Após filha ser diagnosticada com meningite, casal transforma susto em campanha por ampliação vacinal
Pais dos gêmeos Maya e Marc são influenciadores e compartilharam sobre a situação nas redes sociais com o intuito de alertar mais famílias
Era de noite quando Maya, de 3 anos, começou a reclamar de uma dor no pescoço. A dor a fez chorar, a deixou “molinha” e gerou uma febre de 38,7 ºC. “Foi questão de uma hora e pouco”, relembram seus pais Gustavo Catunda e Robert Rosselló. Nisso, eles correram para o hospital e a suspeita foi confirmada: a menina foi diagnosticada com meningite. Ela, que havia tomado todas as vacinas contra a doença, já teve alta pois teve um quadro menos grave. Mesmo assim, o susto foi grande e agora seus pais decidiram usar a situação para alertar outras famílias.
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A situação começou na noite de segunda-feira, dia 5. A menina estava saudável e bem, até que começou a reclamar das dores e tudo mudou rapidamente. No hospital, ela precisou fazer uma série de exames, incluindo uma punção na nuca. O diagnóstico foi de meningite viral.
“Dentro do cenário, foi o menos grave, se comparado com a meningite bacteriana que é muito mais grave. E um ponto importante é que a Maya tem todas as vacinas de meningite em dia. Isso faz toda a diferença. Porque a meningite pode causar sequelas graves e até a morte”, desabafou o pai.
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e parasitas, mas também pode ter origem não infecciosa, como em casos de câncer (com metástase nas meninges), lúpus, reações a medicamentos, traumatismos cranianos ou cirurgias cerebrais. As meningites bacterianas são mais frequentes no outono e inverno, enquanto as virais predominam na primavera e no verão – Ministério da Saúde
A menina ficou internada e foi liberada na última quarta-feira, dia 7, conforme informou a família. "A nossa princesa Maya recebeu alta e já está 100% muito animada de poder volta pra casa e reencontrar o irmão", escreveram no Instagram. Em casa, ela foi recebida com flores, balões, desenhos especiais e muito afeto de seu irmão gêmeo, Marc.
Veja o momento do reencontro:
Campanha para ampliação vacinal
A bandeira que o casal levanta agora é a respeito de uma das vacinas para meningite que não é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a para a bactéria meningocócica B.
Atualmente, segundo informações do Ministério da Saúde, o esquema vacinal público inclui duas doses da vacina meningocócica C, aplicadas aos três e cinco meses, e um reforço aos doze meses com a vacina ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y.
O tipo B, porém, conta com vacinas disponíveis apenas no sistema privado de saúde.
No ano passado, em julho, o Ministério da Saúde abriu uma consulta pública sobre a inclusão desta vacina no SUS. De acordo com o dossiê apresentado na ocasião, obtido pela Agência Brasil, o investimento para a inclusão do imunizante é de aproximadamente R$ 6,1 bilhões ao longo de cinco anos, Em contrapartida, há o argumento de que essa vacinação reduziria gastos com a internação e o tratamento dos doentes.
Em paralelo, em dezembro, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou um Projeto de Lei para a inclusão desta vacina no Programa Nacional de Imunizações (PNI). O projeto tramita em caráter conclusivo -- tendo sido votado dentro da comissão. Agora, além das analises das comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado para virar lei.
Ao Terra, o Ministério da Saúde informou que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) está em processo de avaliação da incorporação da vacina meningocócica B. "Essa análise considera as melhores evidências científicas disponíveis, abrangendo eficácia, segurança e análises de custo-efetividade. O fluxo desse processo pode ser verificado no link".
Ainda segundo a Saúde, no ano passado o Brasil registrou 12,2 mil casos confirmados de meningite, considerando todas as etiologias. "Esse número representa uma redução de 13% em relação a 2024, quando foram registrados 14,1 mil casos", complementaram.
“A gente começa a entrar de cabeça nesse assunto e começa a ver que esses casos não param de aumentar no Brasil. E sabe quais são os principais motivos para isso? É que muitos pais e responsáveis não estão vacinando as crianças e os adolescentes. [...] Uma notícia boa no meio de tudo isso é que a maioria das vacinas que protegem contra meningite está disponível de forma gratuita pelo SUS. Então é fundamental conferir o cartão de vacina, procurar um posto de saúde e conversar com o médico”, alertaram o casal, em vídeo publicado no Instagram.
Na sequência, eles fazem um apelo para que a vacina referente à meningocócica B passe a ser incluída no SUS. “Vamos pressionar o governo federal para que a vacina da meningocócica B seja incluída no calendário oficial. Eu acredito que vacinas são um pacto coletivo que salvam vidas”, finalizam.
Veja o vídeo sobre a campanha na íntegra: