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Caso Gabriel Ganley: uso de insulina pode ter causado cardiomiopatia hipertrófica? Médica responde

25 mai 2026 - 15h40
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Influenciador fitness e fisiculturista Gabriel Ganley
Influenciador fitness e fisiculturista Gabriel Ganley
Foto: Reprodução/Instagram

A morte precoce do influenciador fitness e fisiculturista Gabriel Ganley, de apenas 22 anos, reacendeu um debate delicado dentro do universo da musculação: os perigos do uso inadequado de insulina para ganho de massa muscular. O jovem, que acumulava milhões de seguidores nas redes sociais e se preparava para competir em campeonatos de fisiculturismo, foi encontrado morto em seu apartamento em São Paulo.

A causa da morte súbita foi uma cardiomiopatia hipertrófica no coração, segundo o atestado de óbito do Instituto Médico Legal (IML) obtido pela TV Globo nesta segunda-feira, 25. 

A doença é caracterizada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco, principalmente na região do ventrículo esquerdo. Esse aumento dificulta o bombeamento adequado do sangue e, em alguns casos, pode provocar obstrução na saída do ventrículo. Embora a origem genética está entre as principais causas de morte súbita em atletas jovens, segundo especialistas, ela pode ser agravada com o uso de anabolizantes.

“A insulina não causa cardiomiopatia hipertrófica, mas, quando usada sem indicação médica, pode provocar hipoglicemia e alterações metabólicas capazes de favorecer arritmias. Em alguém com uma doença cardíaca estrutural, esse risco se torna ainda mais preocupante.”,  explica a Dra. Tassiane Alvarenga, endocrinologista e metabologista pela SBEM.

Já sobre o uso de anabolizantes, a médica diz que a conexão com cardiometabolismo é ainda mais direta. "O uso de esteroides androgênicos/anabolizantes em doses suprafisiológicas está associado a hipertensão, piora do perfil lipídico, hipertrofia ventricular esquerda, arritmias, trombose e maior risco cardiovascular. Em alguém com cardiomiopatia hipertrófica, isso pode aumentar a sobrecarga sobre um coração que já não é estruturalmente normal", diz.

“A causa descrita no laudo foi cardiomiopatia hipertrófica. Mas isso não torna o uso de anabolizantes, insulina e substâncias de performance irrelevante. Em um coração vulnerável, esses estímulos podem funcionar como combustível para arritmias e morte súbita.”

Riscos do uso da insulina

Embora a insulina seja um hormônio essencial para pessoas com diabetes, alguns fisiculturistas passaram a utilizá-la de forma irregular por causa de seu efeito anabólico. A substância ajuda a transportar glicose e nutrientes para dentro das células musculares, o que pode acelerar o crescimento muscular e melhorar a recuperação após treinos intensos. O problema é que o uso sem controle médico pode provocar uma queda brusca nos níveis de açúcar no sangue, colocando a vida em risco.

"A insulina é um hormônio essencial para a vida e tem indicação médica muito bem estabelecida no tratamento do diabetes. O problema surge quando ela é utilizada sem necessidade clínica e fora de acompanhamento médico, especialmente em contextos de performance estética ou fisiculturismo. O principal risco é a hipoglicemia grave. Como a insulina reduz a glicose sanguínea, o uso inadequado pode provocar queda importante do açúcar no sangue, levando a sintomas como sudorese, tremores, confusão mental, alteração neurológica, convulsões, coma e até morte súbita",

Segundo a especialista, existe um risco metabólico importante quando a insulina é associada a outras substâncias utilizadas em protocolos de performance, como hormônio do crescimento, anabolizantes e estimulantes. "Isso aumenta a sobrecarga cardiovascular e metabólica do organismo", diz.

Para que a insulina é utilizada no fisiculturismo?

No fisiculturismo, a insulina costuma ser utilizada de forma não médica pelo seu potente efeito anabólico e anticatabólico indireto.

"Ela facilita a entrada de glicose e nutrientes dentro da célula muscular e pode aumentar armazenamento de glicogênio, volumização muscular e recuperação energética. Alguns atletas também associam seu uso ao objetivo de potencializar ganho de massa muscular quando combinada com dieta hipercalórica e outras substâncias hormonais", explica a médica.

Ela ressalta que isso não significa segurança. "A insulina possui uma janela terapêutica delicada. Pequenos erros de dose, alimentação ou timing já podem provocar complicações graves".

A médica diz que tecnicamente, a insulina não é um esteroide anabolizante como testosterona ou derivados androgênicos, mas ela possui ação anabólica metabólica importante.

"A insulina é um dos hormônios mais anabólicos do organismo porque favorece armazenamento energético, síntese de glicogênio, redução de degradação proteica e ambiente metabólico favorável ao crescimento muscular".

Por isso, ela passou a ser utilizada em alguns ambientes de fisiculturismo. "Porém, diferentemente da visão simplificada das redes sociais, estamos falando de um hormônio extremamente complexo, potente e potencialmente perigoso quando manipulado sem indicação médica", destaca.

A discussão mais importante talvez seja justamente essa: performance estética não elimina vulnerabilidade fisiológica. "Um corpo extremamente muscular não significa necessariamente segurança metabólica ou cardiovascular", conclui.

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