Festival promove comida caseira de tabernas de Buenos Aires
Longe do luxo dos restaurantes modernos e da excentricidade normalmente associados à "nouvelle cuisine", a gastronomia argentina homenageia nesta semana o sabor do prato caseiro e o clima familiar dos tradicionais tabernas portenhas.
A taberna é o bar de toda a vida, ocupa o mesmo "cantinho" do bairro há anos e serve como uma ponte entre o agitado ritmo urbano e o passado de Buenos Aires.
Nesses estabelecimentos é possível almoçar ou jantar refeições tradicionalmente caseiras, servidas em grande quantidade e a preços que agradam todos os públicos.
Para comemorar a sobrevivência destes espaços tão antigos, o governo da cidade de Buenos Aires promove "A semana das tabernas portenhas", da qual participam cerca de 50 estabelecimentos espalhados por toda a cidade.
"As tabernas portenhas são os restaurantes típicos de Buenos Aires. É como se Madri fizesse o mesmo com suas tascas, Roma com suas trattorias ou Paris com seus bistrôs", explicou à Agência Efe Pietro Sorba, crítico enogastronômico e um dos idealizadores da iniciativa.
Guisados, massas, omeletes, frios e diferentes tipos de arroz são algumas das alternativas presentes nos cardápios das tabernas para aqueles que não quiserem comer o churrasco argentino, principal prato da gastronomia do país.
Segundo Pietro Sorva, a taberna é um restaurante que se define pela tipologia dos pratos, que são baseados no chamado menu "ítalo-hispânico-portenho", que mistura elementos da tradição culinária das duas comunidades de imigrantes mais marcantes na Argentina.
A taberna também se destaca pela decoração, já que o ambiente traz características de sua origem como armazém: presuntos pendurados nos teto, além de vidros de picles e queijos.
"A história das tabernas começou há 300 ou 400 anos, quando elas eram espaços que vendiam artigos de primeira necessidade", explicou Sorba.
Nesses armazéns havia uma parte onde os gaúchos e os crioulos se reuniam para tomar gim e jogar cartas, e, com o desenvolvimento urbano, esse espaço se transferiu para as cidades e evoluiu, principalmente com a venda de bebidas
Com a passagem dos anos, a parte correspondente ao armazém desapareceu para dar origem às tabernas, onde se oferecia comida tradicional dos imigrantes italianos e espanhóis.
Um dos 50 participantes do evento gastronômico em Buenos Aires, o bar El Federal, que fica no bairro de San Telmo e é possivelmente o mais antigo da cidade - inaugurado em 1856 -, resolveu contratar uma cantora de tango para animar o jantar dos clientes durante o evento.
"Tem todas as características de uma taberna, com certeza foi um armazém antes", detalhou Gustavo Roza, responsável pelo estabelecimento.
"É preciso ir a uma taberna porque tem história, porque são os bares que têm um passado, que têm uma identidade e porque fazem parte da cultura da cidade", opinou Roza.
"As tabernas são os lugares onde as pessoas conversam, falam sobre os problemas, as alegrias, encontros e desencontros. Portanto, faz parte da história do povo também", acrescentou.
"A comida é um elemento absolutamente típico de um povo", ressaltou Sorba, que se mostrou convencido de que para entender "a cidade e a forma de ser dos portenhos é preciso visitar uma taberna e comer sua comida".