Na lista dos melhores restaurantes do mundo, 12 são nossos vizinhos
Representatividade como prato principal: 12 latino-americanos conquistam um lugar ao sol
Lá se vão 21 anos de The World's 50 Best Restaurants. A maturidade de uma das premiações mais importantes da cena gastronômica chega com um reforço significativo na representatividade. A começar pela afirmação da América Latina na lista dos 50 melhores restaurantes do mundo, cuja fila é puxada pelo peruano Central, o número um do mundo.
Antes do anúncio do resultado na cerimônia realizada no Palau de les Arts, em Valencia, por aqui e por ali, comentava-se sobre os favoritos e a casa da dupla Virgílio Martinez e Pía León, que havia ficado em segundo lugar na edição de 2022, era uma constante nas especulações. A confirmação do topo veio um par de horas depois.
Antes do anúncio do número um, o espírito latino-americano já se fazia presente. No total, nada menos que 12 casas da região, incluindo o Central, aparecem na lista dos melhores restaurantes do mundo (confira os vencedores no final do texto).
Entre eles, está o brasileiro A Casa do Porco, de São Paulo, de Jefferson e Janaína Rueda, que saiu do top 10 e ficou em 12º. Nada que abale a confiança da chef, uma das mulheres que se destacaram na cerimônia de premiação.
"O mundo é uma roda. É uma posição brilhante dentro de uma lista com tantos restaurantes incríveis do mundo. É sempre bom comemorar, não importa a posição. Sempre queremos estar representando o Brasil", afirma Janaína. Ela aproveitou a cerimônia para tocar na questão da segurança no Centro de São Paulo. "Estamos recebendo menos turistas e gente de fora. Por isso, o resultado foi até surpreendente".
América Latina
É claro que a lista dos melhores restaurantes do mundo é sobre boa comida e boas experiências gastronômicas. Mas, foi inevitável entrar na seara da representatividade latino-americana na premiação.
"A conquista do primeiro lugar na lista dos melhores restaurantes do mundo representa muito para o restaurante, para o Peru e para a América Latina, que tem muita cultura e muitos ingredientes para serem mostrados ao mundo. Temos muita diversidade que nos permite criar", afirmou Martinez.
No Central, diga-se de passagem, há um profundo trabalho de pesquisas sobre ingredientes sob a batuta de Malena Martinez, irmã do chef. Em uma dessas empreitadas, foi desenvolvido um trabalho para o aproveitamento total do cacau, um dos tesouros da região.
Força Feminina
Mais do que colocar a América Latina no protagonismo, a conquista do Central também fortalece a representatividade das mulheres na cozinha. Piá León, parceira de Virgílio no restaurante e na vida, sobe ao topo e se destaca não apenas pelo número 1 do mundo.
O seu projeto solo, o Kjolle, que também fica em Lima, está entre os 50 melhores do mundo: mais precisamente, na 28ª posição. O nome do projeto faz referência a uma árvore que cresce em alturas extremas no Peru e persevera, produzindo uma flor laranja e brilhante que tem muito a ver com a vivacidade que a chef empresta a seus pratos.
Para Pía, assim como em outras áreas, o papel feminino se fortalece a cada dia, em uma prova da luta pela equidade de gênero. "O tema das mulheres na cozinha vem ressoando há muitos anos. O fato de hoje em dia haver mais mulheres se destacando se deve à visibilidade que está sendo dada ao nosso trabalho", diz a chef.
Pouco a pouco, as mulheres, como Pía León e Janaína Rueda, começam a marcar presença nas listas de excelência de restaurantes. A equatoriana Pía Salazar, do Nuema, em Quito, ficou com o prêmio de melhor chef confeiteira do mundo.
Já Nora Fitzgerald Belahcen foi uma das premiadas na categoria que premia iniciativas que fazem a diferença no mundo da gastronomia. Em Marrakesh, ela comanda o projeto Amal, que capacita mulheres para o setor de restaurantes, e o Sign Language Café, que dá visibilidade e emprega mulheres surdas.
Ao time dos 50 melhores, uniu-se, por exemplo, o mexicano Rosetta, comandado pela chef Elena Reygadas. Além de entrar no ranking na 49ª posição, ela conquistou o título de destaque feminino e recebeu o prêmio das mãos de outra mulher que é uma referência da gastronomia mundial.
Na cerimônia de entrega, a colombiana Leonor Espinosa, que comanda o Leo, em Bogotá, aproveitou o palco não apenas para saudar a vencedora, mas, para fazer um convite. "Quero pedir a força latino-americana que se levante nesta noite", o que foi prontamente atendido sob uma salva de palmas.
Sim, o The World's 50 Best Restaurants também pode tratar de representatividade.
Restaurantes latino-americanos da lista dos melhores restaurantes do mundo:
- Central, nº 1
- Maido, Peru, nº 6
- Quintonil, México, nº 9
- A Casa do Porco, Brasil nº 12
- Pujol, México, nº 13
- Don Julio, Argentina, nº 19
- Kjolle, Peru, nº 27
- Boragó, Chile, nº 29
- El Chato, Colômbia, nº 33
- Leo, Colômbia, nº 43
- Mayta, Peru, nº 47
- Rosetta, México, nº 49