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Ciência revela qual seria o último ser vivo na Terra

30 jan 2026 - 17h31
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Asteroides, supernovas e guerras nucleares estão entre os piores cenários imagináveis para o fim da vida no planeta. Mas pesquisadores creem haver um animal capaz de sobreviver ao que dizimaria todos os outros.A vida na Terra se caracteriza não tanto por sua fragilidade, mas por sua capacidade de persistir. Ao longo de bilhões de anos, ela sobreviveu a eventos aparentemente definitivos - de erupções vulcânicas em grande escala a impactos de asteroides e extinções em massa - e, ainda assim, conseguiu continuar. Os registros mais antigos datam sua origem há pelo menos 3,7 bilhões de anos, um período durante o qual sobreviveu a crises que dizimaram mais de três quartos de todas as espécies existentes.

A maior dessas crises ocorreu há cerca de 250 milhões de anos, durante a extinção do Permiano, quando aproximadamente 90% das espécies desapareceram. Contudo, após apenas alguns milhões de anos, a vida se reorganizou e continuou. Essa resiliência surpreendente levou muitos cientistas a uma conclusão incômoda para nossa espécie: mesmo que os humanos desapareçam, a vida provavelmente não desaparecerá. Isso levanta a questão: qual criatura seria a última a sobreviver?

Enquanto a humanidade enfrenta ameaças que vão desde as mudanças climáticas a um potencial conflito nuclear, existe um pequeno animal que provavelmente sobreviverá a todos nós. E não, não são baratas nem escorpiões. Trata-se de um organismo humilde, com oito patas, que se destaca dos demais quando se trata de extrema resiliência: o tardígrado.

Resiliência que desafia a lógica

Esses microanimais, também conhecidos como ursos-d'água, mal chegam a 1,2 milímetro de comprimento, mas demonstraram uma resiliência que desafia toda a lógica biológica. Conforme relatado pela publicação especializada IFL Science , eles podem sobreviver sem comida ou água por períodos extremamente longos - até 30 anos em condições experimentais - suportar temperaturas extremas - de condições criogênicas próximas do zero absoluto até cerca de 150 °C em laboratório - resistir a pressões esmagadoras e doses letais de radiação, e até mesmo permanecer expostos ao vácuo do espaço sem se abalarem.

O segredo dessa sobrevivência extrema reside em um processo conhecido como criptobiose. De acordo com a publicação científica, quando as condições se tornam hostis, os tardígrados expelem mais de 95% da água de seus corpos e se contraem em uma espécie de cápsula desidratada. Nesse estado de animação suspensa, eles podem permanecer por décadas, até que o ambiente se torne favorável novamente.

Ameaças cósmicas

Mas, além de seus aparentes superpoderes biológicos, o que é realmente interessante é o que eles representam: a prova tangível de que a vida, uma vez estabelecida, pode ser extraordinariamente difícil de erradicar. Um estudo de 2017 realizado por físicos das universidades de Oxford e Harvard, divulgado por veículos como IFL Science e Vice, analisou três dos piores cenários astrofísicos imagináveis: impactos de asteroides gigantes, explosões de supernovas próximas e explosões de raios gama. Todos esses eventos seriam devastadores para a humanidade e para a maioria das espécies do planeta. Os tardígrados, no entanto, provavelmente sobreviveriam.

Para que um impacto de asteroide os exterminasse, explicam os pesquisadores, o evento teria que ser capaz de alterar drasticamente o equilíbrio térmico do planeta, elevando as temperaturas globais a níveis incompatíveis com a existência de oceanos líquidos. Dos corpos conhecidos no sistema solar, apenas uma dúzia de asteroides e planetas anões atingem esse limite de massa - incluindo Plutão -, e não é esperado que nenhum deles intercepte a órbita da Terra.

No caso de uma supernova, a explosão teria que ocorrer a menos de 0,14 anos-luz de distância para evaporar os oceanos do planeta. O problema é óbvio: a estrela mais próxima do Sol está a mais de quatro anos-luz de distância.

