Como é uma cirurgia de catarata, à qual Lula será submetido
Procedimento está relacionado ao envelhecimento dos olhos e tem baixo risco de intercorrências
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, será submetido a uma cirurgia de catarata nesta sexta-feira, 30. O procedimento, considerado por especialistas como de rápida recuperação, será realizado no olho esquerdo.
A catarata é um processo natural do organismo e geralmente surge como consequência do envelhecimento do cristalino, estrutura do olho que funciona como uma lente. Com o passar do tempo, esse tecido pode se tornar esbranquiçado e opaco, comprometendo a visão.
O cristalino é responsável pelo foco das imagens e, em condições normais, é transparente. Quando perde essa característica, além do aspecto opaco, a visão pode ficar desfocada ou embaçada.
Quando a cirurgia é indicada?
Na maioria dos casos, a indicação da cirurgia ocorre quando a catarata passa a interferir de forma significativa na qualidade de vida do paciente, dificultando atividades como ler, dirigir ou reconhecer rostos.
De acordo com Maria Auxiliadora Frazão, médica oftalmologista e presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), há situações específicas em que o procedimento pode ser indicado antes desse estágio, mas cada caso deve ser avaliado individualmente.
Quando relacionada ao envelhecimento, a catarata é classificada como senil. No entanto, essa não é a única forma da doença. Também existem os tipos congênito, traumático, associado ao diabetes e secundário ao uso de determinados medicamentos, como corticoides.
Segundo a oftalmologista Myrna Serapião, especialista em catarata no H.Olhos e diretora da Vision One, a cirurgia tem sido indicada cada vez mais precocemente. "Existia um mito de que a catarata só deveria ser operada quando amadurecesse, mas hoje, com o aumento da expectativa de vida e das atividades do paciente idoso, indicamos o procedimento mais cedo para garantir melhor qualidade de vida."
Como é feita a cirurgia de catarata?
A cirurgia de catarata é considerada segura e é uma das mais realizadas no mundo. "Todas as pessoas terão de operar a catarata um dia — e duas vezes, uma em cada olho", afirma Maria.
Lula, inclusive, já passou pelo procedimento. Em 2020, ele foi submetido à cirurgia de catarata no olho direito.
O procedimento deve ser realizado por um oftalmologista, em ambiente preparado e com estrutura adequada. Quando feito nessas condições, costuma apresentar baixo risco de complicações.
Segundo Myrna, a cirurgia é realizada com o uso de uma ferramenta capaz de fragmentar o cristalino, que se torna mais rígido com o avanço da catarata. "Substituímos esse cristalino por uma lente artificial que, além de corrigir a opacidade, também pode reduzir o grau dos óculos, caso o paciente utilize."
A presidente do CBO acrescenta que o procedimento é realizado com anestesia local, é rápido e possui altos índices de sucesso, proporcionando recuperação significativa da visão na maioria dos casos.
Apesar de geralmente ser indicada para ambos os olhos, a cirurgia não deve ser realizada nos dois no mesmo dia. "O ideal é operar primeiro um olho e, após alguns dias ou semanas, realizar o procedimento no outro", diz Maria.
Como é a recuperação?
Por se tratar de um procedimento rápido e com anestesia local, o paciente costuma ter alta no mesmo dia, recebendo algumas recomendações para seguir em casa.
Entre as orientações mais comuns estão repouso relativo nos primeiros dias, evitar apertar ou coçar os olhos e não carregar peso.
Myrna ressalta a importância de evitar esforços e orienta repouso nos três primeiros dias, mas há exceções. "Em casos de atividades intelectuais, o retorno ao trabalho pode ocorrer mais precocemente", explica.
O uso de colírios, antibióticos e anti-inflamatórios pode ser indicado, a depender da avaliação médica.
Existe risco de complicação?
Como em qualquer procedimento cirúrgico, há riscos de complicações na cirurgia de catarata, embora sejam raros.
Entre os principais problemas estão infecções, descolamento de retina e outras condições que podem levar à perda irreversível da visão. "Por isso, é fundamental que o procedimento seja realizado com planejamento e responsabilidade, sem subestimar a cirurgia", afirma Maria.
Há contraindicações?
Embora não sejam frequentes, também existem contraindicações, como em pacientes com diabetes descontrolado ou catarata em estágio muito avançado. "Pedimos que a cirurgia não seja realizada em fases extremamente avançadas, pois nesses casos pode haver maior trauma ocular", afirma Myrna.
Antes da operação, o oftalmologista responsável deve realizar uma avaliação completa, incluindo o mapeamento de retina, para identificar possíveis alterações que demandem tratamento antes da cirurgia.