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Conheça o Aye-aye, o primata mais estranho do mundo e suas lendas

Aye-aye: o lêmure mais estranho do mundo, com dedos longos, lendas sombrias em Madagascar e ameaça de extinção crescente

17 fev 2026 - 06h32
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Entre os animais pouco conhecidos do planeta, o aye-aye costuma chamar atenção pela aparência incomum e pelos hábitos noturnos. Essa espécie de primata vive principalmente em Madagascar e passa a maior parte da vida nas árvores, longe do contato direto com humanos. O jeito de se movimentar, o olhar atento e os sons emitidos à noite fazem com que seja frequentemente descrito como um dos animais mais estranhos do mundo.

O animal é considerado um lêmure, ou seja, um tipo de primata típico de Madagascar. Apesar disso, sua fisionomia mistura características que lembram vários animais ao mesmo tempo. O corpo coberto por pelos escuros, os dentes afiados e os dedos extremamente alongados compõem uma combinação que intriga pesquisadores, moradores locais e turistas.

O que é e por que ele parece tão diferente?

O aye-aye (nome científico Daubentonia madagascariensis) é um primata noturno que pertence ao grupo dos lêmures. Mede, em média, entre 30 e 40 centímetros de corpo, com uma cauda quase do mesmo tamanho ou ainda maior, bastante peluda. Os olhos grandes e alaranjados ajudam na visão em ambientes com pouca luz, enquanto as orelhas grandes, semelhantes às de um morcego, garantem audição apurada.

Uma das marcas mais conhecidas do animal é o terceiro dedo extremamente fino e alongado das mãos. Esse dedo funciona como uma espécie de "ferramenta" natural: o animal bate com as mãos nos troncos e galhos, escuta o som produzido e, quando identifica cavidades com larvas ou insetos, usa o dedo fino para pescá-los. Esse método de alimentação lembra o comportamento de alguns pica-paus, mas, em vez de um bico, o aye-aye utiliza as mãos.

Endêmico de Madagascar, o aye-aye usa o dedo fino como ferramenta para “pescar” larvas nos troncos, desempenhando papel importante no equilíbrio das florestas – depositphotos.com / volare2004
Endêmico de Madagascar, o aye-aye usa o dedo fino como ferramenta para “pescar” larvas nos troncos, desempenhando papel importante no equilíbrio das florestas – depositphotos.com / volare2004
Foto: Giro 10

Aye-aye se parece com qual animal?

Quando alguém vê um aye-aye pela primeira vez, geralmente o compara a um gato magro e desgrenhado, misturado com características de morcego e até de roedor. O rosto lembra um pouco o de um gato, por causa dos olhos brilhantes e do focinho curto. As orelhas grandes e finas, porém, lembram as de um morcego, enquanto os dentes incisivos em crescimento constante se assemelham aos de ratos e outros roedores.

Essa combinação de traços físicos reforça a fama de "animal estranho". Para quem está acostumado a ver lêmures de cauda anelada ou outras espécies mais populares, o aye-aye parece pertencer a outro grupo completamente diferente. Na classificação científica, entretanto, continua sendo um lêmure especializado, adaptado a um modo único de encontrar alimento nas florestas de Madagascar.

Por que é rodeado de lendas e medos?

Em várias regiões de Madagascar, está envolvido em lendas locais que ajudam a explicar por que essa espécie assusta muitas pessoas. Em algumas tradições, acredita-se que o animal seja um mensageiro de mau agouro ou até um sinal de morte próxima. Há relatos de comunidades que interpretam o aparecimento do aye-aye perto de casas como um presságio negativo, o que leva, em certos casos, à perseguição e à morte do animal.

Uma das histórias mais repetidas afirma que, se o animal apontar o dedo longo e fino para alguém, essa pessoa estaria condenada à má sorte ou à doença. Outra lenda diz que a espécie entraria nas casas à noite para "roubar a alma" de quem dorme. Embora essas narrativas façam parte da cultura e da religiosidade local, elas acabam influenciando a forma como muita gente reage ao encontrar o primata na floresta ou em áreas rurais.

O comportamento noturno contribui para esse clima de mistério. Sai para se alimentar quando está escuro, se movimenta de forma silenciosa pelos galhos e tem olhos que refletem a luz, o que pode causar estranhamento quando um feixe de lanterna ou fogo o atinge. A combinação entre aparência, hábitos e mitos tradicionais ajuda a explicar por que o animal ainda desperta medo em parte da população.

Cercado por lendas e considerado mau presságio em algumas comunidades, o aye-aye é classificado como “Quase Ameaçado” pela International Union for Conservation of Nature e enfrenta riscos ligados ao desmatamento e à perseguição – depositphotos.com / imphilip
Cercado por lendas e considerado mau presságio em algumas comunidades, o aye-aye é classificado como “Quase Ameaçado” pela International Union for Conservation of Nature e enfrenta riscos ligados ao desmatamento e à perseguição – depositphotos.com / imphilip
Foto: Giro 10

O aye-aye está em extinção? Qual é a situação atual?

De acordo com avaliações recentes da Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), é classificado como "Quase Ameaçado", com populações em declínio. Isso significa que a espécie ainda não está no nível mais crítico de risco, mas apresenta tendência de redução que pode levá-la a um status mais grave no futuro, caso não haja proteção adequada.

Entre os principais fatores de ameaça estão:

  • Desmatamento das florestas de Madagascar para agricultura, extração de madeira e expansão de áreas rurais;
  • Perseguição direta, motivada por lendas e crenças que associam o aye-aye à má sorte;
  • Fragmentação de habitat, que isola grupos de animais e dificulta a reprodução;
  • Caça ocasional, tanto por medo quanto por conflitos com plantações.

Em resposta a esse cenário, projetos de conservação em Madagascar vêm tentando reduzir o desmatamento e estimular a proteção de áreas naturais. Algumas iniciativas atuam em parceria com comunidades locais para desmistificar o aye-aye, explicando que se trata de um controlador natural de insetos e um componente importante da biodiversidade. A criação de unidades de conservação e programas de monitoramento também busca garantir que esse primata peculiar continue existindo nas próximas décadas.

Por que o animal é importante para a biodiversidade?

Além da fama de animal estranho, tem um papel ecológico relevante. Ao se alimentar de larvas e insetos que vivem em troncos e galhos, ajuda a controlar populações de invertebrados nas florestas. Também consome frutas e sementes, contribuindo para a dispersão de plantas nativas. Como espécie nativa e exclusiva de Madagascar, sua presença indica a saúde de determinados tipos de floresta.

Pesquisadores destacam que o estudo amplia o entendimento sobre a evolução dos primatas e das adaptações a ambientes específicos. O dedo alongado, o crânio diferenciado e a audição sensível são exemplos de como uma espécie pode se especializar para ocupar um nicho ecológico pouco explorado por outros animais. Preservar o aye-aye, nesse contexto, significa também manter um capítulo singular da história natural do planeta.

Assim, o animal segue ocupando um lugar único entre os animais mais curiosos do mundo: lembra um gato misturado com morcego e roedor, inspira lendas que geram medo em algumas comunidades e, ao mesmo tempo, desempenha funções importantes na floresta. A forma como a sociedade lida com esse primata nos próximos anos pode definir se ele continuará apenas como um personagem misterioso das noites de Madagascar ou como um símbolo de convivência mais cuidadosa com a vida silvestre.

Giro 10
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