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Aos 27 anos, ator João Fernandes revela os desafios da paternidade solo após morte da esposa: 'Me cobro'

João Fernandes abriu o coração sobre os desafios da paternidade solo após a perda de Mabel Calzolari e falou sobre culpa, amadurecimento e a relação com o filho Nicolas

3 jun 2026 - 07h21
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Existem dores que mudam completamente a direção da vida. E, às vezes, junto delas, nasce também uma força que a gente nem sabia que possuía. Aos 27 anos, João Fernandes vive uma rotina intensa entre televisão, teatro e a criação do filho Nicolas, de 6 anos.

João Fernandes falou sobre a rotina como pai solo após a morte de Mabel Calzolari e relembrou desafios emocionais
João Fernandes falou sobre a rotina como pai solo após a morte de Mabel Calzolari e relembrou desafios emocionais
Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

Conhecido do público desde a infância, o ator voltou recentemente às telas em A Nobreza do Amor e também na reprise de Avenida Brasil, onde interpretou o personagem Picolé. Paralelamente, segue em cartaz no Rio de Janeiro com a peça O Talentoso RipleyMas, por trás dos trabalhos e dos novos projetos, existe uma história atravessada pelo luto, pela responsabilidade e pela reconstrução emocional.

A vida depois da perda de Mabel Calzolari

João se tornou pai solo em 2021, após a morte da atriz Mabel Calzolari, mãe de Nicolas. Ela faleceu aos 21 anos em decorrência de complicações causadas pela aracnoidite torácica, uma doença rara que afeta a medula espinhal.

Desde então, o ator precisou reorganizar completamente a própria vida para dar conta da criação do filho enquanto mantinha a carreira artística. Em entrevista à Quem, ele falou sobre os desafios emocionais envolvidos nessa rotina.

"Eu me viro nos 30. Mais difícil que lidar com a rotina, é lidar com os sentimentos que ficam. Se eu trabalho muito, me cobro por que estou ficando pouco com Nico, se eu tô sem trabalho, me cobro por que não estou ganhando dinheiro o suficiente", desabafou.

Segundo João, a sensação de responsabilidade constante é uma das partes mais difíceis da paternidade solo. "Acredito que a maior dificuldade em criar uma criança sozinho é a responsabilidade que se aloca nas costas o tempo todo, mas meu filho é a razão da minha vida, nada será o suficiente para agradecer a vida por ter me presenteado com esse amor", declarou.

A importância da rede de apoio

Apesar dos desafios, João faz questão de destacar que não atravessa esse processo completamente sozinho. O ator contou que a mãe e a avó materna de Nicolas exercem um papel essencial na rotina da família e funcionam como suporte emocional e prático nos momentos mais difíceis.

"Minha mãe e a avó materna são minhas maiores parceiras na rotina do Nicolas. Sempre que eu preciso, que algo dá errado, elas estão à disposição pra me ajudar, ou mesmo para conversar sobre alguma coisa, são anjos especiais na minha vida", afirmou.

A fala do ator também chama atenção para um ponto importante: criar uma criança raramente é uma tarefa individual. Redes de apoio - familiares, emocionais ou afetivas - costumam fazer diferença profunda na saúde mental de pais e mães solo.

"Hoje eu só sou quem eu sou por causa do meu filho"

Em outros momentos, João já havia falado publicamente sobre o impacto emocional da perda de Mabel e sobre como a chegada do filho acabou ressignificando sua vida. Em entrevista ao podcast ClaCast, ele relembrou que os dois sonhavam em aumentar a família mesmo diante das dificuldades de fertilidade enfrentadas pela atriz.

Foi também durante a gravidez que o casal descobriu a doença rara. Anos depois, o ator segue definindo Nicolas como seu maior ponto de força. "Foi a coisa mais especial da minha vida. Não tem nem o que falar. Hoje eu só sou quem eu sou por causa do meu filho. Ele é a minha vida. Tudo o que eu faço é por ele, tudo o que eu penso é por ele", contou emocionado.

Do ator mirim ao amadurecimento precoce

Muito antes de enfrentar tantas mudanças na vida pessoal, João já crescia diante das câmeras. Ele iniciou a carreira ainda criança, em novelas como Caminho das Índias, passou por produções como Cordel Encantado, Malhação e Amor Perfeito, até conquistar forte identificação do público em Avenida Brasil.

Hoje, olhando para trás, ele acredita que a experiência precoce no audiovisual contribuiu diretamente para sua maturidade emocional. "Grande parte da minha carreira e das coisas que eu sei sobre a vida eu aprendi com o João de 10 anos, ele é um cara que eu admiro muito e tento acessar ele sempre que dá", refletiu.

"Apoiar o triplo"

Pai de um menino ainda pequeno, João também comentou sobre a possibilidade de Nicolas seguir carreira artística no futuro. Embora reconheça as dificuldades do meio, ele afirma que pretende respeitar as escolhas do filho. "Ele sempre teve liberdade pra escolher o que quer fazer da vida", disse.

Ao mesmo tempo, admite que sente receio ao imaginar o filho vivendo a pressão da profissão. "Parte de mim tem medo que ele siga a rotina artística por que sei bem como é que funciona, mas caso ele decida seguir esse caminho, vou estar do lado dele pra cobrar o dobro e apoiar o triplo em cada passo da vida", concluiu aos risos.

Entre trabalho, saudade, culpa, amadurecimento e amor, João Fernandes parece viver aquilo que muitos pais solo conhecem profundamente: a tentativa diária de equilibrar sobrevivência emocional e presença afetiva. E é essa vulnerabilidade que torna sua história tão humana.

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