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Dia de Star Wars: o que o filme nos ensina sobre meditação?

Em Star Wars, a jornada do jovem Luke Skywalker, que o leva além do conhecido, se parece muito com o caminho espiritual

4 mai 2021 10h37
| atualizado às 10h53
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Star Wars foi um grande marco no cinema. Um inesperado e potente sucesso, o primeiro filme da franquia, hoje chamado de Episódio IV: Uma Nova Esperança, é profundamente ligado às ideias de Joseph Campbell, um estudioso do inconsciente coletivo e de como todos os mitos que a humanidade carrega são ecos de algo que ele chama de monomito. E isso é muito importante na meditação.

Em Star Wars, o jovem Luke Skywalker descobre que tem algo especial. No entanto, antes dessa descoberta, Luke é alguém insatisfeito, uma pessoa que sente que tem mais potencial do que aquela vida cansativa que apresentam para ele, aquela poeira de Tatooine, o planeta onde morava e cresceu com o tio. Mas as circunstâncias mostram para Luke que existe uma jornada opcional, na qual ele pode embarcar. Só que essa jornada é arriscada e vai levá-lo muito além do conhecido.

O caminho espiritual é muito parecido com isso. O monomito é exatamente o seguinte: cada um de nós começa a se sentir desencaixado, mal-entendido pelo o que está ao nosso redor. Começamos a achar que o mundo está estranho, errado, e que não somos dele, nos sentimos estrangeiros, diferenciados. E, mergulhando nessa angústia, vamos em busca de soluções.

A solução, por sua vez, sempre passa dentro do monomito, por descobrirmos que somos especiais. Em alguns mitos, somos o filho do príncipe; em outros mitos, temos o poder de super-heróis; em outros, somos o filho de um grande Jedi, como no caso de Star Wars.

Nessa descoberta, ao mesmo tempo em que nos validamos com a certeza de que sabíamos que éramos diferentes e nos encantamos com o caminho novo a ser trilhado, sentimos medo, porque esse caminho vai trazer desafios, inimigos e testes. Percebermos que somos diferentes do comum é sempre perdermos a proteção que o comum nos trazia. E esse comum é o mundo cotidiano, coisas do ego.

No monomito, entramos em busca da nossa própria Luz, de descobrirmos que temos algo que só nós podemos fazer para a humanidade. Isso é muito poderoso.

Star Wars foi um grande marco no cinema; os filmes da franquia têm muito a nos ensinar sobre meditação
Star Wars foi um grande marco no cinema; os filmes da franquia têm muito a nos ensinar sobre meditação
Foto: jpgfactory / iStock

Descoberta da força

Lá em Star Wars, descobrimos os Jedi, personagens em que as roupas são baseadas nos monges zen. Inclusive, o mito do Mestre Yoda é muito comum no Japão, do bobo que é encontrado enquanto caminhamos na estrada e que não sabemos, mas ele é um sábio.

Nessa subversão do esperado, o jovem Luke Skywalker, que era só um fazendeiro num planeta poeirento, descobre que é potencialmente um grande Jedi. A força é descoberta e ela é profundamente baseada no que é a filosofia de advaita. A força é uma energia que permeia todos os seres, é uma visão do Divino ou de Deus que não é personalista. A força é a infinita consciência, a amorosa consciência que vai nos guiando e pode ser utilizada de maneira positiva ou negativa, como nos ensina o Taoísmo.

As religiões orientais estão muito bem representadas, embora com simplificação e com um tanto de licença poética, em Star Wars. No Ocidente, conhecemos melhor as religiões abraâmicas, que vieram de Abraão, que são o Judaísmo, o Cristianismo e o Islã, na qual a visão de Deus é personalista, ou seja, sempre alguém semelhante com os humanos e masculino.

No entanto, a visão de transcendente no Oriente é muito parecida com uma força, e alinhar-se a essa força é a descoberta do que no Oriente são os chakras, a aura, as energias, a intuição, a superconsciência. O caminho oriental está muito bem representado, principalmente, nos Episódios IV, V e VI de Star Wars, que foram os primeiros a serem filmados.

O monomito acontece em várias culturas de maneiras diferentes, mas sempre com a mesma trajetória. Cada um de nós tem uma insatisfação em nosso encaixe. Cada um de nós rompe com o mundo conhecido e descobre que é especial. Porém, para fazermos jus ao que temos de especial, precisamos lutar contra o lado negro, lutar contra o nosso egoísmo, nosso ego, nossas tendências mais negativas.

Mas, uma vez nos consolidando na própria Luz, retornamos para o mundo conhecido, para as pessoas que conhecemos. Nós voltamos transformados e como libertadores, portadores de uma luz maior para quem quiser ser ajudado por essa descoberta que nos fez tão bem e nos transformou. Isso é um monomito! E você é o tão esperado herói ou heroína.

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