Ela sabe tudo sobre a loira gelada que eles adoram
Lika Rodrol
Foi com seu primeiro chefe, o mestre cervejeiro Mathias Reinald, filho de alemães, que a presidente da Associação Brasileira dos Profissionais em Cerveja e Malte, Cilene Sarion, tomou gosto por cerveja. Ela era estagiária de uma grande empresa nacional quando cursava o quarto ano do curso de engenharia de alimentos. "Foi paixão transferida. Ele me apresentou à bebida com isenção de pré-conceitos e então me apaixonei", conta Cilene.
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Aos 36 anos, ela entende mais sobre cerveja do que muitos marmanjos. Cilene também é integrante do comitê internacional do Institute of Brewing & Distilling, na Inglaterra, é mestre cervejeira com graduação na Universidad Politécnica de Madrid - Escuela Superior de Cerveza y Malta, dá consultoria para o setor industrial, é beer sommelier (trabalha com harmonização de cervejas, colabora na elaboração de cartas para restaurantes, faz palestras) e, ainda, é editora da revista Beer Life, na qual faz questão de espalhar a cultura cervejeira.
Mas até chegar a esse ponto, Cilene foi obrigada a engolir muita coisa a seco. "O que me fez seguir adiante foi o desafio. Recebi alguns 'não' e cruzei muitas barreiras que poderiam ter feito com que eu desistisse, mas sou teimosa", diz.
Falar que cervejaria não é lugar de mulher foi apenas uma das frases que ela se acostumou a ouvir e a desprezar ao longo dos anos. "Mas acredito que hoje os homens já enxergam as mulheres de forma diferente".
Os amigos se beneficiam por ter uma perita por perto. "Eles só reclamam porque ensinei que é bom gastar um pouco mais e comprar um produto de qualidade a gastar o que têm em dez ou mais latinhas".
E mais: Cilene deixa claro que é preciso tirar da mente a imagem do mestre cervejeiro. "Logo pensam em alguém com forma de barril. Isso está longe de ser realidade. Eu, por exemplo, adoro me cuidar". É claro que ela se preocupa com a boa forma, mas isso não significa ter que abolir uma boa cerveja - ela não aprova o rótulo de loira gelada! - de seu cardápio. "Adoro e elas estão presentes em todas as festas que eu dou".
Para mostrar que a moça é mesmo fera, o Terra aproveitou o mês da mulher para pedir duas indicações de harmonização de cerveja com pratos que agradem diferentes paladares:
-Para uma saladinha tropical, com mix de folhas, tomate-cereja, maçã verde, manga e mussurela de búfala, a cerveja que ela indica é a do estilo witbier. "Pouca gente conhece, mas ela vai superbem com esse tipo de prato. É refrescante e tem notas cítricas e especiarias".
-Para quem prefere uma massa encorpada como pasta ao pesto, a indicação é uma tripel. "É da escola cervejeira belga, tem estrutura particular, é robusta e mais forte, tem entre 8 e 10% de teor alcoólico, com notas de especiarias e herbais".