Algo semelhante acontece com as explosões de raios gama, os eventos mais energéticos do universo. Para causar um aquecimento global capaz de ferver os mares, elas teriam que se originar a menos de 40 anos-luz da Terra, uma possibilidade considerada mínima antes que o próprio Sol chegue ao fim de sua vida.

Nesse sentido, os pesquisadores concluem que, a menos que ocorra um evento capaz de literalmente ferver todos os oceanos do planeta, os tardígrados ainda estarão aqui, indiferentes ao nosso fim.

"Os tardígrados são os seres mais próximos da indestrutibilidade que existem na Terra", afirma o físico brasileiro Rafael Alves Batista, em um texto divulgado pela Universidade de Oxford , no Reino Unido. "Sem nossa tecnologia para nos proteger, os seres humanos são uma espécie extremamente sensível. Mudanças sutis em nosso ambiente podem nos afetar drasticamente."

Guerra nuclear

Paradoxalmente, além dos cenários extremos delineados pelos cientistas, uma das ameaças mais imediatas à vida complexa pode não vir do espaço, mas de nós mesmos. As armas nucleares representam um risco real e iminente, cujos efeitos se estenderiam muito além da destruição imediata da Terra.

No caso de uma supernova, a explosão teria que ocorrer a menos de 0,14 anos-luz de distância para evaporar os oceanos do planeta. O problema é óbvio: a estrela mais próxima do Sol está a mais de quatro anos-luz de distância.

Um estudo publicado na AGU Advances e citado em maio de 2023 pela Universidade do Colorado em Boulder , nos EUA, modelou vários cenários de guerra nuclear e concluiu que a fuligem gerada pelas explosões bloquearia a luz solar por aproximadamente uma década, causando um resfriamento global abrupto.

Em um conflito em larga escala entre os Estados Unidos e a Rússia, por exemplo, as temperaturas médias globais poderiam cair cerca de 10 °C nos três anos seguintes.

Os oceanos, que cobrem mais de 70% do planeta, esfriariam rapidamente e desenvolveriam extensas camadas de gelo marinho. A fotossíntese do fitoplâncton - a base da cadeia alimentar marinha seria severamente afetada, desencadeando uma grave reação em cadeia nos ecossistemas oceânicos.

"Se as algas desaparecerem, tudo o mais desaparece também", alertou Nicole Lovenduski, coautora do estudo, em um comunicado da Universidade do Colorado em Boulder.

Mesmo conflitos nucleares regionais mais limitados produziriam efeitos globais duradouros, de acordo com as simulações. E, diferentemente dos tardígrados, os humanos dependem de sistemas agrícolas, cadeias de suprimentos e condições climáticas extremamente sensíveis.

Mesmo assim, nem a guerra nuclear nem os asteroides marcarão o fim definitivo da vida na Terra. Esse destino está reservado para o Sol.

Daqui a cerca de 5 bilhões de anos, quando o Sol esgotar seu hidrogênio e se transformar em uma gigante vermelha, ele se expandirá a ponto de engolfar Mercúrio e Vênus e, provavelmente, a Terra também. Muito antes de o Sol atingir esse estágio final, o aumento progressivo de sua luminosidade transformará irreversivelmente o ambiente da Terra.

A intensificação da radiação alterará a estabilidade climática do planeta, causará a perda gradual de sua atmosfera e, eventualmente, eliminará a água superficial que torna a vida possível hoje. O resultado será uma Terra transformada em um mundo seco e inóspito, incapaz de sustentar até mesmo os organismos mais resistentes.

Esse será o ponto final até mesmo para os tardígrados, pelo menos em escala planetária. Algumas bactérias extremófilas podem sobreviver por um tempo, mas a vida como a conhecemos chegará ao fim.

Até lá, a lição é clara: a Terra não precisa dos humanos para sobreviver. Nós, por outro lado, precisamos de um planeta estável para sobreviver. E nesse delicado equilíbrio, os tardígrados têm uma vantagem de milhões de anos.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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