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Mulheres sentem dor com maior frequência do que homens, aponta estudo

8 out 2026 - 16h42
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Resumo
Um estudo global com 6,1 milhões de pessoas revelou que as mulheres sentem mais dor do que os homens em todas as idades e áreas do corpo, devido a fatores biológicos, doenças específicas e sobrecarga social. A pesquisa constatou ainda que a dor não cresce de forma contínua com o envelhecimento, atingindo picos na meia-idade antes de recuar em várias regiões anatômicas. Idosos em nações de menor IDH sofrem mais com o problema, que é agravado por obesidade, tabagismo e vulnerabilidade social.

Pesquisa se baseou em dados de mais de 6,1 milhões de pessoas em 118 países. Sofrimento, porém, nem sempre aumenta com o passar dos anos.As mulheres sentem dor com mais frequência do que os homens, segundo um estudo baseado em dados de mais de 6,1 milhões de pessoas em 118 países publicado recentemente na revista Nature Medicine.

Os dados, coletados entre os anos de 1990 e 2025, referem-se à dor relatada por pacientes com idades entre 5 e 100 anos em 11 partes do corpo, conforme explicou à agência de notícias EFE Marta Miret, pesquisadora que participou do estudo e é professora do departamento de Psiquiatria da Universidade Autônoma de Madri.

Foram avaliadas dores na cabeça, no rosto, pescoço e ombro, bem como no tórax, abdômen, cotovelo, mão e punho, quadril, joelho, pé e tornozelo.

Os resultados indicam que as mulheres apresentam prevalência de dor maior que os homens em todas as regiões anatômicas analisadas e em todas as fases da vida.

Segundo Miret, as causas disso são "múltiplas". Ela diz que as mulheres costumam sofrer mais de doenças que causam dor e que, tradicionalmente, têm sido pouco estudadas. É o caso da enxaqueca menstrual, endometriose e da doença autoimune artrite reumatoide.

Além disso, "elas costumam assumir uma dupla carga de trabalho e familiar, e cuidar mais dos outros". "Em geral, as mulheres sentem mais dor, têm menos tempo para lidar com esse mal-estare a dor se torna mais crônica", destaca Miret.

A professora frisa ainda que expectativas socioculturais também fazem com que os homens falem menos da dor do que as mulheres.

Dor não aumenta de forma uniforme com a idade

Outra conclusão do estudo é que a dor não aumenta de maneira uniforme com a idade e que os picos mais altos ocorrem antes dos 55 anos.

Os pesquisadores observaram que, em sete dos onze pontos do corpo estudados, a dor atinge um pico na meia-idade e depois diminui. Entre os picos precoces de dor, estão os causados pelas cefaleias, que atingem o pico de prevalência por volta dos 34 anos; e a dor abdominal por volta dos 23 anos. É na meia-idade que a dor facial atinge seu pico, aos 45 anos; a dor no cotovelo, aos 59 anos; e a dor na região do pescoço e ombros, por volta dos 62 anos.

Nas áreas musculoesqueléticas, que vão se deteriorando com o passar do tempo, como costas, quadril ou joelho, o desconforto aumenta progressivamente durante a idade adulta e atinge seu pico por volta dos 75 anos. O desconforto de alta intensidade atinge seu nível máximo por volta dos 50 anos; e o generalizado atinge seu ponto mais alto por volta dos 70 anos, antes de começar a diminuir.

Quanto às diferenças entre países com índices de desenvolvimento distintos, as trajetórias da dor são semelhantes no mundo todo durante a juventude, mas divergem drasticamente a partir dos 65 anos.

Os países com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) registram uma incidência muito maior de dor na terceira idade, em comparação com países de alto IDH.

Os pesquisadores lembram que os principais fatores de risco para a dor são o tabagismo, a obesidade e as más condições econômicas e sociais. Mas como todos esses fatores podem ser modificados, é preciso haver empenho em reduzi-los para evitar o desconforto — que é a principal causa de incapacidade no mundo, depois da depressão, destaca Miret.

br/ra (EFE, ots)

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