O trauma não está só na sua mente: estudo revela como o corpo guarda o medo e o papel da yoga na cura
Pesquisa mostra que o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) mantém o sistema nervoso em alerta constante
Quando pensamos em trauma, ansiedade ou Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), a primeira associação quase sempre está ligada a pensamentos invasivos, memórias dolorosas e desequilíbrio emocional. Contudo, a ciência atual vem demonstrando de forma cada vez mais clara que o trauma psicológico deixa marcas profundas na nossa biologia.
Um estudo revolucionário publicado no conceituado 'Journal of Clinical Psychiatry' jogou luz sobre essa conexão ao comparar os efeitos da yoga com a terapia cognitiva tradicional no tratamento de pessoas traumatizadas.
A grande virada dessa pesquisa foi comprovar que o trauma não impacta apenas a mente. Quem passou por uma situação limite frequentemente desenvolve um sistema nervoso em estado constante de alerta. Em suma: a pessoa racionalmente sabe que está segura, mas o corpo ainda não aprendeu isso.
O corpo em estado de trauma
Após uma experiência traumática, o organismo continua reagindo como se o perigo estivesse acontecendo no momento presente. Esse estado de hipervigilância se manifesta por meio de sintomas físicos claros:
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Dificuldade extrema de relaxar;
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Sensação constante de ameaça invisível.
As emoções não acontecem de forma isolada na nossa cabeça. Pelo contrário, elas alteram o tempo todo a frequência cardíaca, o sono, a digestão e o tônus muscular. O cérebro conversa com o corpo o tempo inteiro e, por isso, o corpo se transforma no cenário principal do estresse crônico.
Por que a yoga ganha espaço na saúde mental?
É justamente nessa lacuna — onde a lógica racional não consegue acalmar o instinto de sobrevivência — que as práticas corporais começam a ganhar relevância dentro da medicina e da psicologia. A yoga, a respiração guiada e os exercícios de consciência corporal atuam diretamente na regulação do sistema nervoso autônomo. Na prática, essas atividades reduzem a ativação fisiológica do estresse e aumentam a percepção de presença. Traduzindo: o corpo precisa reaprender o que é segurança através do movimento e do controle físico.
Talvez uma das maiores transformações da saúde mental atual seja justamente parar de tratar o corpo como um cenário secundário. Afinal, existem bloqueios que o paciente já entendeu perfeitamente na teoria, mas que o sistema nervoso ainda não conseguiu processar e sentir.
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Um tratamento integrado
Compreender que o trauma e a ansiedade não vivem apenas nos pensamentos se faz essencial para buscar as ferramentas certas de cura. Nesse sentido, os especialistas reforçam que as práticas corporais vêm sendo estudadas como um complemento importante no cuidado psicológico. Não se trata, de forma alguma, de substituir as sessões de psicoterapia tradicionais, mas sim de somar forças através de um tratamento muito mais integrado. Afinal, a saúde se torna completa quando o processo de cura deixa de ser focado exclusivamente na mente e passa a envolver também a respiração, o alívio das tensões e a regulação física.
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