Crianças já passam mais de cinco horas em frente às telas por dia; entenda perigo
Perante este cenário, especialistas afirmam que sintomas como irritabilidade, dificuldades de sono e maior desregulação emocional tendem a surgir durante as férias
De acordo com dados do Common Sense Media, o tempo médio de entretenimento digital infantil já supera cinco horas e quarenta minutos por dia. E o estudo do JAMA Pediatrics descobriu que o uso de telas tende a aumentar entre 40% e 70% durante as férias escolares das crianças. Então, perante este cenário, especialistas afirmam que sintomas como irritabilidade, dificuldades de sono e maior desregulação emocional tendem a surgir neste período. Leia abaixo e entenda porque:
Tempo que crianças passam em frente às telas as deixam alteradas
As crianças tendem a ficar alteradas se tiverem um longo tempo de telas, pois a luz azul, emitida por dispositivos, reduz a produção de melatonina e pode atrasar o início do sono em até duas horas. Ademais, do ponto de vista psicológico, o impacto não se limita à estimulação sensorial. Isso porque os estímulos digitais intensos ativam circuitos de recompensa no cérebro infantil, especialmente o sistema dopaminérgico, aumentando a busca por gratificação imediata e reduzindo a capacidade de autorregulação.
Dessa forma, estudos da American Academy of Child & Adolescent Psychiatry mostram que o uso prolongado de telas está associado a maior impulsividade, menor tolerância à frustração e dificuldades de transição entre atividades. E todos esses quadros se acentuam quando a rotina está menos estruturada, como acontece nas férias. A psicóloga Andrea Beltran, por sua vez, explica que o aumento repentino de exposição digital altera o equilíbrio emocional dos pequenos.
"As telas ativam o sistema nervoso de maneira intensa e contínua. Quando essa excitação não é compensada, seja por descanso ou atividades físicas, aparecem irritabilidade, agitação e baixa tolerância à frustração", afirma. "O sono prejudicado agrava tudo, porque é durante a noite que o cérebro infantil processa estímulos e estabiliza o humor".
O impacto em casa da ausência de regras claras
Além do impacto individual, há efeitos familiares. Pesquisas conduzidas pela University of Michigan mostram que conflitos domésticos relacionados ao uso de dispositivos tendem a aumentar durante as férias, especialmente em casas onde não há regras claras. "Rotinas flexíveis são parte do descanso, mas a ausência total de limites cria um ambiente de tensão", reforça.
A especialista, por fim, recomenda pausas regulares, supervisão ativa e o uso moderado de dispositivos antes de dormir. "Não é sobre proibir, mas reposicionar as telas para que deixem de ocupar o lugar de outras experiências fundamentais da infância, como brincar, explorar e descansar", conclui.