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Arenques aos trilhões: o pequeno peixe que domina os oceanos

Entre os inúmeros peixes que habitam o Atlântico Norte, o arenque (Clupea harengus) ocupa uma posição discreta em tamanho, mas central em influência. Saiba os motivos.

25 jan 2026 - 10h01
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Entre os inúmeros peixes que habitam o Atlântico Norte, o arenque (Clupea harengus) ocupa uma posição discreta em tamanho, mas central em influência. Afinal, com apenas 20 a 40 centímetros de comprimento, esse peixe pelágico forma cardumes tão densos e extensos que podem se estender por centenas de quilômetros e reunir trilhões de indivíduos. Assim, essa combinação de pequeno porte e grande abundância o transforma em peça-chave tanto para a saúde dos oceanos quanto para a economia global da pesca.

A vida do arenque é marcada por deslocamentos constantes, alimentação em grupo e estratégias de sobrevivência que dependem da cooperação do cardume. Além disso, sua forma alongada, corpo prateado e natação ágil permitem que acompanhe correntes frias e ricas em nutrientes. Em cada fase, do nascimento ao período reprodutivo, esse peixe utiliza o ambiente marinho de forma intensa. Assim, ele conecta diferentes regiões do Atlântico Norte e sustentando uma vasta cadeia de relações ecológicas.

O arenque é uma das espécies mais importantes da pesca comercial no Atlântico Norte – Domínio Público/Wikimedia Commons
O arenque é uma das espécies mais importantes da pesca comercial no Atlântico Norte – Domínio Público/Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

Biologia do arenque e a formação de cardumes gigantes

O arenque é um peixe ósseo de corpo comprimido lateralmente, com escamas finas e brilhantes que refletem a luz, ajudando na camuflagem em mar aberto. Alimenta-se principalmente de zooplâncton, como copépodes e pequenas larvas, filtrando a água com brânquias adaptadas. Portanto, essa dieta baseada em organismos microscópicos explica, em parte, a capacidade de sustentar populações imensas: o plâncton é abundante e se renova com rapidez em águas frias e produtivas.

Em geral, a reprodução ocorre em águas costeiras ou plataformas continentais, onde as fêmeas liberam milhões de ovos aderentes no fundo ou em algas. As taxas de sobrevivência individuais são baixas. Porém, a produção de grande quantidade de ovos aumenta a chance de parte da prole atingir a fase adulta. Ao longo dos anos, esse padrão reprodutivo gera estoques populacionais gigantescos, aptos a formar cardumes que podem incluir trilhões de peixes distribuídos por vastas áreas do oceano.

Por que o arenque forma cardumes tão extensos?

Os cardumes de arenque são exemplos clássicos de comportamento coletivo no ambiente marinho. Cada peixe segue regras simples: manter certa distância dos vizinhos, alinhar a direção de nado e reagir rapidamente a mudanças de rota. Esse padrão resulta em uma "dança sincronizada" impressionante, em que milhares de indivíduos fazem curvas, mergulhos e mudanças de velocidade quase ao mesmo tempo, criando formas em constante movimento.

Esse comportamento em massa tem funções essenciais. Em termos de defesa, o cardume confunde predadores como bacalhaus, atuns, salmões, focas e baleias, dificultando a seleção de uma presa específica. Do ponto de vista de alimentação, grandes agregações aumentam a eficiência na busca coletiva por plâncton, permitindo que o grupo se desloque rapidamente para zonas de maior concentração de alimento. Além disso, o cardume facilita o encontro entre machos e fêmeas durante a época de desova, garantindo o sucesso reprodutivo do arenque.

Qual é a importância ecológica do arenque nos oceanos?

O arenque atua como elo intermediário em cadeias alimentares do Atlântico Norte. Ao consumir plâncton e servir de alimento para peixes maiores, aves marinhas e mamíferos, ele converte energia de organismos microscópicos em biomassa acessível a predadores de topo. Essa função o torna um recurso trófico central: em diversos ecossistemas costeiros e de mar aberto, a disponibilidade de arenque influencia diretamente a condição física e reprodutiva de espécies que dele dependem.

