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Dia Mundial sem tabaco: médica alerta para os impactos do cigarro na voz e o risco de câncer de laringe

Especialistas alertam que alterações na fala por mais de duas semanas exigem investigação imediata

31 mai 2026 - 10h39
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Quando o assunto é o uso do cigarro, os impactos negativos sobre os pulmões e o coração costumam dominar a maioria das discussões de saúde. No entanto, existe uma região muito diretamente atingida pela fumaça do tabaco que muitas vezes acaba passando despercebida pela população.

Entenda como a fumaça do cigarro agride a laringe e modifica a qualidade da sua voz
Entenda como a fumaça do cigarro agride a laringe e modifica a qualidade da sua voz
Foto: Canva / Bons Fluidos

Trata-se da laringe, a estrutura responsável pela produção da nossa voz e uma ferramenta fundamental para a comunicação humana. Em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste dia 31 de maio, médicos e especialistas fazem um alerta importante. O hábito frequente de fumar pode desencadear desde irritações persistentes e rouquidão crônica até o desenvolvimento de doenças muito graves.

De acordo com dados alarmantes divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 8 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência direta do tabagismo no planeta. Desse total expressivo, cerca de 1,2 milhão de vítimas são fumantes passivos, ou seja, pessoas que apenas respiram a fumaça alheia. Embora os danos respiratórios e cardiovasculares gerais sejam amplamente divulgados, os terríveis efeitos sobre a voz e as vias aéreas superiores ainda recebem pouca atenção dos fumantes.

Como a fumaça agride a nossa garganta

Com o objetivo de explicar o mecanismo dessa agressão, a doutora Naiara Amorim, médica otorrinolaringologista do HOPE - Hospital de Olhos de Pernambuco, traz esclarecimentos importantes. Segundo a especialista, a fumaça quente do cigarro entra em contato direto e imediato com a mucosa delicada da laringe. Esse contato repetido provoca um processo inflamatório contínuo, que é totalmente capaz de alterar o funcionamento natural das pregas vocais.

"A laringe é extremamente sensível às substâncias tóxicas presentes no tabaco. Essa exposição repetida favorece irritação, inflamação e alterações nas pregas vocais, comprometendo a qualidade da voz e o conforto para falar", detalha a especialista.

Por causa disso, a rouquidão persistente figura como um dos sintomas mais frequentes relatados entre os fumantes cotidianos. Como o tabaco modifica a vibração natural das cordas vocais, a voz ganha um tom mais áspero, instável e grosso. Esse problema costuma surgir de maneira muito gradual, fazendo com que o paciente encare o sintoma como algo normal da rotina.

O perigo de ignorar os avisos do corpo

Por causa desse início lento, muitas pessoas caem em uma armadilha perigosa. "Muita gente acredita que a rouquidão faz parte do hábito de fumar e acaba negligenciando esse sinal. No entanto, qualquer alteração na voz que persista por mais de duas semanas merece investigação médica, principalmente em fumantes ou pessoas expostas frequentemente à fumaça", alerta a otorrinolaringologista.

Além das óbvias mudanças sonoras, o cigarro reduz bastante a resistência vocal e provoca uma fadiga desconfortável durante as conversas.

O esforço extra para manter diálogos longos, a necessidade chata de pigarrear repetidamente e a sensação de cansaço extremo ao falar são queixas recorrentes.

Esses sintomas causam um impacto ainda maior sobre profissionais que dependem exclusivamente da comunicação para trabalhar, como professores, palestrantes e jornalistas.

"O fumante pode perceber perda de potência vocal e maior dificuldade para sustentar a fala por longos períodos. Isso interfere diretamente na rotina profissional, social e na qualidade de vida", afirma a médica Naiara Amorim.

O tabagismo continuado também está intimamente relacionado ao surgimento de edemas graves, como o edema de Reinke, que é o acúmulo de líquido nas pregas vocais causado pelo uso prolongado do cigarro.

O risco maior e os caminhos da prevenção

Com certeza, entre as consequências mais preocupantes dessa exposição está o temido câncer de laringe. Esse tipo de tumor é considerado um dos mais fortemente associados ao consumo de tabaco, sobretudo quando o hábito do cigarro vem combinado ao consumo exagerado de bebidas alcoólicas.

Sinais claros como dificuldade crônica para engolir alimentos, tosse contínua, rouquidão que não passa e a incômoda sensação de um nó na garganta acendem a luz vermelha para a urgência de uma avaliação médica com um especialista.

"O câncer de laringe apresenta maiores chances de tratamento bem-sucedido quando identificado precocemente. Por isso, observar mudanças na voz e procurar assistência médica diante de sintomas persistentes pode fazer diferença no prognóstico", destaca a médica do HOPE.

Em conclusão, a conscientização promovida pela data internacional deve servir para iluminar esses impactos na fala, que tantas vezes são deixados de lado. "Parar de fumar traz benefícios para todo o organismo e a laringe também responde positivamente a essa mudança. Reduzir a exposição ao tabaco significa proteger a voz, preservar funções importantes do trato respiratório e diminuir o risco de doenças graves", finaliza a doutora.

Bons Fluidos
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