PUBLICIDADE

Família tenta na Justiça tratamento de R$ 400 mil negado por plano à jovem em estado vegetativo

Tratamento de neuromodulação foi indicado para tentar reverter o quadro da estudante Larissa Moraes de Carvalho

13 jun 2024 - 12h40
Compartilhar
Exibir comentários
Larissa Moraes de Carvalho teve uma parada cardiorrespiratória e ficou em estado vegetativo
Larissa Moraes de Carvalho teve uma parada cardiorrespiratória e ficou em estado vegetativo
Foto: Arquivo pessoal

A família de Larissa Moraes de Carvalho, de 31 anos, tenta na Justiça a liberação para um tratamento de neuromodulação para a jovem, que está em estado vegetativo há mais de um ano. O procedimento custa mais de R$ 400 mil por ano, foi indicado pela médica que a acompanha, mas negado pelo plano de saúde. 

Larissa era estudante de Medicina na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) quando passou por uma cirurgia na mandíbula, na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG), em março de 2023. Ela estava bem quando deu entrada na unidade, mas teve uma parada cardiorrespiratória após o procedimento. 

Por ter ficado muito tempo sem oxigenação, ela teve sequelas graves, que a impossibilitam de andar, falar, ou fazer qualquer coisa sozinha. “A gente está vivendo um pesadelo. Destruiu a nossa vida, a vida dela. A gente luta pela recuperação dela. Ela tinha o sonho de fazer Medicina, se esforçou. Nossa vida acabou. Tentaram destruir ela, e a gente tá lutando para que isso não aconteça”, afirmou ao Terra o pai de Larissa, Ricardo Carvalho. 

Hoje, a estudante vive sob cuidados da família e conta com serviço home care em sua casa. Está totalmente dependente, conforme relata o pai. Após seu caso ser analisado por uma neurologista, foi indicado o tratamento de Neuromodulação Personalizada Intensiva (NIP), que consiste em modificar a atividade do sistema nervoso, utilizando campos elétricos ou magnéticos, corrigindo disfunções. 

Em junho do ano passado, a família entrou com o pedido junto ao Plano de Assistência à Saúde Servidor, da Prefeitura de Juiz de Fora (PAS/JF), mas o tratamento foi negado pela instituição duas vezes. “A alegação é de que não constava no rol de procedimentos médicos do plano. Eu pedi para reconsiderar, falando que o tratamento era muito importante para ela, mas não concederam”, explica Ricardo. 

Diante das recusas, a família está movendo uma ação de obrigação de fazer com  indenização por danos morais junto à Justiça, desde setembro do ano passado, para conseguir a neuromodulação. O pedido foi negado em 1ª Instância e a família recorreu. Em maio, o processo foi encaminhado ao Tribunal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, e aguarda a decisão em 2ª Instância. 

Larissa Moraes de Carvalho teve uma parada cardiorrespiratória e ficou em estado vegetativo
Larissa Moraes de Carvalho teve uma parada cardiorrespiratória e ficou em estado vegetativo
Foto: Arquivo pessoal

“Nosso objetivo é que ela recupere todas as funções [cerebrais]. Não sei se sou muito otimista, mas eu trabalho sempre com essa opção. Eu quero ver ela normal como era antes, a gente sabe a gravidade do que aconteceu com ela, mas eu procuro enxergar dessa forma, eu procuro enxergar que a gente vai fazer o possível para ela recuperar, para ela voltar a fazer o curso de medicina dela, para ela voltar a ter a vida normal dela”, aponta o pai. 

Desde o início da semana, o Terra aguarda um posicionamento do Plano de Assistência à Saúde Servidor, da Prefeitura de Juiz de Fora (PAS/JF), mas até o momento, não teve retorno. As tratativas foram realizadas por e-mail, e várias vezes por telefone, mas a instituição não enviou qualquer justificativa à reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações. 

A reportagem também pediu um posicionamento sobre o caso para o Tribunal de Justiça de Minas, que informou não conseguir acessar o processo por estar em sigilo. 

Benefícios do tratamento

De acordo com o fisioterapeuta, doutor em Ciências Morfológicas e professor da Universidade Federal do ABC, Abrahão Baptista, a neuromodulação é indicada para pessoas que enfrentam problemas com depressão, transtorno de ansiedade, dores crônicas e uma série de doenças neurológicas. 

Ele explica que, no caso de Larissa, que tem um distúrbio de consciência devido à parada cardiorrespiratória, o tratamento pode ajudar em áreas específicas. 

Larissa Moraes de Carvalho teve uma parada cardiorrespiratória e ficou em estado vegetativo
Larissa Moraes de Carvalho teve uma parada cardiorrespiratória e ficou em estado vegetativo
Foto: Arquivo pessoal

“Os distúrbios de consciência se caracterizam por uma diminuição em vários graus da atividade da parte mais superficial do cérebro, o córtex cerebral. A neuromodulação não invasiva pode ajudar a recuperação deste estado pela ativação de algumas áreas específicas que contribuem para a ativação de todo o sistema nervoso central”, aponta. 

Liberação no SUS

Na semana passada, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados Federais aprovou o Projeto de Lei 5376/23, da deputada Maria Rosas (Republicanos-SP), que autoriza a inclusão da neuromodulação não invasiva (NNI) na lista de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Agora, em caráter conclusivo, a proposta também será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. A aprovação acendeu uma esperança na família de Larissa. Isso inclusive está sendo usado pela família como argumento para conseguir o tratamento via plano. 

Fonte: Redação Terra
Compartilhar
Publicidade
Seu Terra












Publicidade