Além da função alimentar, os cardumes de arenque influenciam ciclos biogeoquímicos. Ao se alimentarem em superfície e excretarem em profundidade, ajudam no transporte de nutrientes na coluna d'água. A mortalidade natural de grandes quantidades de peixes também contribui para o aporte de matéria orgânica ao fundo marinho. Mudanças na abundância de arenque, seja por variação climática seja por pesca intensiva, podem alterar essas dinâmicas, causando efeitos em cascata em diferentes níveis da cadeia alimentar.

Impacto econômico do arenque na pesca mundial

O arenque é uma das espécies mais importantes da pesca comercial no Atlântico Norte. Países como Noruega, Islândia, Rússia, Canadá e nações do norte da Europa dependem desse peixe para abastecer indústrias de alimentos, rações e óleo de peixe. Filés frescos, peixes salgados, defumados e enlatados fazem parte da culinária de diversas regiões, enquanto a farinha e o óleo de arenque são amplamente utilizados em aquicultura e na nutrição animal.

Para regular esse recurso, organismos internacionais estabelecem cotas de captura e planos de manejo. O objetivo é evitar a sobrepesca e manter os estoques em níveis que permitam a reposição natural. Em algumas décadas passadas, colapsos de estoques de arenque mostraram que a exploração acima da capacidade de recuperação do recurso pode causar quedas acentuadas na pesca, afetando empregos, indústrias e comunidades costeiras. Por isso, o arenque é frequentemente citado como exemplo de espécie em que a gestão pesqueira precisa ser baseada em ciência e monitoramento contínuo.

A longevidade do arenque varia conforme a região, mas muitos indivíduos podem viver de 10 a 15 anos, com registros de exemplares que ultrapassam essa faixa em ambientes favoráveis – Savoieju/Wikimedia Commons
A longevidade do arenque varia conforme a região, mas muitos indivíduos podem viver de 10 a 15 anos, com registros de exemplares que ultrapassam essa faixa em ambientes favoráveis – Savoieju/Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

Curiosidades: dança dos cardumes, longevidade e migrações

Entre os fatos curiosos sobre o arenque, destaca-se a forma como os cardumes reagem à luz e ao som. Estudos indicam que esses peixes podem se orientar pela intensidade luminosa, formarem camadas distintas na coluna d'água e responderem rapidamente a ruídos ou movimentos de predadores. O resultado é uma coreografia coletiva que lembra uma "dança sincronizada", onde o grupo parece se mover como um único organismo.

A longevidade do arenque varia conforme a região, mas muitos indivíduos podem viver de 10 a 15 anos, com registros de exemplares que ultrapassam essa faixa em ambientes favoráveis. Ao longo da vida, realizam amplas migrações entre áreas de alimentação, crescimento e desova. Em geral, passam parte do ano em águas mais frias e ricas em plâncton e, em determinados períodos, deslocam-se para zonas costeiras ou bancos específicos para reproduzir, retornando anualmente aos mesmos locais.

  • Tamanho médio: cerca de 20 a 40 cm de comprimento.
  • Alimentação: zooplâncton, larvas e pequenos organismos marinhos.
  • Predadores: peixes maiores, aves marinhas e mamíferos como focas e baleias.
  • Distribuição: principalmente no Atlântico Norte e mares adjacentes.
  • Uso humano: consumo direto, produção de farinha, óleo e ração.

Ao reunir biologia adaptada ao plâncton, comportamento coletivo sofisticado e alta capacidade reprodutiva, o arenque mostra como um peixe de tamanho modesto pode sustentar ecossistemas inteiros e cadeias produtivas globais. Sua presença ilustra a conexão entre processos naturais e atividades humanas, evidenciando o papel decisivo que espécies aparentemente discretas podem exercer nos mares do planeta.

Giro 10
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