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Cansaço, dor e calafrios: a ciência explica por que a menstruação pode parecer uma infecção no corpo

Em alguns ciclos, o período menstrual vem acompanhado de fadiga intensa, dores pelo corpo, arrepio e calafrios, como se o organismo estivesse enfrentando uma gripe. Veja como a ciência explica por que a menstruação pode parecer uma infecção.

10 abr 2026 - 11h32
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Em muitos consultórios e conversas entre amigas, uma queixa se repete: em alguns ciclos, o período menstrual vem acompanhado de fadiga intensa, dores pelo corpo, arrepio e calafrios, como se o organismo estivesse enfrentando uma gripe. Esses sintomas costumam ser minimizados, mas estudos em saúde feminina mostram que não se trata de exagero. Afinal, o corpo está, de fato, passando por uma reação inflamatória ampla, que se liga às mudanças hormonais que antecedem a menstruação.

Essa sensação de "estar doente" no período menstrual tem explicação em processos bem definidos. Ou seja, a queda rápida de um hormônio chamado progesterona e a liberação de substâncias que levam o nome de prostaglandinas desencadeiam uma espécie de "alarme interno". Assim, esse aviso mobiliza o sistema de defesa do corpo, que passa a agir de forma semelhante ao que acontece quando há uma infecção viral ou bacteriana, gerando sintomas físicos muito parecidos.

Nos dias que antecedem o sangramento, ocorre uma queda súbita da progesterona, hormônio que se mantém alto na segunda metade do ciclo para preparar o útero para uma possível gestação – depositphotos.com / AndrewLozovyi
Nos dias que antecedem o sangramento, ocorre uma queda súbita da progesterona, hormônio que se mantém alto na segunda metade do ciclo para preparar o útero para uma possível gestação – depositphotos.com / AndrewLozovyi
Foto: Giro 10

Por que o corpo reage como se tivesse uma gripe na menstruação?

Nos dias que antecedem o sangramento, ocorre uma queda súbita da progesterona, hormônio que se mantém alto na segunda metade do ciclo para preparar o útero para uma possível gestação. Assim, quando a gravidez não acontece, esse hormônio despenca rapidamente. Essa mudança abrupta não afeta apenas o útero. Afinal, ela também altera o comportamento das células de defesa espalhadas pelo corpo todo, deixando o organismo mais reativo.

Ao mesmo tempo, o tecido que reveste o útero começa a se desprender para dar início à menstruação. Nessa etapa, há liberação das prostaglandinas, substâncias que estimulam a contração uterina para expulsar o sangue e o tecido que não será usado. Esses compostos têm um papel útil e necessário, mas, em concentrações mais altas, escapam da região do útero para a circulação. Assim, influenciam vasos sanguíneos, músculos e nervos em diferentes partes do corpo.

Prostaglandinas e queda da progesterona: como surgem dores e calafrios?

A palavra-chave menopausa deste tema é "resposta inflamatória sistêmica", expressão usada para descrever quando o corpo inteiro parece envolvido em um mesmo processo. As prostaglandinas, ao circular pelo organismo, podem aumentar a sensibilidade à dor, provocar contração de músculos lisos e alterar o calibre dos vasos sanguíneos. É essa combinação que favorece cólicas mais intensas, dor lombar, dor de cabeça e aquela sensação de corpo "moído", típica de quadros gripais.

Já a queda de progesterona reduz o efeito "calmante" que esse hormônio exerce sobre o sistema nervoso e sobre as células de defesa. Em estudos de imunologia reprodutiva, essa mudança está ligada a uma espécie de "destravamento" da inflamação. Células que normalmente atuam de forma discreta passam a liberar mais substâncias químicas que aumentam a vigilância do organismo. Quando esse processo é mais intenso, aparecem sintomas como:

  • fadiga desproporcional às atividades do dia;
  • dores musculares difusas, que lembram a sensação após uma febre;
  • calafrios intermitentes, mesmo sem alteração importante da temperatura;
  • sensação geral de mal-estar, com dificuldade de concentração e queda de disposição.

