Reduzir açúcar na infância evita infarto e protege o coração
Estudo no British Medical Journal revela que restrição nos primeiros mil dias de vida reduz riscos de infarto e AVC seis décadas depois
Uma dieta livre de doces nos primeiros anos de vida é um investimento de longo prazo. Um novo estudo publicado na revista científica The British Medical Journal confirma: reduzir o açúcar na infância protege a saúde cardiovascular por até seis décadas.
O resultado do estudo mostrou que aqueles que tiveram ingestão restrita nos primeiros mil dias de vida (da gestação aos 2 anos) apresentaram menor risco de desenvolver problemas graves entre os 60 e 70 anos, como:
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Infarto;
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Insuficiência cardíaca;
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AVC (Acidente Vascular Cerebral).
Os primeiros mil dias da infância
Para a nutricionista e professora da Uninter, Ana Paula Garcia, a infância representa uma "janela biológica crítica". Logo, o que a criança consome nessa fase molda o metabolismo para sempre, definindo sua proteção contra doenças crônicas.
O perigo começa na gestação
Os danos do excesso de açúcar podem começar antes mesmo do nascimento. A ingestão elevada durante a gravidez aumenta a insulina fetal e o estresse inflamatório na placenta.
"Isso desencadeia alterações no desenvolvimento do músculo cardíaco e nos vasos sanguíneos do bebê", explica a especialista. Após o nascimento, introduzir bebidas açucaradas ou doces sólidos reforça o risco de obesidade infantil e resistência à insulina no futuro.
Paladar moldado desde cedo
Outro ponto crucial é a formação do hábito. A introdução precoce de doces vicia o paladar infantil. Logo, a criança passa a rejeitar sabores naturais, como frutas e vegetais, preferindo sempre o açúcar processado.
Seguindo diretrizes da American Heart Association, a recomendação é de zero açúcar adicionado para menores de dois anos. Para os maiores, o limite deve ser de apenas 25 gramas por dia (cerca de seis colheres de chá).
Estratégias de proteção
O estudo reforça que a prevenção de doenças cardiovasculares (principais causas de morte no mundo) exige medidas simples, mas rigorosas. A amamentação exclusiva nos primeiros seis meses e a introdução alimentar livre de ultraprocessados são escudos fundamentais.
"Controlar o consumo na infância não evita apenas cáries. É uma das estratégias mais eficazes para promover a saúde do coração ao longo de toda a vida", finaliza Ana Paula.