O que faz você lembrar ou esquecer um sonho ao acordar?
A forma como dormimos e acordamos explica por que alguns sonhos ficam na memória e outros se perdem rapidamente
A capacidade de lembrar um sonho está diretamente ligada ao momento do despertar. O cérebro sonha todas as noites, mais de uma vez, mas essas experiências só ficam registradas quando a pessoa acorda poucos minutos após o fim do sonho, geralmente durante o sono REM, fase em que as imagens são mais intensas.
O sono acontece em ciclos que se repetem ao longo da noite, passando por sono leve, profundo e sono REM. Durante esse último estágio, o cérebro apresenta maior atividade enquanto o corpo permanece relaxado. É nesse contexto que os sonhos se formam, misturando lembranças recentes e memórias antigas em narrativas nem sempre lógicas.
Sono REM
Segundo o site VivaBem, no sono REM, áreas cerebrais ligadas à memória entram em funcionamento mais intenso. Esse processo ajuda a consolidar experiências e aprendizados do dia. Quando o despertar ocorre logo após essa fase, o conteúdo do sonho ainda está acessível e pode ser lembrado com mais facilidade.
Pessoas que relatam lembrar sonhos com frequência costumam ter um sono mais fragmentado, com pequenos despertares que interrompem o REM. Já quem dorme profundamente e sem interrupções atravessa essa fase sem acordar e, por isso, tende a não guardar lembranças do que sonhou.
Função mental
Pesquisas indicam que os sonhos participam da organização das experiências diárias, da consolidação da memória e da resolução de problemas. Eles funcionam como um ensaio mental para desafios da vida real, ajudando o cérebro a processar emoções e situações vividas. O conteúdo dos sonhos varia conforme emoções intensas, medos e desejos. Em alguns casos, eles podem refletir estresse, ansiedade ou conflitos não resolvidos, influenciando decisões, crenças e a saúde mental.
A interpretação dos sonhos é usada como ferramenta de autoconhecimento, pois permite identificar padrões emocionais e temas recorrentes. Sonhos repetitivos, especialmente os que envolvem situações constrangedoras, costumam estar ligados à forma como a pessoa se vê e acredita ser percebida socialmente. Na visão clássica de Sigmund Freud, os sonhos ajudam a manter o equilíbrio emocional ao permitir que desejos inconscientes se expressem de maneira simbólica, sem causar sofrimento direto.
Diário do sonho
Criar o hábito de registrar os sonhos ajuda a ampliar a capacidade de lembrá-los e a compreender melhor seus conteúdos. Algumas práticas simples podem facilitar esse processo no dia a dia.
Manter um caderno e uma caneta ao lado da cama permite anotar o sonho logo ao acordar, quando as imagens ainda estão frescas na memória. Caso prefira usar o celular ou tablet, o ideal é limitar o contato com a luz azul apenas ao momento da anotação, para não dispersar a atenção.
Ao despertar, evitar movimentos bruscos ajuda a preservar detalhes importantes da experiência. Mesmo lembranças fragmentadas devem ser registradas, incluindo temas, emoções e sensações. Desenhar cenas também pode ser útil para visualizar melhor o conteúdo. Como os sonhos se alimentam das vivências diárias, valorizar o cotidiano contribui para enriquecer o universo onírico.