Bebidas quentes fazem mal à saúde? Veja o que diz a ciência
Estudos apontam que o consumo frequente de líquidos muito quentes está associado ao aumento do risco de desenvolver câncer de esôfago
Há mais de 90 anos, cientistas passaram a investigar uma teoria: bebidas quentes podem causar câncer de esôfago? Por muito tempo, não houve uma resposta clara sobre a hipótese. Um estudo recente, no entanto, que analisou quase meio milhão de adultos, conseguiu descobrir a relação entre os líquidos em altas temperaturas e o maior risco de desenvolver a doença.
"Um gole pequeno ocasional de café a 65°C provavelmente não causará problemas de longo prazo. Mas, ao decorrer dos anos, beber grandes quantidades de bebidas muito quentes pode, sim, aumentar as chances de câncer de esôfago", ressaltou o gastroenterologista Vincent Ho, em um artigo publicado no 'The Conversation'.
Os perigos das bebidas quentes
Assim como explica o especialista, o problema em si está não apenas na temperatura, mas no consumo excessivo. De acordo com a pesquisa, aqueles que beberam oito ou mais xícaras por dia de chá ou café apresentaram quase seis vezes mais probabilidades de receber o diagnóstico.
Em 2016, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer também reforçou essa ameaça ao afirmar que bebidas muito quentes (acima de 65°C) seriam "provavelmente carcinogênicas para os seres humanos". Isso ocorre, segundo médicos, pois as altas temperaturas provocam lesões na mucosa do esôfago.
Como consequência, impacta as células e aumenta o risco de danos causados pelo refluxo ácido gástrico, desencadeando o surgimentos de tumores. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil, o câncer nessa região é o sexto mais frequente entre os homens.
Por isso, a recomendação é optar, preferencialmente, por ingerir líquidos mornos. "Dar pequenos golpes é uma boa prática para testar a temperatura. Isso porque já sabemos que consumir grandes quantidades de uma vez tem um impacto significativo no aumento da temperatura dentro do esôfago", apontou o especialista.
Casos de câncer renal devem crescer
Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que, até 2050, os casos de câncer renal devem aumentar 79,8% na América Latina. No Brasil, o número é semelhante, podendo chegar a 79,5%. Confira a matéria completa.
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