Byung-Chul Han, filósofo: "A felicidade vem do trabalho manual. Sem as mãos, não há felicidade, nem pensamento, nem ação"
Redescobrir o trabalho manual e o prazer de fazer algo longe de uma tela é uma forma de resistência.
Para Byung-Chul Han, filósofo alemão de origem sul-coreana, existe um problema global que afeta nosso modo de vida atual. Em seus livros, especialmente em A Sociedade do Esgotamento, Han argumenta que vivemos em uma sociedade na qual constantemente exigimos demais de nós mesmos, e esse excesso de atividade mental e de busca por desempenho acaba nos prejudicando mais do que ajudando.
Essa hiperatividade mental entra em conflito com nossa capacidade de parar, contemplar e agir. Além de criticar uma sociedade cujo excesso de positividade adoece as pessoas, sua visão propõe que redescubramos o silêncio e a pausa. Para isso, nada é melhor do que trabalhar com as mãos. É aí que a felicidade se esconde.
Em entrevista ao El País após receber o Prêmio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades, Han afirmou que "a felicidade vem do trabalho manual", acrescentando que "sem mãos não há felicidade, nem pensamento, nem ação". Ele não é o primeiro filósofo a defender essa ideia. O filósofo alemão Martin Heidegger, em Ser e Tempo, argumentou que os seres humanos não são apenas "cérebros pensantes", mas seres que habitam o mundo, e que a inteligência surge do fazer. Han defende a mesma concepção: nosso pensamento se origina nas mãos.
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