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Equilíbrio e bem-estar: como ter uma relação saudável com os alimentos

Alimentos como chocolate, pizza e hambúrguer podem trazer conforto após um dia difícil. Entenda por que isso acontece, como diferenciar fome física da emocional e veja dicas para comer com mais equilíbrio e saciedade.

16 set 2026 - 13h03
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Resumo
Buscar conforto na comida diante do estresse é normal, mas exige atenção se virar a única saída emocional. Segundo a nutricionista Giovana Torres, o equilíbrio alimentar não requer proibições severas, e sim a distinção entre a fome física e a emocional. Ela orienta investir em refeições completas que proporcionem saciedade e questionar as reais necessidades antes de comer, integrando itens prazerosos à rotina com consciência, autonomia e sem a busca irreal por uma perfeição nutricional.

"Eu mereço um chocolate". "Hoje foi tão difícil que vou pedir uma pizza". Se essas frases fazem parte da sua rotina, talvez os alimentos estejam ocupando um papel que vai além de matar a fome. Estresse, cansaço e frustração podem aumentar a busca por comidas que oferecem prazer e conforto.

Foto: Prot Tachapanit
Foto: Prot Tachapanit
Foto: Sport Life

Segundo a nutricionista Giovana Torres, da Hapvida, não há problema em buscar prazer na comida. O sinal de alerta aparece quando comer se torna quase a única maneira de lidar com emoções difíceis.

A relação com a alimentação também envolve memórias, cultura, experiências e afetos. Um doce pode lembrar uma comemoração. A pizza pode remeter a momentos em família. Já determinado lanche pode funcionar como uma recompensa aprendida ao longo da vida.

Alimentos podem virar uma resposta ao estresse

Em períodos de estresse ou exaustão, alimentos mais palatáveis, como doces e frituras, podem ganhar ainda mais apelo. Isso acontece pela sensação de conforto associada a eles. Porém, o padrão de comportamento é o principal ponto de atenção.

"Em situações de estresse ou exaustão, alimentos mais palatáveis, como doces e frituras, podem ganhar ainda mais apelo justamente pela sensação de conforto que proporcionam. Comer algo gostoso depois de um dia complicado não é, por si só, um comportamento problemático", orienta a nutricionista.

De acordo com Giovana, a atenção deve aumentar quando tristeza, ansiedade, tédio, estresse ou frustração passam a desencadear automaticamente a busca por comida. A sensação de perda de controle também merece ser observada.

Fome ou vontade de comer? Aprenda a perceber a diferença

Uma das estratégias indicadas pela profissional é observar o que está por trás da vontade de comer. A fome física costuma aparecer de forma gradual. Além disso, pode ser satisfeita por diferentes alimentos.

Já a vontade relacionada às emoções pode surgir de repente. Muitas vezes, ela também aparece direcionada para alimentos específicos. "Já uma vontade emocional pode surgir de maneira repentina e estar direcionada especificamente para determinado alimento", orienta Giovana Torres.

Isso não significa que toda vontade específica precise ser combatida.

"Comer por prazer também é legítimo. Nem toda vontade de comer precisa ser justificada pela fome física. O objetivo não é transformar a alimentação em uma matemática de 'certo e errado', e sim desenvolver percepção e autonomia", completa a nutricionista.

Fome depois de comer pode ter relação com a saciedade

Outro cenário comum acontece depois de um dia corrido. A pessoa chega em casa com muita fome. Escolhe algo rápido para comer. Pouco tempo depois, já está procurando outra coisa na cozinha.

Segundo Giovana, isso nem sempre significa que a escolha foi inadequada. Pode faltar uma combinação capaz de oferecer mais saciedade.

Também é possível que a fome já estivesse muito intensa. Nesse caso, um lanche pequeno pode não substituir uma refeição completa.

De modo geral, refeições e lanches que combinam proteínas, fibras, carboidratos e fontes de gordura tendem a sustentar mais do que alimentos consumidos isoladamente.

Uma fruta, por exemplo, pode ser uma ótima opção. Mas combiná-la com iogurte e sementes deixa o lanche mais completo. Outra possibilidade é apostar em pão com ovo, frango ou queijo e vegetais.

A ideia é encontrar opções que unam sabor, saciedade e praticidade.

Alimentos gostosos também podem fazer parte da rotina

Para melhorar a alimentação, não é necessário transformar chocolate, pizza, hambúrguer ou sorvete em inimigos. Uma das estratégias é abandonar a lógica de proibição. O objetivo passa a ser encontrar equilíbrio entre prazer e nutrição.

"Nutrição não precisa ser sobre encontrar o substituto 'fit' de tudo. É também aprender a consumir o alimento original com equilíbrio", orienta Giovana.

No caso do chocolate, por exemplo, vale escolher uma versão que agrade ao paladar. Também é possível observar a quantidade consumida e, se fizer sentido, optar por opções com maior percentual de cacau.

Na pizza, ingredientes como frango, atum, queijo e vegetais podem compor sabores mais completos.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado a hambúrgueres e sorvetes. A proposta é montar uma refeição satisfatória, sem transformar a comida em uma disputa entre permitido e proibido.

Alimentos: opções práticas para o fim do dia

Para quem chega ao fim do dia com fome, algumas combinações sugeridas pela nutricionista podem ajudar.

Opções doces

  • Iogurte natural ou proteico + banana ou morangos + aveia ou granola
  • Banana amassada + cacau + pasta de amendoim
  • Maçã + iogurte + canela
  • Pão ou torrada + pasta de amendoim + banana

Opções salgadas

  • Pão integral ou de fermentação natural + ovo mexido + queijo
  • Tapioca + queijo + ovo
  • Sanduíche de pão + frango desfiado + queijo + tomate
  • Iogurte ou cottage + torradas + tomate e temperos

Além da composição nutricional, a praticidade também importa. Afinal, uma estratégia alimentar precisa funcionar dentro da rotina real.

A pergunta que pode ajudar antes de comer

Quando chega o fim do dia e surge o pensamento "eu mereço comer alguma coisa", uma pergunta pode ajudar a identificar a necessidade por trás da vontade.

"Do que eu estou precisando agora?". A resposta pode ser comida. Mas também pode ser descanso, uma pausa, companhia, carinho ou alguns minutos de prazer.

"A pessoa deve se perguntar 'do que eu estou precisando agora? A resposta pode ser comida, mas também pode ser descanso, uma pausa, uma companhia, um carinho ou simplesmente alguns minutos de prazer", frisa a profissional.

Identificar essa necessidade amplia as possibilidades. Isso não significa retirar da comida o espaço que ela pode ocupar na vida.

Também é importante evitar que a fome se acumule ao longo do dia. Fazer refeições adequadas pode diminuir a chance de chegar à noite com fome exagerada.

Alimentos e equilíbrio: não é preciso comer perfeitamente

Uma alimentação equilibrada não exige abrir mão dos alimentos prazerosos. Chocolate, pizza, hambúrguer e sorvete podem coexistir com alimentos que fornecem nutrientes importantes para o organismo.

O ponto está em construir uma relação mais consciente com os alimentos, sem culpa e sem a necessidade de compensar depois.

"No final, uma alimentação equilibrada não é aquela em que nunca comemos chocolate, pizza, hambúrguer ou sorvete. É aquela em que esses alimentos conseguem coexistir com os alimentos que nutrem o nosso corpo, sem culpa, sem medo e sem a sensação de que precisamos compensar depois", reforça a profissional.

Como resume Giovana Torres, comer bem não significa buscar perfeição. Significa construir uma relação possível, prazerosa e sustentável com a alimentação.

Sport Life
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