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Livro traz 'realidade fantástica' para provocar empatia em São Paulo

'Através', de Ricardo Assumpção Fernandes, propõe reflexão com três histórias de amor

23 jul 2021 10h45
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Compreender a situação e o estado emocional do outro. Esse é o significado essencial do termo empatia. Trata-se do exercício afetivo e cognitivo de buscar interagir, percebendo a condição vivida por outra pessoa.

Por vezes, é difícil praticar a empatia, sobretudo quando os indivíduos têm experiências tão distintas. E, em uma cidade como São Paulo, isso parece ainda mais desafiador.

A proposta do livro Através, de Ricardo Assumpção Fernandes, lançado neste mês pela editora Folhas de Relva, é levar o leitor ao extremo da ficção fantástica para elucidar o conceito de 'se colocar no lugar do outro'. Para isso, o escritor propõe três histórias de amor.

O romance é ambientado nas agitadas ruas da capital paulista, percorre o caminho das gotas de chuva que passam através das ranhuras do concreto das calçadas e se alojam nos rios subterrâneos. "Olhar através dos olhos de outro pode ser assustador. E aproximar-se, estar atento ao que o estranho próximo, diferente de nós, enxerga, não poderia nos ajudar a compreender melhor a nós mesmos, aceitar o outro de maneira civilizada? Isso num mundo dividido, onde posições são marcadas excluindo-se o sujeito ao lado. Ao negar a sombra, possível de ser vista somente através do estranho, deixamo-nos cegar pela claridade ofuscante", afirma Ricardo Assumpção Fernandes.

Em uma das histórias, a personagem Helena acorda um belo dia e vê através dos olhos de um estranho. Literalmente. Ao tentar entender quem é esse estranho, entra no universo alheio. A busca pelo outro passa pelo encontro com ela mesma. Em outra, João é um sujeito tímido que se mudou para São Paulo e, entre encontros casuais que marcam a vida afetiva dele, se sente observado constantemente.

"Nas páginas deste livro nos vemos em ruas centrais de São Paulo, percorrendo tramas que acontecem nas esquinas, em bares, numa escrita que dialoga com a linguagem do cinema. Esses territórios da cidade, ora vazios, ora tomados de pessoas, nos ajudam a compreender as ações e motivações dos personagens, na maioria bastante misteriosa", acrescenta o editor da obra, Alexandre Staut.

Serviço:

Através (184 páginas)

Autor:

Ricardo Assumpção Fernandes

Estadão
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