20 gramas por dia: chocolate amargo ajuda a proteger o coração
Dados tirados de pesquisa, também apontam que ele ajuda a diminuir os riscos de trombose venosa
Pesquisa relaciona consumo moderado à redução do risco de hipertensão
O consumo moderado de chocolate amargo voltou ao centro das discussões sobre saúde cardiovascular após a publicação, em 2024, de um estudo na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, que identificou associação entre a ingestão desse tipo de chocolate e a redução do risco de hipertensão essencial. Os pesquisadores também observaram uma possível relação com menor risco de trombose venosa, condição causada pela formação de coágulos sanguíneos nas veias.
A pesquisa utilizou a técnica conhecida como randomização mendeliana para analisar dados genéticos e cardiovasculares de milhares de participantes europeus. Segundo os autores, o consumo de chocolate amargo esteve associado a uma redução de 27% no risco de hipertensão.
O estudo avaliou chocolates com alta concentração de cacau. Principalmente por serem ricos em flavanóis, compostos naturais associados à melhora da circulação sanguínea e do funcionamento dos vasos. Entre eles estão catequina, epicatequina e procianidinas, substâncias com ação antioxidante e anti-inflamatória que ajudam o organismo a combater processos ligados ao envelhecimento vascular.
Os pesquisadores explicam que esses compostos estimulam a produção da molécula responsável por promover o relaxamento e a dilatação dos vasos sanguíneos. Com isso, o sangue circula com mais facilidade, reduzindo a pressão nas artérias e favorecendo o controle da pressão arterial.
Os benefícios do chocolate amargo
Para o médico nutrólogo e professor da pós-graduação da Afya Educação Médica do Rio de Janeiro, Bruno Dubeux, os efeitos observados têm relação direta com a composição do cacau. "Os flavanóis presentes no chocolate amargo ajudam na função endotelial, que é o funcionamento da camada interna dos vasos sanguíneos. Isso favorece mecanismos ligados ao controle da pressão arterial e da circulação", explica.
Segundo o nutrólogo, versões com maior teor de cacau costumam apresentar concentrações mais elevadas desses compostos e menor quantidade de açúcar. A recomendação mais associada aos possíveis benefícios cardiovasculares gira em torno de 20 gramas por dia de chocolate com 70% ou mais de cacau, o equivalente a dois ou três quadradinhos.
A pesquisa também aponta que os compostos presentes no chocolate amargo podem ajudar a reduzir o processo em que as plaquetas do sangue se unem para formar coágulos. Quando ocorre em excesso, esse mecanismo pode favorecer casos de trombose e dificultar a circulação sanguínea.
Ajuda, mas não substitui
Bruno Dubeux afirma que o chocolate amargo pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas não substitui hábitos importantes para prevenção cardiovascular, como prática de atividade física, controle do peso, alimentação balanceada e acompanhamento médico.
"As pessoas costumam associar qualquer tipo de chocolate aos mesmos efeitos, mas existe uma diferença importante entre produtos com alto teor de cacau e versões mais açucaradas. O benefício está muito mais ligado ao cacau do que ao chocolate ao leite ou ultraprocessado", afirma. O médico também alerta para o excesso. Mesmo nas versões amargas, o chocolate continua sendo um alimento calórico e rico em gordura, o que exige moderação no consumo diário.
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