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A verdade sobre a energia: por que os seus 40 anos parecem mais difíceis do que os seus 20

Entenda as mudanças biológicas que ocorrem nesse período e por que não é preciso temer a chegada dos 60

17 fev 2026 - 10h11
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É comum pensar que tínhamos mais energia aos 20 anos. Podíamos trabalhar até tarde, sair à noite, dormir mal e ainda nos sentir capazes no dia seguinte. Aos 40 anos, essa facilidade muitas vezes já não existe. A fadiga parece mais difícil de superar. É tentador assumir que isso é simplesmente o processo de envelhecimento — um declínio irreversível.

É verdade que os 40 anos costumam ser uma década exaustiva, não porque estamos velhos, mas porque várias pequenas mudanças biológicas convergem exatamente nesta fase em que as exigências da vida costumam atingir o pico. Porém, de forma otimista, não há razão para supor que a energia continua a diminuir da mesma forma até os 60 anos.

Os energéticos 20 anos

No início da idade adulta, vários sistemas atingem o seu pico simultaneamente.

A massa muscular está no seu nível mais alto, mesmo sem exercícios deliberados. Como tecido metabolicamente ativo, o músculo ajuda a regular o açúcar no sangue e reduz o esforço necessário para as tarefas diárias. Pesquisas mostram que os músculos esqueléticos são metabolicamente ativos mesmo em repouso e contribuem substancialmente para a taxa metabólica basal (a energia que seu corpo usa apenas para mantê-lo vivo quando você está em repouso). Quando você tem mais músculos, tudo custa menos energia.

No nível celular, as mitocôndrias — estruturas que convertem alimentos em energia utilizável — são mais numerosas e eficientes. Elas produzem energia com menos resíduos e menos subprodutos inflamatórios.

O sono também é mais profundo. Mesmo quando o sono é mais curto, o cérebro produz mais sono de ondas lentas, a fase mais fortemente ligada à restauração física.

Os ritmos hormonais também são mais estáveis. O cortisol, frequentemente descrito como o hormônio do estresse do corpo, a melatonina, o hormônio do crescimento e os hormônios sexuais seguem padrões diários previsíveis, tornando a energia mais confiável ao longo do dia.

Em termos simples, a energia na casa dos 20 anos é abundante e tolerante. Você pode maltratá-la e ainda assim se safar.

Os exaustivos 40 anos

Na meia-idade, nenhum desses sistemas entrou em colapso, mas pequenas mudanças começam a fazer diferença.

A massa muscular começa a diminuir a partir dos 30 anos, a menos que você pratique exercícios para mantê-la. Essa é uma dica importante: faça treinos de força. A perda de massa muscular é gradual, mas seus efeitos não são. Menos músculos significam que os movimentos diários exigem mais energia, mesmo que você não perceba isso conscientemente.

As mitocôndrias ainda produzem energia, mas com menos eficiência. Na casa dos 20 anos, a falta de sono ou o estresse podem ser compensados. Na casa dos 40, a ineficiência fica evidente. A recuperação se torna mais "cara".

O sono também muda. Muitas pessoas ainda dormem horas suficientes, mas o sono é fragmentado. Menos sono profundo significa menos reparação. A fadiga parece cumulativa, em vez de episódica.

Os hormônios não desaparecem na meia-idade - eles flutuam, principalmente nas mulheres. A variabilidade, e não a deficiência, perturba a regulação da temperatura, os horários de sono e os ritmos energéticos. O corpo lida melhor com níveis baixos do que com níveis imprevisíveis.

Depois, há o cérebro. A meia-idade é um período de carga cognitiva e emocional máxima: liderança, responsabilidade, vigilância e cuidados. O córtex pré-frontal — responsável pelo planejamento, tomada de decisões e inibição — trabalha mais para obter o mesmo resultado. A multitarefa mental consome energia de forma tão eficaz quanto o trabalho físico.

É por isso que os 40 anos parecem tão difíceis. A eficiência biológica começa a mudar exatamente no momento em que a demanda é maior.

Os otimistas 60 anos

A velhice é frequentemente imaginada como uma continuação do declínio da meia-idade; no entanto, muitas pessoas relatam algo diferente.

Os sistemas hormonais geralmente se estabilizam após períodos de transição. Os papéis na vida podem se simplificar. A carga cognitiva pode diminuir. A experiência substitui a tomada de decisões ativa e constante.

O sono não piora automaticamente com a idade. Quando o estresse é menor e as rotinas são protegidas, a eficiência do sono pode melhorar, mesmo que o tempo total de sono seja menor.

Crucialmente, os músculos e as mitocôndrias ainda se adaptam surpreendentemente bem na terceira idade. O treinamento de força em pessoas na faixa dos 60, 70 anos e acima disso pode restaurar a força, melhorar a saúde metabólica e aumentar a energia subjetiva em poucos meses.

Isso não significa que a velhice traga energia ilimitada, mas muitas vezes traz outra coisa: previsibilidade.

Boas notícias?

Ao longo da idade adulta, a energia muda de caráter, em vez de simplesmente diminuir. O erro que cometemos é supor que sentir-se cansado na meia-idade reflete uma falha pessoal ou que marca o início de um declínio inevitável. Anatomicamente, não é nenhuma das duas coisas.

A fadiga da meia-idade é melhor compreendida como um desequilíbrio entre a biologia e a demanda: pequenas mudanças na eficiência que ocorrem precisamente no momento em que as cargas cognitivas, emocionais e práticas estão no auge.

Uma mensagem de esperança: não podemos recuperar nossos 20 anos de idade, mas a energia na terceira idade continua altamente modificável e o cansaço tão característico dos 40 anos não é o fim da história. A fadiga nesta fase não é um aviso de declínio inevitável, mas um sinal de que as regras mudaram.

Este conteúdo foi publicado originalmente em The Conversation. Para ler o texto original, .

Estadão
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