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Laser íntimo: quando o tratamento pode ser indicado?

Especialista explica quando o tratamento pode ser indicado

29 set 2026 - 16h51
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Resumo
O laser íntimo engloba tecnologias como CO₂ e Érbium, que estimulam colágeno e melhoram a vascularização da mucosa genital. Indicado para ressecamento, dor na relação e alterações pós-menopausa, seu uso exige avaliação médica rigorosa e personalizada, não sendo uma regra para todas as mulheres. O procedimento costuma ser bem tolerado, mas requer cautela contraindicações como infecções e lesões devem ser descartadas para evitar queimaduras, cicatrizes ou atraso em diagnósticos adequados.

A escolha da tecnologia é com base na queixa, no diagnóstico, no tecido tratado e nos objetivos de cada mulher

O chamado "laser íntimo" ganhou espaço nos consultórios e passou a aparecer associado a diferentes queixas ginecológicas, mas médicos não indicam a tecnologia de forma universal. Para a ginecologista especializada em ginecologia regenerativa e cirurgia íntima, Lívia Saviolo, o profissional não deve recomendar o tratamento simplesmente porque a paciente chegou a determinada idade ou como uma espécie de cuidado obrigatório da saúde íntima.

Foto: Revista Malu

Um dos primeiros pontos é que o "laser íntimo" não representa uma única tecnologia. Existem diferentes tipos de tecnologias e recursos utilizados na região genital, como laser de CO₂, laser de Érbium, radiofrequência íntima ablativa e não ablativa e ultrassom microfocado íntimo. Mesmo entre os lasers existem diferenças importantes: CO₂ e Érbium interagem de maneiras distintas com os tecidos e permitem configurações e parâmetros específicos.

"A escolha da tecnologia é com base na queixa, no diagnóstico, no tecido tratado e nos objetivos do tratamento. Enquanto algumas tecnologias atuam principalmente na mucosa e nas camadas mais superficiais, outras alcançam planos mais profundos e estruturas relacionadas à sustentação", explica a especialista.

Por isso, não existe uma única tecnologia considerada melhor para todas as mulheres ou para todas as queixas. Em determinadas situações, a associação de recursos pode fazer parte do planejamento terapêutico, enquanto em outras a paciente pode se beneficiar de abordagens que não envolvem equipamentos, como hidratantes vaginais, lubrificantes, fisioterapia pélvica, tratamento hormonal local ou sistêmico, mudanças comportamentais ou tratamento de infecções e doenças da vulva.

"Primeiro precisamos entender o que está acontecendo. Depois, construímos um plano individualizado, que pode incluir uma tecnologia isolada, a associação entre tecnologias ou até mesmo não envolver nenhum equipamento", afirma Lívia.

Laser íntimo dói?

Uma das principais dúvidas de quem considera o procedimento é em relação ao desconforto. De acordo com a especialista, a maioria das pacientes tolera bem o laser íntimo, que pode provocar apenas sensação de calor, pequenos estímulos ou uma leve ardência.

A aplicação interna costuma causar pouco desconforto, enquanto a região externa da vulva, por apresentar maior sensibilidade, pode exigir o uso de anestésico tópico. A intensidade da sensação também varia conforme o tipo de laser utilizado, os parâmetros escolhidos, a região tratada e a sensibilidade individual.

Condições como inflamações, infecções, fissuras, ressecamento intenso e doenças dermatológicas da vulva podem aumentar o desconforto, o que reforça a necessidade de uma avaliação antes do procedimento.

"Não existe um único protocolo que sirva para todas as mulheres. Quando existe indicação adequada, conhecimento técnico e escolha correta dos parâmetros, o procedimento tende a ser rápido e bem tolerado", explica.

Quais são os possíveis benefícios?

O laser promove um efeito térmico controlado nos tecidos com o objetivo de estimular a remodelação do colágeno, favorecer a vascularização e melhorar a qualidade da mucosa vaginal e da pele da vulva.

Em pacientes selecionadas, pode ser considerado como parte do tratamento de sintomas como ressecamento, ardor, diminuição da lubrificação, desconforto e dor durante as relações, especialmente quando associados à síndrome geniturinária da menopausa ou a outras situações de queda hormonal.

A tecnologia também pode integrar protocolos voltados à melhora da qualidade, elasticidade e firmeza dos tecidos íntimos. Entretanto, o profissional deve definir o tipo de equipamento e os parâmetros de acordo com a queixa e as características do tecido de cada paciente.

O laser também já foi estudado em relação a algumas queixas urinárias, mas a especialista ressalta que é fundamental identificar o tipo e a intensidade da incontinência antes de definir a conduta. Nos casos de escapes de urina, a fisioterapia pélvica continua tendo papel essencial. Dependendo da situação, outras tecnologias, como o ultrassom microfocado íntimo, podem ser consideradas por alcançarem planos mais profundos e atuarem nas estruturas de sustentação.

Em determinados casos, a combinação de tratamentos pode ser mais adequada do que a utilização de uma única tecnologia. Laser, radiofrequência, ultrassom microfocado, fisioterapia pélvica, cuidados locais e tratamento hormonal, quando indicado, podem fazer parte de estratégias diferentes e complementares.

Apesar de estudos observacionais demonstrarem melhora de sintomas em pacientes selecionadas, a especialista destaca que pesquisas mais rigorosas ainda apresentam resultados variáveis. Também existem lacunas em relação à duração dos benefícios e à segurança de aplicações repetidas a longo prazo.

"Por isso, a indicação deve ser transparente, responsável e baseada em avaliação médica", afirma Lívia.

Quando o procedimento pode oferecer riscos?

Antes de realizar qualquer tratamento, é necessária uma avaliação ginecológica completa. É preciso compreender a queixa, examinar a região e excluir infecções, lesões suspeitas, sangramentos sem diagnóstico, alterações do colo do útero e doenças dermatológicas ou inflamatórias em atividade.

Gestação, câncer ginecológico em investigação ou tratamento e algumas condições clínicas também podem contraindicar ou levar ao adiamento do procedimento. No pós-parto, é necessário respeitar o período de recuperação e aguardar a cicatrização completa. A amamentação, isoladamente, não representa uma contraindicação absoluta, mas o médico deve avaliar a paciente e seguir as recomendações específicas de cada equipamento.

Quando utilizado sem diagnóstico, com parâmetros inadequados ou por um profissional sem capacitação, o laser pode provocar queimaduras, dor, inflamação, cicatrizes, alterações de sensibilidade e piora da dor durante as relações. Outro risco é mascarar sintomas e atrasar a investigação de uma doença que necessitaria de outro tipo de tratamento.

"O laser não deve ser banalizado, mas também não precisa ser tratado como vilão. Ele é uma ferramenta médica e, como qualquer ferramenta, precisa ser utilizado com indicação correta, conhecimento técnico e expectativas realistas", ressalta a ginecologista.

Mais importante do que perguntar simplesmente se o laser funciona é entender qual é a queixa daquela mulher, quais tecidos o profissional precisa tratar, qual tecnologia oferece a melhor resposta e quando o profissional deve utilizá-la. É a partir dessa avaliação individualizada que o recurso pode, quando indicado, fazer parte de um tratamento seguro e coerente com as necessidades de cada paciente.

Revista Malu Revista Malu
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