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Ansiedade infantil: quando o silêncio pode ser mutismo seletivo

O transtorno pode se manifestar de formas que vão além do choro ou da recusa em ir à escola

10 fev 2026 - 16h44
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Mutismo seletivo é um transtorno de ansiedade que costuma se revelar no ambiente escolar e ainda é confundido com timidez

O início do ano escolar costuma vir acompanhado de expectativas, reencontros e novos desafios. Para algumas crianças, porém, esse período é marcado por sofrimento silencioso. A ansiedade infantil, cada vez mais presente no ambiente escolar, pode se manifestar de formas que vão além do choro ou da recusa em ir à escola. Uma delas é o mutismo seletivo, um transtorno de ansiedade ainda pouco conhecido e frequentemente confundido com timidez.

Foto: Revista Malu

"O mutismo seletivo não é escolha da criança, nem traço de personalidade. É sofrimento psíquico", explica a neuropsicóloga Francilene Torraca, mestre em Psicologia e referência nacional no tema. Segundo ela, trata-se de um transtorno diretamente relacionado à ansiedade social, que impede a criança de falar em determinados contextos, especialmente na escola, mesmo tendo plena capacidade de linguagem.

Sinais do mutismo seletivo

Na prática, a criança com mutismo seletivo pode conversar normalmente em casa, mas permanece em silêncio diante de professores, colegas ou outros adultos. Em quadros mais graves, a fala fica restrita apenas a familiares muito próximos. Esse bloqueio compromete não apenas o aprendizado, mas também o desenvolvimento social e emocional.

"O ambiente escolar é onde o mutismo seletivo costuma ficar mais evidente. A criança quer participar, responder, pedir ajuda, mas o corpo não responde. É como se ela estivesse travada por dentro", afirma Francilene. A ausência de fala, muitas vezes interpretada como desinteresse ou desobediência, pode gerar cobranças inadequadas e agravar ainda mais o quadro de ansiedade.

Manifestação do mutismo seletivo

O transtorno costuma se manifestar a partir dos 3 anos de idade, mas geralmente é percebido com mais clareza quando a criança começa a frequentar a escola. Sem diagnóstico e acompanhamento adequados, o impacto se estende para o desempenho acadêmico, a construção de vínculos e a autoestima.

Por isso, compreender o que é o mutismo seletivo é um passo fundamental para acolher. "Não podemos forçar a criança a falar. Ela precisa se sentir segura", reforça a especialista. O tratamento envolve acompanhamento psicológico e, em alguns casos, psiquiátrico, além de uma atuação integrada entre família e escola.

Ajuda em forma de livro

Essa escuta sensível é o fio condutor do livro "A menina que não falava… e agora não para de falar!", novo lançamento de Francilene Torraca pela Literare Books. Inspirada em uma história real, a obra acompanha a trajetória de Anna, uma menina que vivia cercada de palavras que não conseguiam sair. O silêncio, longe de ser timidez, era medo e proteção diante de um mundo que não a compreendia.

Com narrativa afetiva e ilustrações delicadas, o livro revela o que existe por trás do silêncio infantil e mostra como o acolhimento da família, o olhar atento da escola e a intervenção terapêutica podem transformar o medo em coragem e o silêncio em voz. "Falar, para essa criança, é existir, criar vínculos, ocupar o mundo", resume a autora.

No início do ano escolar, o convite que fica para pais, educadores e toda a comunidade escolar é claro: nem todo silêncio é timidez. Reconhecer o mutismo seletivo é proteger a infância, garantir saúde emocional e oferecer à criança aquilo de que ela mais precisa para, no seu tempo, encontrar a própria voz.

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