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Com prédios de papelão, japonês ganha ‘Nobel’ da arquitetura

Shigeru Ban conquista prêmio com suas construções simples para populações afetadas por desastres humanos e naturais

24 mar 2014 19h51
| atualizado em 10/12/2014 às 15h07
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<p>Depois do terremoto que devastou a cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, Ban construiu abrigos temporários e até uma catedral com tubos de papelão</p>
Depois do terremoto que devastou a cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, Ban construiu abrigos temporários e até uma catedral com tubos de papelão
Foto: Shingeru Ban / Divulgacão

Linhas elegantes, simplicidade no desenho, uso de materiais como papel e papelão, paredes de cortina, ou mesmo parede nenhuma.  Estas são algumas das características mais notáveis do trabalho do arquiteto japonês Shigeru Ban, e foi graças a elas que Ban ganhou o Prêmio Pritzker de 2014, considerado o Nobel da arquitetura mundial. Segundo um comunicado do júri da premiação, “sua abordagem criativa e inovação, especialmente em relação a materiais e estruturas de construção, e não meramente boas intenções, estão presentes em todos os seus trabalhos”.

As “boas intenções” que o comunicado cita se referem ao trabalho humanitário de Ban, que, desde 1994 – quando fez abrigos com papel para os refugiados da guerra em Ruanda –, tem criado estruturas de emergência nas mais diversas regiões afetadas por desastres humanos ou naturais. Em 1995, por exemplo, depois do terremoto que devastou a cidade japonesa de Kobe, Ban criou casas de papelão para os desabrigados. O arquiteto ainda fez uma impressionante catedral de tubos de papel para servir de centro cívico para os moradores da cidade.

As técnicas surpreendentes do arquiteto japonês também estão presentes em seus trabalhos privados e públicos. “Na Naked House, ele conseguiu questionar a noção tradicional de ambientes e, consequentemente, de vida doméstica, e, ao mesmo tempo, criar uma atmosfera translúcida, quase mágica”, afirmou o júri da premiação no mesmo comunicado. Trata-se, na verdade, de uma residência, no Japão, sem nenhuma divisória.

Outra obra surpreendente é a Curtain Wall House, casa com dois andares cujas paredes externas são cortinas, que podem ser abertas ou fechadas conforme o desejo do morador. De certa forma, Ban expandiu o conceito em um prédio cujas paredes da fachada também podem ser completamente abertas.

Ban aplicou a mesma inventividade em seus projetos públicos. A filial do Centro Pompidou – museu parisiense de arte moderna – na cidade francesa de Metz causou reboliço antes mesmo de começar a ser construída. Isso porque o japonês criou um escritório de papelão no terraço da sede da instituição em Paris. Já a filial impressiona com suas linhas elegantes e sua estrutura leve e transparente.

Por vezes chamado de sustentável, Ban rejeita o título. Não por incompatibilidade, mas por seu trabalho ter começado antes mesmo de o termo existir. “Quando eu comecei a trabalhar desta maneira, há quase 30 anos atrás, ninguém estava falando sobre o meio ambiente”, declarou o arquiteto.

Formado no Instituto de Arquitetura do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, foi na infância, no Japão, que Ban começou a tomar gosto pelo trabalho com materiais leves e pela simplicidade de estruturas. Ele ficou fascinado com o trabalho de carpinteiros que trabalhavam na antiga casa de seus pais, e quase decidiu seguir essa carreira. Na adolescência, resolveu enveredar pela arquitetura.

Em 13 de junho de 2014, Ban terá a confirmação definitiva de que escolheu a profissão certa. Neste dia ele vai receber oficialmente o Prêmio Pritzker em uma cerimônia realizada na Holanda. Aliás, será o segundo ano consecutivo que a honraria vai para o Japão. No ano passado, o ganhador foi o arquiteto nipônico Toyo Ito. Dois brasileiros já ganharam o Nobel da arquitetura: Oscar Niemeyer, em 1988, e Paulo Mendes da Rocha, em 2006.

Fonte: PrimaPagina
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