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Treinar no fim do dia: vale a pena ou atrapalha o descanso?

Para muitos, é o único horário possível. Para outros, receita certa para a insônia. Entenda a fisiologia do treino noturno e como blindar seu descanso

29 jan 2026 - 18h19
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Para a grande maioria dos brasileiros, a agenda dita as regras: trabalho, estudos, trânsito e família consomem o dia, restando apenas o período da noite para cuidar do corpo.

Veja se vale a pena treinar no fim do dia
Veja se vale a pena treinar no fim do dia
Foto: Shutterstock / Sport Life

A cena é clássica: você sai da academia às 21h sentindo-se exausto, mas quando deita na cama às 23h, seus olhos estão arregalados e o cérebro, a mil por hora.

Treinar no final do dia

Afinal, treinar à noite é uma estratégia válida para quem tem a rotina corrida ou um tiro no pé da sua recuperação?

O problema não é o horário em si, mas a intensidade e o que você faz nos 60 minutos seguintes ao treino. Entenda como transformar o treino noturno em aliado, e não inimigo.

O que acontece no seu corpo à noite?

Para entender a insônia pós-treino, precisamos falar de temperatura e hormônios.

Nosso corpo segue um Ritmo Circadiano (relógio biológico). Naturalmente, à noite, sua temperatura corporal deve cair e a produção de cortisol (hormônio do estresse e alerta) deve diminuir para dar lugar à melatonina (hormônio do sono).

Quando você faz um treino intenso tarde da noite, você provoca três reações que vão na contramão desse processo natural:

  1. Aumento da temperatura central: O metabolismo acelerado esquenta o corpo, e o sono profundo só ocorre quando estamos "resfriados".

  2. Pico de Cortisol e Adrenalina: O exercício é um estresse físico. Para levantar peso ou correr, seu corpo libera hormônios de luta ou fuga, deixando você em estado de alerta.

  3. Frequência Cardíaca: O coração continua batendo mais forte horas após o fim da atividade (efeito EPOC), dificultando o relaxamento.

Isso significa que você deve parar? Não. Significa que você precisa de estratégia.

Regra das 2 horas

Estudos recentes de cronobiologia indicam que o exercício noturno não prejudica a qualidade do sono, desde que haja um intervalo de segurança.

A regra de ouro é: termine seu treino pelo menos 2 horas antes de ir para a cama.

Esse é o tempo médio que o sistema nervoso central leva para sair do estado de "Simpático" (alerta/guerra) para o "Parassimpático" (repouso/digestão).

Portanto, se você treina até as 22h e tenta dormir às 22h30, a chance de rolar na cama é altíssima.

Melhores (e piores) treinos para a noite

Se você sofre com insônia, a escolha da modalidade importa tanto quanto o horário.

Aposte: musculação e cargas altas

Surpreendentemente, o treino de força (musculação) tende a atrapalhar menos o sono do que o cardio intenso.

O motivo? Embora exija força, a frequência cardíaca não fica elevada de forma contínua como em uma corrida. A fadiga muscular gerada pode até induzir o sono mais rápido.

Com moderação: aeróbico moderado

Uma corrida leve ou caminhada pode ajudar a "limpar a mente" do estresse do trabalho. Se mantida em intensidade moderada (Zona 2), não gera um pico de cortisol tão agressivo.

Evite: HIIT e CrossFit

Treinos intervalados de alta intensidade (HIIT) são os grandes vilões do sono noturno. Eles elevam a temperatura corporal drasticamente e exigem uma recuperação neural muito forte.

Se possível, evite essas modalidades após as 20h.

Protocolo de desaceleração: como "desligar" o cérebro

Se o treino noturno é sua única opção, você precisa hackear seu corpo para ele entender que o dia acabou. Use este protocolo pós-treino:

1. Banho frio (ou morno)

Esqueça o banho fervendo. Como vimos, o corpo precisa esfriar para dormir. Um banho morno ou levemente frio ajuda a baixar a temperatura central, sinalizando ao cérebro que é hora de descansar.

2. Evite a luz azul

Sair da academia (luzes brancas fortes) e ir direto para o celular (luz azul) bloqueia a melatonina. Ao chegar em casa, use luzes amarelas e indiretas. Tente largar as telas 30 minutos antes de deitar.

3. Jantar leve e estratégico

Comer uma feijoada pós-treino às 22h é pedir para ter pesadelos. A digestão pesada compete com o sono. Prefira carboidratos de fácil digestão (arroz, batata, frutas) e proteínas magras (ovo, frango desfiado, whey).

O carboidrato à noite, inclusive, ajuda no transporte de triptofano, um aminoácido precursor da serotonina e melatonina. Ou seja: comer carboidrato à noite pode te ajudar a dormir!

Conclusão: vale a pena?

Treinar à noite é infinitamente melhor do que não treinar. O sedentarismo é muito mais nocivo ao seu sono do que uma hora de exercícios.

Se você só tem a noite, vá. Mas ajuste a intensidade e crie um ritual de relaxamento pós-treino tão disciplinado quanto o próprio exercício. Seu corpo se adapta, desde que você dê a ele as condições certas para desligar.

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