Sonha com a USP em 2027? Veja como se preparar e garantir sua vaga
Se você sonha em estudar na USP, 2027 pode ser o seu ano, desde que a preparação comece agora. A Universidade de São Paulo é a maior do Brasil e está entre as melhores da América Latina, então é normal o vestibular ser concorrido e exigente. Mas isso não quer dizer que seja inalcançável.
Segundo Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico Brazilian International School - BIS, de São Paulo (SP), com estratégia, rotina e constância, dá para chegar bem mais perto da sua vaga.
Vamos montar esse plano juntas?
USP + Fuvest: entendendo o desafio
A porta de entrada principal para a USP é a Fuvest, um vestibular tradicional, com prova longa e foco em profundidade. Não é aquela avaliação que você "salva" em cima da hora. Ela cobra:
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conteúdo bem entendido (e não só decorado);
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raciocínio crítico;
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capacidade de relacionar temas de diferentes matérias;
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clareza na hora de escrever e explicar.
Por isso, quanto mais cedo você entende o estilo da prova, mais fácil fica montar uma rotina que te deixe competitiva de verdade.
Como funciona a prova da Fuvest?
A Fuvest acontece em duas fases, geralmente entre novembro e dezembro, para selecionar quem vai estudar na USP no ano seguinte.
Na 1ª fase, você responde a 90 questões de múltipla escolha, com conteúdo de todas as disciplinas do ensino médio: Português, Literatura, Matemática, História, Geografia, Biologia, Física, Química, Inglês, Filosofia, Sociologia, Artes e Educação Física. É uma prova bem ampla, que testa sua base geral.
Na 2ª fase, o foco muda para a profundidade. São dois dias de prova. No primeiro, caem dez questões discursivas de Língua Portuguesa e uma redação. No segundo, aparecem 12 questões discursivas específicas do curso escolhido.
Quem quer Medicina, por exemplo, enfrenta muitas questões de exatas e biológicas; já quem sonha com Direito ou Jornalismo encara mais humanas.
Aqui, o que mais pesa é como você pensa e se expressa. Não basta "saber a fórmula": é preciso explicar com clareza o caminho que você fez até a resposta.
Redação da Fuvest: muito além do texto dissertativo
A redação continua sendo uma parte central do vestibular da USP. O diferencial é que, de uns anos pra cá, a banca passou a aceitar outros gêneros textuais, além do tradicional dissertativo-argumentativo. Ou seja, dependendo do enunciado, você pode ter que escrever:
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uma carta.
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uma crônica.
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um discurso.
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ou outro tipo de texto bem definido no comando.
Isso exige duas coisas de você: entender direitinho o gênero pedido e se adaptar ao contexto da proposta. A Fuvest avalia:
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se você compreendeu o tema.
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se escolheu argumentos coerentes.
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se conseguiu organizar o texto do jeitinho que o gênero exige.
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se a escrita está clara, correta e bem articulada.
Uma forma de treinar é variar: em vez de fazer só redação dissertativa toda semana, misture exercícios com cartas, crônicas e discursos. E leia bastante: notícias, livros, colunas de opinião, contos… tudo isso vira repertório para usar na redação e nas questões.
Livros obrigatórios: um vestibular todo delas
Para o vestibular 2027, a lista de leitura da Fuvest é 100% formada por autoras mulheres de língua portuguesa. São nove obras obrigatórias, de épocas e estilos diferentes, que valorizam a voz feminina na literatura e trazem temas como identidade, sociedade, política, memória e afeto.
Em vez de encarar isso como "mais uma obrigação", tente olhar como um universo que vai turbinar:
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sua leitura.
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sua interpretação.
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e seu repertório para a redação.
O ideal é não deixar tudo para a última hora. Monte um esquema em que você leia ao longo do ano, com calma. Por exemplo: um livro a cada quatro ou cinco semanas, anotando personagens, temas centrais, passagens marcantes e possíveis relações com atualidades.
Se estiver sem tempo de ler tudo na íntegra, o contato direto com as obras continua sendo o melhor caminho, mas você pode complementar com boas análises, aulas de literatura e resumos críticos confiáveis para entender melhor o estilo de cada autora.
O que costuma cair na Fuvest?
A prova para a USP não foca só em "conteúdo solto"; ela gosta de cobrar relações entre temas. Em vez de decorar listas de fórmulas, pense em como as matérias conversam entre si.
