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O risco das pequenas distrações: como quedas domésticas ameaçam a independência e a vida dos idosos

Especialistas pontuam os diversos fatores que podem ocasionar acidentes e quais medidas são necessárias para evitar futuras ocorrências

1 jul 2026 - 04h59
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Idosos
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Foto: Jenya Shportiak / Unsplash

Manter a qualidade de vida na terceira idade vai muito além de uma boa alimentação. De acordo com o Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), cerca de 3,5 milhões de idosos correm alto risco de quedas no país — um evento que, longe de ser um acidente banal, representa um perigo letal e pode desencadear uma série de prejuízos irremediáveis à saúde.

Quem convive com idosos pode até pensar que acidentes são consequência comum do envelhecimento. Mas, na verdade, quedas representam um perigo letal contra a vida dos idosos, uma vez que esse grupo possui músculos e ossos mais frágeis. E nem sempre o resultado desse tipo de ocorrência é superficial.

“As consequências mais comuns são as fraturas, especialmente as fraturas de quadril – quer dizer, colo do fêmur e região transtrocantérica, além de punho, ombro e coluna. Outra preocupação importante é o traumatismo craniano, principalmente em idosos que utilizam anticoagulantes”, explica outro especialista, o Doutor Rodrigo Calil T. Abdo, ortopedista do Hcor.

As fraturas de quadril e fêmur são aquelas que, geralmente, estão mais associadas à necessidade de próteses totais ou parciais, a depender do tipo de fratura. Em idade avançada, a colocação de próteses pode influenciar na independência das atividades, uma vez que a reabilitação é lenta. 

Ao Terra, o geriatra do Hospital Santa Catarina Vinícius Altomani afirma que a probabilidade de desenvolvimento de diferentes quadros clínicos após uma queda é alta. 

“Um idoso após queda, em especial após fratura, apresenta redução de massa muscular, maior dependência para cuidados, maior taxa de conversão para demência de Alzheimer, uma verdadeira ‘bola de neve’ de problemas que se retroalimentam”, explicou. 

Existe também o perigo de letalidade por quedas entre idosos. Segundo o geriatra, a maioria das mortes relacionadas a quedas se devem a complicações da redução de mobilidade, como pneumonias aspirativas e tromboses. 

Ainda entre os mesmos dados publicados no Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros, também consta que 25,1% dos idosos que vivem em áreas urbanas sofreram ao menos uma queda no período de um ano. 

Sérgio Setsuo Maeda, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional de São Paulo (SBEM-SP), pontua que esse número tem relação com o sedentarismo em cidades urbanizadas.

“Nas cidades, as pessoas costumam se exercitar bem menos. E o sedentarismo abre espaço para o enfraquecimento dos músculos. Esse fato, combinado aos quadros associados à velhice, tornam a possibilidade de quedas ainda maior”, diz. 

Casos de artrose de joelho e quadril, sarcopenia, a obesidade, doenças neurológicas como Parkinson, demências e sequelas de AVC, além de alterações visuais e neuropatias periféricas são como comorbidades que podem influenciar em ocorrências assim. 

Para Datti, a existência de calçadas mal projetadas, ruas com buracos e desníveis dificultam a acessibilidade. Ainda assim, ele salienta: a maioria dos casos costuma acontecer dentro do ambiente domiciliar.

O banheiro costuma ser o principal local onde quedas ocorrem. Isso porque pisos molhados, tapetes sem aderência ao chão e ausência de barras de apoio formam o ambiente propício para acidentes. 

Escolher pisos cerâmicos com acabamento não polido, instalação de banco retrátil próximo ao chuveiro, presença de tapetes antiderrapantes na saída do chuveiro e presença de barras de apoio próximas ao vaso sanitário e nas laterais do chuveiro são algumas das várias indicações do projeto Casa Segura, iniciativa da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO). 

Mesmo assim, são apenas uma parte de todo o controle dos fatores de risco. A constância de atividades físicas. 

“É uma das principais ferramentas de prevenção”, afirma Calil. “Os exercícios de fortalecimento muscular têm papel fundamental, pois ajudam a combater a sarcopenia, que é a perda de massa e força muscular relacionada ao envelhecimento. Quanto mais ativo e fortalecido o idoso estiver, menor tende a ser o risco de quedas e suas complicações”.

Ainda, os especialistas pontuam que o acompanhamento médico regular é outro fator essencial para evitar futuros acidentes. Isso porque certos medicamentos podem influenciar no senso de direção e equilíbrio do corpo. O geriatra, doutor Altomani, ressalta: diversas medicações, incluindo sedativos, podem aumentar o risco de quedas.

Fonte: Portal Terra
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