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Precisa mesmo operar? Cirurgião explica por que, às vezes, esperar é a melhor decisão

Quando a cirurgia é necessária? Um caso real mostra por que, em alguns pacientes, a melhor decisão pode ser não operar imediatamente.

13 jul 2026 - 07h00
(atualizado às 07h01)
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Há algum tempo, uma paciente chegou ao hospital com um quadro que preocupava. O abdômen estava distendido, o intestino não funcionava como deveria e os sinais levantavam a suspeita de uma condição que poderia exigir uma cirurgia.

Precisa mesmo operar? Cirurgião explica por que, às vezes, esperar é a melhor decisão
Precisa mesmo operar? Cirurgião explica por que, às vezes, esperar é a melhor decisão
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

Quem recebe uma notícia assim normalmente imagina que o próximo passo será o centro cirúrgico.

Mas não foi o que aconteceu.

Depois de quatro dias de internação, essa paciente recebeu alta sem precisar ser operada.

Uma pergunta costuma surgir diante de situações como essa: como o médico sabe que chegou, de fato, a hora de operar?

A resposta nem sempre é tão simples quanto parece.

A primeira impressão nem sempre conta toda a história

No caso dessa paciente, a suspeita inicial era de uma obstrução intestinal, uma condição que pode exigir cirurgia de urgência.

Mas, à medida que os exames foram analisados e a evolução clínica acompanhada de perto, ficou claro que a causa era outra.

Ela apresentava uma enterite, uma inflamação do intestino delgado que deixou o órgão funcionando mais lentamente e provocou um bloqueio temporário da passagem do conteúdo intestinal.

À primeira vista, o quadro realmente chamava a atenção para uma possível cirurgia.

Mas a medicina ensina uma lição importante: a primeira impressão nem sempre conta toda a história.

Foi preciso ter paciência.

Observar.

Reavaliar.

Acompanhar a evolução da paciente.

Com o tratamento clínico, ela começou a melhorar e a cirurgia deixou de ser necessária.

Há uma frase que resume bem esse desafio: um médico passa alguns meses aprendendo a operar, alguns anos aprendendo quando indicar uma cirurgia e uma vida inteira aprendendo quando não indicar uma cirurgia.

Pode parecer contraditório, principalmente quando essa frase vem de um cirurgião. Mas ela traduz uma realidade da profissão.

Nem toda situação que parece cirúrgica precisa ser resolvida imediatamente no centro cirúrgico. Quando existe segurança para isso, acompanhar a evolução do paciente também faz parte do tratamento.

Esperar, nesses casos, não significa indecisão nem falta de atitude. Significa tomar uma decisão responsável, baseada na avaliação clínica, na resposta ao tratamento e no acompanhamento contínuo do paciente.

Da mesma forma que algumas cirurgias não podem esperar, existem situações em que evitar uma operação desnecessária representa o melhor resultado.

Encontrar esse equilíbrio exige conhecimento, experiência, responsabilidade e serenidade.

Compreender a decisão também faz parte do cuidado

Receber a indicação de uma cirurgia costuma ser um momento de ansiedade para pacientes e familiares. É natural que surjam dúvidas e preocupações.

Por isso, compreender por que uma cirurgia está sendo indicada — ou por que, em determinadas situações, ainda é possível acompanhar a evolução antes de tomar essa decisão — também faz parte do cuidado.

Quando o paciente e a família entendem os motivos da conduta médica, o tratamento tende a ser vivido com mais segurança e confiança.

Foi o que aconteceu nesse caso. Houve tempo para explicar a situação, acompanhar a evolução da paciente e tomar a decisão com responsabilidade. Felizmente, o tratamento clínico foi suficiente e a cirurgia não foi necessária.

Isso, naturalmente, não significa que esperar seja sempre o melhor caminho. Existem situações em que operar imediatamente é fundamental e pode evitar complicações graves ou até salvar vidas.

O maior desafio está justamente em reconhecer cada cenário.

Na cirurgia, maturidade não significa operar mais. Significa saber identificar o momento certo de operar e, quando isso representa o melhor para o paciente, também ter serenidade para não operar.

No fim das contas, o compromisso de um cirurgião nunca deve ser simplesmente realizar uma cirurgia.

O compromisso deve ser sempre oferecer a cada paciente o tratamento mais adequado, no momento certo.

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Fonte: SaúdeLAB
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