Alguns assuntos aparecem com bastante frequência:
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em Língua Portuguesa, interpretação de texto, gêneros textuais e análise de sentido costumam dominar.
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em Matemática, é comum cair funções, geometria plana, trigonometria, probabilidade e análise combinatória.
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em Biologia, temas como ecologia, genética e fisiologia marcam presença.
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em Química, a prova gosta de química geral, físico-química e reações orgânicas.
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em Física, mecânica, eletricidade e interpretação de fenômenos são recorrentes.
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em História e Geografia, a Fuvest mistura Brasil e mundo, cobrando desde períodos coloniais até temas atuais como geopolítica e meio ambiente.
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Filosofia e Sociologia aparecem com questões sobre cidadania, movimentos sociais e teorias clássicas.
Uma boa estratégia é usar provas anteriores como guia para perceber o padrão: o que se repete, como os enunciados são montados, que tipo de leitura é exigida.
Quer USP em 2027? Monte um plano de estudos de verdade
Agora a parte prática: como organizar o ano até a prova?
A ideia é pensar em médio e longo prazo. Nada de tentar "virar o jogo" em um mês. Um plano possível é dividir 2026 em fases, adaptando a sua realidade.
Primeiro semestre
De fevereiro a abril, vale focar em construir base. Revise os conteúdos principais de todas as matérias, resolva exercícios mais básicos e treine interpretação de textos, gráficos e tabelas. Já dá para começar a escrever uma redação a cada duas semanas e iniciar a leitura das obras obrigatórias.
De maio a julho, a meta é aprofundar. Aumente o nível dos exercícios, resolvendo questões de Fuvest de anos anteriores. Comece a incluir algumas questões discursivas na rotina e passe a fazer uma redação por semana, variando gêneros. Enquanto isso, avance nas leituras literárias.
Segundo semestre
Em agosto e setembro, é hora de se acostumar com o estilo da prova. Faça simulados completos de 1ª fase, analisando seus erros e acertos. Nas discursivas, tente responder simulando mesmo a 2ª fase: tempo cronometrado, resposta organizada, letra legível.
Em outubro e novembro, você entra na reta final. Foque em revisão dos conteúdos que mais caem, mantenha uma rotina de simulados, treine redações com temas atuais e, ao mesmo tempo, cuide para não se sobrecarregar. Diminuir o ritmo um pouco nos dias anteriores às provas pode ajudar a chegar mais calmo e concentrado.
E a rotina do dia a dia?
Não existe uma regra única, mas uma sugestão é organizar a semana por áreas. Em um dia, você prioriza Linguagens; em outro, Humanas; depois, Natureza; e reserva um dia para Matemática e outro para redação e leituras. Assim, ao longo de uma semana, todas as matérias passam pela sua cabeça.
Em termos de tempo, duas a três horas de estudo por dia, bem usadas, já fazem diferença. Você pode começar sempre revisando rapidamente o que viu no dia anterior, estudar teoria com exercícios na sequência e fechar com um bloco de prática mais intensa ou com produção de texto.
Lembre-se de adaptar esse modelo à sua realidade: escola, cursinho, trabalho, tempo de deslocamento… o importante é que o plano seja real e que você consiga manter a constância.
Saúde emocional também conta para passar na USP
A Fuvest é puxada, sim. A pressão é grande, sim. Mas você não é uma máquina. Cuidar da saúde emocional não é luxo, é parte da preparação.
Dormir bem, comer direito, fazer algum exercício físico, ter momentos de descanso e pedir ajuda quando estiver sobrecarregada fazem diferença direta no seu desempenho. Ansiedade alta derruba a concentração, atrapalha a memória e pode fazer você "branco" na hora da prova.
Tente encarar o processo como um caminho de amadurecimento, não só como "tudo ou nada". Passar na USP é um objetivo totalmente possível, mas o que você aprende se organizando, estudando com constância e cuidando de si mesma vai acompanhar você por toda a vida acadêmica.
Recado final pra quem sonha com a USP
Se a USP está no seu radar para 2027, o melhor momento para começar é agora, com o que você tem e de onde você está. Entenda a Fuvest, conheça o seu jeito de estudar, monte um plano que caiba na sua rotina e vá ajustando no caminho.
Não é sobre perfeição, é sobre constância. Cada página lida, cada questão resolvida, cada redação escrita é um passinho a mais na direção da sua vaga. E você merece se ver lá dentro.