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Dia da Visibilidade Trans: os avanços da cirurgia plástica na afirmação de gênero no Brasil

Novas técnicas e mudança de abordagem ampliam o acesso a cirurgias de afirmação de gênero com mais segurança e acolhimento

29 jan 2026 - 15h52
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Celebrado em 29 de janeiro, o Dia da Visibilidade Trans reforça a importância do respeito, do acesso à saúde e da garantia de direitos para pessoas trans. Nesse cenário, a cirurgia plástica tem desempenhado um papel cada vez mais relevante. Não apenas do ponto de vista técnico, mas também como parte de um cuidado integral, ético e humanizado no processo de afirmação de gênero.

No Dia da Visibilidade Trans, entenda o papel da cirurgia plástica na afirmação de gênero, com foco em saúde, acolhimento e qualidade de vida
No Dia da Visibilidade Trans, entenda o papel da cirurgia plástica na afirmação de gênero, com foco em saúde, acolhimento e qualidade de vida
Foto: Reprodução: Canva/FG Trade / Bons Fluidos

De acordo com especialistas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), os procedimentos de afirmação de gênero contribuem diretamente para a redução da disforia, melhora da autoestima e promoção da saúde física e emocional de pessoas trans. O avanço das técnicas cirúrgicas e a maior qualificação dos profissionais têm permitido resultados mais seguros, personalizados e alinhados às necessidades individuais de cada paciente.

Muito além da técnica

Para o cirurgião plástico Dr. Felipe Góis, membro titular da SBCP e referência nacional na assistência à população trans, esse cuidado vai além da técnica. "A cirurgia plástica, nesse contexto, não é apenas técnica. Ela envolve ética, acolhimento e responsabilidade social. Quando a medicina se propõe a escutar e compreender essas pessoas, ela cumpre seu papel mais nobre: promover saúde, dignidade e pertencimento", afirma o médico.

Segundo ele, apesar de o processo transexualizador estar regulamentado no Brasil, ainda havia uma grande lacuna na sistematização de diretrizes legais, conceitos de gênero e orientações técnicas claras para o atendimento. "Quando o profissional não se sente seguro técnica e eticamente, ele evita o atendimento. Isso afasta pacientes dos serviços de saúde e aumenta riscos. Informação qualificada salva trajetórias", destaca.

Como acontece o processo?

O processo de adequação de gênero, no entanto, não segue um modelo único. Segundo Dr. Rodrigo Itocazo Rocha, cirurgião plástico, também membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, as cirurgias são realizadas de forma individualizada em etapas específicas. Entre os procedimentos mais realizados em mulheres trans, estão a genitoplastia feminizante, feminização facial, mamoplastia de aumento, redução do pomo de Adão, cirurgias de cintura e quadril e a glotoplastia.

Já para homens trans, destacam-se a masculinização do tórax, masculinização da face e do pescoço, metoidioplastia e histerectomia. "A adequação de gênero deve levar em conta o corpo e a individualidade de cada pessoa. São conjuntos de cirurgias específicos, pensados para alcançar os melhores resultados com os menores riscos possíveis", explica Itocazo.

Nos casos de cirurgia genital para mulheres trans, o especialista destaca que a técnica mais utilizada é a inversão peniana, considerada padrão pelas diretrizes médicas. A recuperação envolve cuidados específicos e um período de dilatação vaginal, fundamental para o sucesso do procedimento a longo prazo.

Histórias inspiradoras

Histórias como a de Laura Maria Santos do Nascimento, mulher trans, farmacêutica e doutoranda, evidenciam a importância do acesso à saúde e do atendimento especializado. Após uma longa jornada marcada por autoconhecimento, apoio familiar e enfrentamento de barreiras institucionais, Laura conseguiu realizar as cirurgias de afirmação de gênero que desejava, alcançando não apenas mudanças físicas, mas também uma nova perspectiva de vida.

"Hoje, vivo um sonho concretizado, com novos objetivos e muita felicidade", relata. Laura destaca a importância do acesso à saúde e de equipes capacitadas. "Eu não buscava um diagnóstico, porque não estava doente. Buscava cuidado, respeito e o direito de viver quem eu sempre fui. Quando a medicina age com empatia e ciência, ela transforma vidas", afirma.

No Dia da Visibilidade Trans, especialistas reforçam que ampliar o acesso a profissionais qualificados, combater a desinformação e fortalecer práticas médicas baseadas em ciência, ética e respeito são passos fundamentais para garantir uma assistência em saúde mais justa e inclusiva para a população trans no Brasil.

Sobre a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) é uma das maiores associações mundiais da especialidade. Fundada em 1948, é o órgão oficial da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina a conferir o título de especialista em cirurgia plástica. É uma associação civil sem fins lucrativos, de caráter científico e âmbito nacional, que tem como missão zelar pelo renome e conceito da cirurgia plástica no Brasil, bem como contribuir para o seu progresso, promovendo o aperfeiçoamento dos conhecimentos especializados e incentivando a formação de especialistas. Saiba mais no site e no Instagram.

*Fonte: Manreza Comunicação

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