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Ritual de purificação de 2 mil anos é revelado em Jerusalém

Descoberta arqueológica sob o Muro das Lamentações oferece um vislumbre raro da vida cotidiana e espiritual antes da queda do Segundo Templo

4 jan 2026 - 12h12
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Durante escavações preventivas sob a praça do Muro das Lamentações, em Jerusalém, equipes de arqueólogos localizaram um mikveh. Trata-se de uma espécie de banheira, ou um reservatório utilizado para banhos ritualísticos de purificação. O que torna o achado ainda mais impactante é o fato de terem encontrado a estrutura selada sob uma camada de cinzas. Está datada com o ano 70 d.C., período marcado pela invasão romana e o incêndio da cidade.

Banheira para ritual de purificação em Jerusalém
Banheira para ritual de purificação em Jerusalém
Foto: Emil Aljam, Ari Levy, Autoridade de Antiguidades de Israel. / Bons Fluidos

De acordo com os relatórios da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA), a banheira ritualística foi esculpida diretamente na rocha local. Tem dimensões precisas de pouco mais de 3 metros de comprimento e quase 2 metros de profundidade. Além disso, a estrutura conta com degraus preservados que permitiam o mergulho total do corpo.

"Deve-se lembrar que Jerusalém era uma cidade santuário. Como tal, muitos aspectos da vida cotidiana foram adaptados a esse fato, e isso se expressa, em particular, na extrema rigidez dos moradores da cidade e da região circundante em relação às leis de impureza e pureza", afirma Ari Levy, diretor das escavações em nome da IAA, em comunicado.

Ritual de purificação em Jerusalém: qual o significado?

O ritual de purificação é uma prática essencial para a pureza espiritual no judaísmo. Segundo estudiosos, eram para judeus que viviam na área e aos peregrinos que visitavam o Templo.

"A descoberta do banho de purificação sob a Praça do Muro das Lamentações reforça a compreensão de quão interligadas estavam a vida religiosa e a vida cotidiana em Jerusalém durante os templos do Templo (...). Além disso, reforça a importância da continuidade das pesquisas arqueológicas em Jerusalém", diz o Ministro de Patrimônio de Israel, Amichai Eliyahu.

A descoberta em Jerusalém transportou historiadores e devotos de volta ao século I. No interior do reservatório, sob os detritos que testemunharam o fim da era do Segundo Templo, pesquisadores recuperaram  diversos artefatos de pedra e fragmentos de cerâmica. Esses itens eram de uso comum entre a população judaica da época e reforçam a importância daquela área como um centro vibrante de atividade religiosa e social.

Geograficamente, o ponto da escavação é estratégico: situa-se entre o que outrora foram a Grande Ponte e o Arco de Robinson, duas das principais vias de acesso ao santuário na antiguidade. Por fim, essa não é a primeira vez que estudiosos descobrem segredos nesta região. Anteriormente, descobriram e catalogaram outros vasos e objetos associados aos ritos de purificação, confirmando que a vizinhança do templo funcionava como uma verdadeira "cidade-santuário" dedicada à preservação das tradições ancestrais.

Veja detalhes das escavações:

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