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Por que mosquitos são mais perigosos que leões

14 mai 2026 - 09h11
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Mosquitos são responsáveis por transmitir doenças que causam 760 mil mortes por ano. Diante disso, cientistas avaliam os prós e contras do simples extermínio de algumas espécies.Os animais mais letais do planeta não são os leões, nem as aranhas, nem as serpentes: são os mosquitos. Eles sugam sangue, provocam coceiras e transmitem doenças a ponto de alguns defenderem sua erradicação.

Os mosquitos causam cerca de 760 mil mortes por ano, segundo a plataforma Our World in Data. Eles são responsáveis por aproximadamente 17% das doenças infecciosas, como malária, dengue, febre amarela, chikungunya, zika ou oropouche, e superam com folga os seres humanos, que, segundo o site, ocupam o segundo lugar em letalidade.

O aquecimento climático e verões cada vez mais longos favorecem esses insetos, o que gera temor de futuras crises sanitárias. Diante dessa situação, será que a humanidade não poderia erradicar os mosquitos? E, se o fizesse, qual seria o impacto no meio ambiente?

Cinco espécies respondem por 95% das infecções

Na verdade, não seria necessário erradicar todos os mosquitos. Das cerca de 3.500 espécies conhecidas, apenas cerca de cem picam humanos, e apenas cinco são responsáveis por cerca de 95% das infecções, afirma a bióloga Hilary Ranson, da Liverpool School of Tropical Medicine, à agência de notícias AFP.

Essas cinco espécies evoluíram para estar estreitamente ligadas aos seres humanos e se alimentam e se reproduzem perto deles, explica. Segundo ela, a erradicação delas seria tolerável diante dos danos que causam e não teria um impacto significativo no ecossistema como um todo. Mosquitos geneticamente semelhantes, mas menos letais, logo ocupariam esse nicho ecológico, garante.

Embora concorde em termos gerais, o entomólogo Dan Peach, da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, considera que são necessárias mais informações para comparar a opção do extermínio com outras. Segundo ele, não se sabe o suficiente sobre a maioria das espécies de mosquitos para afirmar com certeza o que seria melhor.

Ele lembra que os mosquitos também transportam nutrientes de seus habitats larvais aquáticos para outras áreas e servem de alimento para insetos, peixes e outros animais. E ainda polinizam plantas, mas esse fenômeno ainda não é bem compreendido e pode variar conforme a espécie.

Ranson pontua que o debate ético sobre eliminar espécies é legítimo e lembra que os seres humanos já exterminam muitas involuntariamente.

Estratégias promissoras

Uma das biotecnologias para eliminar esses insetos seria a genética direcionada, que consiste em modificar um cromossomo para transmitir uma característica a toda a descendência. Por exemplo, um grupo de cientistas modificou geneticamente fêmeas do mosquito Anopheles gambiae, transmissor da malária, tornando-as estéreis, e assim conseguiu erradicar, em laboratório, uma população em poucas gerações.

A iniciativa Target Malaria, financiada pela Fundação Gates, ainda não testou essa tecnologia na África, mas prevê realizar um ensaio em 2030 num país onde a doença seja endêmica.

Outra estratégia promissora consiste em infectar mosquitos Aedes aegypti, vetores da dengue, com a bactéria Wolbachia, que bloqueia a circulação do vírus. Isso faz a população diminuir ou, ao menos, reduz sua capacidade de transmitir a doença.

Um estudo publicado em 2025 mostrou que a liberação de mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia em Niterói reduziu em 89% os casos de dengue. Mais de 16 milhões de pessoas em 15 países já foram protegidas por esses mosquitos, "sem qualquer consequência negativa", diz o fundador do World Mosquito Program, Scott O'Neill.

Um outro projeto tenta usar a genética direcionada para impedir que as fêmeas de Anopheles gambiae transmitam a malária. Uma pesquisa de laboratório publicado na revista Nature no fim de 2025 sugere que os cientistas estão se aproximando desse objetivo. Até 2030 deve começar um estudo de campo.

Apesar do avanço das pesquisas nesta área, Ranson não acredita numa "solução milagrosa" e defende uma "solução mais abrangente" contra essas infecções. Para ela, isso significaria oferecer às populações dos países afetados melhor acesso a diagnósticos, tratamentos e vacinas mais eficazes.

as/cn (AFP)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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