas ligadas à falta de oxigenação.

Como é feito o diagnóstico e quais são os tratamentos disponíveis?

Os médicos baseiam o diagnóstico de coqueluche na combinação de quadro clínico típico e exames laboratoriais. Entre os métodos utilizados em 2026, destacam-se:

  • Exame de PCR em secreção de nasofaringe, que detecta o material genético da bactéria.
  • Cultura da secreção respiratória, que confirma a presença da Bordetella pertussis, embora exija mais tempo.
  • Exames sorológicos, que avaliam anticorpos em fases mais tardias.

O tratamento da coqueluche se divide em terapia com medicamentos e cuidados de suporte:

  1. Antibióticos: macrolídeos, como azitromicina, claritromicina ou eritromicina, permanecem como os mais utilizados. Eles reduzem a transmissão e podem atenuar a evolução se o médico iniciar o uso precocemente, principalmente na fase catarral.
  2. Isolamento respiratório: profissionais de saúde recomendam essa medida, sobretudo nos primeiros dias de uso do antibiótico, para diminuir o contágio em casa, na escola ou no trabalho.
  3. Suporte clínico: inclui oferta adequada de líquidos, ambiente arejado, fracionamento das refeições para reduzir vômitos pós-tosse e monitorização da oxigenação em casos moderados e graves.
  4. Internação hospitalar: os médicos indicam internação para bebês pequenos, pessoas com dificuldade para respirar, episódios de apneia, sinais de pneumonia ou desidratação importante. Nesses casos, a equipe pode oferecer oxigênio suplementar e outros cuidados intensivos.

Quais são as principais estratégias de prevenção da coqueluche?

A medida mais eficaz para prevenir coqueluche é a vacinação. No Brasil, o esquema básico inclui vacinas do tipo pentavalente ou tríplice bacteriana, DTP, aplicadas ainda nos primeiros meses de vida, com reforços na infância e, em algumas situações, na adolescência e idade adulta. A vacina reduz de forma significativa o risco de formas graves e de internações.

Além da vacina infantil, as autoridades de saúde recomendam a aplicação de dose de reforço em gestantes, geralmente a partir do segundo trimestre da gestação, conforme calendário nacional. Essa estratégia, conhecida como imunização materna, eleva os níveis de anticorpos da mãe, que então transfere essa proteção ao bebê. Dessa forma, o recém-nascido conta com defesa adicional nos primeiros meses de vida, quando o risco de complicações permanece maior.

Outras medidas complementares de prevenção incluem:

  • Identificação precoce de casos suspeitos e início rápido do tratamento.
  • Uso de máscara em ambientes de maior risco ou durante surtos locais.
  • Higiene das mãos com água e sabão ou álcool em gel, principalmente após tossir ou espirrar.
  • Etiqueta respiratória: cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, preferencialmente com o antebraço ou lenço descartável.
  • Profilaxia antibiótica para contatos próximos em situações específicas, sempre com orientação médica.

Resumo da coqueluche em tópicos

Para facilitar a visualização das informações principais sobre coqueluche, segue um resumo em formato esquemático:

  • Agente causador: bactéria Bordetella pertussis.
  • Transmissão: gotículas respiratórias ao tossir, espirrar ou falar.
  • Fase catarral: sintomas leves, semelhantes a resfriado, com alta capacidade de contágio.
  • Fase paroxística: crises de tosse intensa, "guincho" inspiratório e vômitos pós-tosse.
  • Fase de convalescença: tosse em redução gradual, podendo persistir por semanas.
  • Complicações: pneumonia, apneia, desidratação, perda de peso, otite e hipóxia.
  • Tratamento: antibióticos, principalmente macrolídeos, e cuidados de suporte clínico.
  • Prevenção: vacinação infantil, reforço em gestantes, identificação precoce de casos e etiqueta respiratória.

Com a combinação de vacinação adequada, vigilância de sintomas característicos e adoção de medidas de higiene respiratória, os profissionais de saúde conseguem controlar melhor a coqueluche. Assim, o impacto em grupos vulneráveis diminui, e a ocorrência de quadros graves tende a cair ao longo dos próximos anos.

Coqueluche_depositphotos.com / NIKO_Cingaryuk
Coqueluche_depositphotos.com / NIKO_Cingaryuk
Foto: Giro 10
Giro 10
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