Esses sinais não significam fragilidade ou baixa tolerância à dor. Representam, na prática, um corpo que está conduzindo um processo complexo de renovação do útero, coordenado por hormônios e mediadores inflamatórios, com impacto que ultrapassa a região pélvica e alcança diversos sistemas do organismo.

Esses sintomas são normais? Quando o mal-estar merece atenção?

Especialistas em saúde menstrual ressaltam que certo grau de cansaço, dor e sensação de "resfriado interno" pode fazer parte de alguns ciclos, especialmente em pessoas com produção mais intensa de prostaglandinas. Entretanto, a intensidade e a frequência dos sintomas variam muito. Há quem quase não perceba alterações e há quem sinta dificuldade real para manter a rotina de trabalho, estudo ou cuidados domésticos durante alguns dias do mês.

Pesquisas recentes, publicadas até 2025 em revistas de ginecologia e imunologia, reforçam que a dor e o cansaço no período menstrual devem ser levados a sério. Quando os sintomas se tornam incapacitantes, duram vários dias ou se somam a outros sinais, como dor pélvica crônica, sangramento muito intenso, desmaios ou febre, médicos costumam investigar condições como endometriose, adenomiose, miomas ou distúrbios hormonais. Nessas situações, a resposta inflamatória natural do ciclo pode estar ampliada por doenças de base que exigem avaliação e cuidado específicos.

Mesmo quando não há doença associada, o mal-estar físico durante a menstruação é reconhecido hoje como um fenômeno biológico concreto. Diretrizes internacionais já orientam que profissionais de saúde perguntem ativamente sobre fadiga, dor difusa e piora do bem-estar geral nesse período, para evitar que essas queixas sejam minimizadas ou atribuídas apenas a "drama" ou "sensibilidade excessiva".

Especialistas em saúde menstrual ressaltam que certo grau de cansaço, dor e sensação de “resfriado interno” pode fazer parte de alguns ciclos, especialmente em pessoas com produção mais intensa de prostaglandinas – depositphotos.com / HayDmitriy
Especialistas em saúde menstrual ressaltam que certo grau de cansaço, dor e sensação de “resfriado interno” pode fazer parte de alguns ciclos, especialmente em pessoas com produção mais intensa de prostaglandinas – depositphotos.com / HayDmitriy
Foto: Giro 10

Como lidar com o mal-estar menstrual no dia a dia?

A compreensão de que esses sintomas têm um fundamento inflamatório e hormonal ajuda a planejar estratégias práticas. Entre as medidas mais citadas em orientações de saúde estão:

  1. Organizar a rotina: quando possível, reduzir compromissos mais exigentes nos dias de maior risco de mal-estar, com base na observação do próprio ciclo.
  2. Cuidar do descanso: priorizar sono de qualidade e, se necessário, pequenos intervalos de pausa ao longo do dia.
  3. Aplicar calor local: bolsa térmica na região abdominal ou lombar pode amenizar cólicas e relaxar a musculatura.
  4. Manter hidratação e alimentação equilibrada: refeições leves e regulares ajudam a sustentar a energia e evitar piora da náusea ou da fraqueza.
  5. Buscar orientação profissional: em caso de dor intensa, uso frequente de analgésicos ou impacto importante na rotina, a avaliação médica é considerada passo essencial.

Com o avanço das pesquisas em imunologia reprodutiva e saúde menstrual, a visão sobre o período menstrual está mudando. Os sintomas que lembram uma infecção não são "imaginação", mas parte de uma resposta biológica real, que envolve hormônios, prostaglandinas e o sistema de defesa do organismo. Reconhecer esse processo oferece não apenas explicação, mas também validação para quem sente o corpo reagir com fadiga, dores e calafrios a cada ciclo, abrindo espaço para diálogos mais francos e para cuidados mais adequados.

Giro 10
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