OMS faz alerta sobre baixa vacinação de gestantes e proteção dos recém-nascidos
Imunização durante a gestação ajuda a proteger a mãe e também transfere anticorpos ao bebê, mas cobertura ainda preocupa nas Américas
A OPAS/OMS alerta para a baixa cobertura vacinal entre gestantes nas Américas, ressaltando que a imunização materna é crucial para proteger os recém-nascidos nos primeiros meses de vida via transferência de anticorpos. Como metade dos óbitos infantis ocorre no período neonatal, vacinas contra influenza, coqueluche e VSR previnem infecções letais. A entidade defende a ampliação do acesso, o combate à desinformação e a integração dos registros de vacinas aos prontuários do pré-natal.
Durante a gravidez, a vacinação não protege apenas a mulher. Os anticorpos produzidos pelas gestantes também podem chegar ao bebê e oferecer uma importante defesa nos primeiros meses de vida, período em que o recém-nascido ainda não recebeu todas as vacinas previstas para a infância.
Apesar dessa proteção, a cobertura vacinal entre gestantes ainda é considerada insuficiente em boa parte das Américas. O alerta é da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), que chama atenção para a necessidade de ampliar o acesso aos imunizantes e melhorar a informação oferecida às futuras mães.
A preocupação ganha ainda mais importância quando se observa a vulnerabilidade dos recém-nascidos. Segundo a OPAS, aproximadamente metade das mortes de crianças no mundo acontece durante os primeiros 28 dias após o nascimento, fase conhecida como período neonatal. Parte desses óbitos está relacionada a infecções que podem ser prevenidas por meio da imunização materna.
Entre as doenças contra as quais a vacinação durante a gestação pode oferecer proteção estão coqueluche, tétano neonatal e infecções provocadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR).
Como a vacina tomada pela mãe protege o bebê?
A imunização durante a gravidez pode funcionar como uma espécie de proteção em duas etapas. Primeiro, ajuda a reduzir o risco de determinadas infecções na própria gestante e suas possíveis complicações durante esse período.
Ao mesmo tempo, anticorpos maternos conseguem atravessar a placenta e chegar ao feto. Assim, depois do nascimento, o bebê já conta com uma proteção passiva contra algumas doenças justamente em uma fase na qual seu sistema imunológico ainda está amadurecendo e seu calendário de vacinação está apenas começando. Essa transferência de anticorpos é um dos motivos pelos quais determinadas vacinas são recomendadas em momentos específicos da gestação.
Quais vacinas tomar durante a gravidez?
As recomendações não são exatamente iguais em todos os países. Nas Américas, vacinas contra influenza, coqueluche e COVID-19 estão entre as utilizadas durante a gestação. A imunização materna contra o VSR também vem sendo incorporada.
Existem ainda situações específicas nas quais outros imunizantes podem ser considerados, incluindo aqueles contra hepatites A e B, febre amarela, poliomielite, raiva e doença meningocócica.
Isso não significa, porém, que toda gestante deva receber todas essas vacinas. A indicação depende do imunizante, do histórico vacinal, do momento da gestação, do risco de exposição e das recomendações adotadas pelas autoridades de saúde de cada país. Por isso, a orientação deve ser individualizada por um profissional de saúde.
Cobertura vacinal ainda preocupa nas Américas
Dados apresentados pela OPAS mostram que ainda existe espaço para ampliar a proteção das gestantes. Em 2025, entre os países das Américas que forneceram informações, metade registrou cobertura de 61% para a vacina contra influenza durante a gravidez.
No caso dos imunizantes contra tétano, difteria e coqueluche, a cobertura informada chegou a 77,3%. "Esses números refletem diferenças significativas entre os países e, em alguns casos, limitações na disponibilidade de dados", aponta a instituição em comunicado.
Além de aumentar a vacinação, a OPAS defende melhorias na maneira como essas informações são registradas e acompanhadas pelos sistemas de saúde. A integração entre os dados de vacinação e os prontuários médicos, por exemplo, pode facilitar a identificação das doses que ainda precisam ser administradas durante o pré-natal.
"A falta de integração entre registros de vacinação e prontuários clínicos pode gerar oportunidades perdidas de vacinação, dificuldades para acompanhar os esquemas vacinais e limitações para avaliar os resultados dos programas", frisa a OPAS.
Informação também faz parte da proteção
Outro ponto destacado pela organização é a necessidade de oferecer às gestantes informações acessíveis sobre os imunizantes recomendados, incluindo os motivos para a indicação, o período adequado para recebê-los e os benefícios esperados.
Para o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, facilitar o acesso à informação e às vacinas é uma estratégia importante para proteger mães e bebês. "A vacinação durante a gestação é uma das intervenções de saúde pública mais seguras e custo-efetivas. Não apenas protege a gestante, mas oferece ao recém-nascido uma proteção fundamental durante seus primeiros meses de vida", afirma.
"O acesso oportuno às vacinas recomendadas, acompanhado de informações confiáveis, claras e compreensíveis, é essencial para ampliar essa proteção e contribuir para um melhor início de vida", acrescenta.
Por isso, o acompanhamento pré-natal também é uma oportunidade para conferir a carteira de vacinação e esclarecer dúvidas. Como algumas recomendações dependem do período da gestação e das condições individuais de cada mulher, a decisão sobre quais doses receber e quando deve seguir as orientações das autoridades de saúde e da equipe responsável pelo pré-natal.
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