Plásticos mistos e suas dificuldades na reciclagem
Plásticos mistos do tipo 7 dificultam a reciclagem e ameaçam o meio ambiente; descubra por que quase nunca reciclam
Os plásticos do tipo 7 fazem parte de um grupo considerado problemático na reciclagem. Esse grupo reúne materiais diversos, com composições e comportamentos muito diferentes entre si. Na prática, isso cria obstáculos técnicos e econômicos que afastam cooperativas e indústrias de reciclagem.
Ao contrário de outros tipos, o Grupo 7 não identifica um plástico específico. Ele funciona como uma espécie de categoria geral para tudo que não se encaixa nos demais códigos de 1 a 6. Por esse motivo, a reciclagem desse material costuma ser rara, pontual e restrita a projetos muito específicos.
O que são os plásticos do Grupo 7?
O Grupo 7, também chamado de "outros", reúne plásticos variados. Entram aí misturas, resinas especiais e materiais de alto desempenho presentes em produtos diferentes. Em muitos casos, o fabricante combina mais de um tipo de polímero para obter características específicas, como resistência, transparência ou barreira a gases.
Entre os materiais do tipo 7, aparecem, por exemplo, policarbonato, acrílico e bioplásticos. Também surgem embalagens multicamadas, que têm várias folhas finas de plásticos distintos. Cada camada cumpre uma função, como proteção contra luz, umidade ou oxigênio. Esse tipo de estrutura melhora a conservação de alimentos e remédios, porém complica o reaproveitamento.
Além disso, o código 7 pode marcar itens que misturam plástico com outros materiais. Alguns exemplos são cápsulas de café com alumínio e plástico, ou frascos com partes de borracha e silicone. Essa diversidade aumenta ainda mais a dificuldade na hora da triagem e do processamento.
Por que os plásticos do tipo 7 quase nunca são recicláveis?
A reciclagem do tipo 7 enfrenta problemas desde a coleta até a venda do material. Primeiro, as cooperativas costumam evitar esse grupo, porque ele aparece em pequena quantidade e em formatos muito variados. Assim, o esforço de separação não compensa o retorno financeiro esperado.
Outro fator importante envolve a composição. Muitos itens do Grupo 7 são multicamadas ou formados por misturas complexas. Para reciclar, seria preciso separar cada camada ou cada polímero. Esse processo exige tecnologia cara e altamente especializada, que quase não existe em larga escala no Brasil e em muitos outros países.
Além disso, o mercado comprador para o plástico tipo 7 é limitado. Indústrias de transformação preferem materiais com composição conhecida e previsível. Com isso, os recicladores encontram poucos interessados em adquirir o produto final. Sem demanda, as empresas optam por descartar esse resíduo, geralmente em aterros ou incineração.
Também pesa a ausência de padronização. Como o Grupo 7 engloba muitos tipos de resina, o comportamento do material durante a fusão e o reprocessamento varia bastante. Essa imprevisibilidade aumenta a chance de falhas nos equipamentos e perda de qualidade nos produtos reciclados.
Como identificar o tipo 7 e que alternativas existem?
Os plásticos do tipo 7 trazem um símbolo de três setas formando um triângulo, com o número 7 no centro. Abaixo, costuma aparecer a palavra "other" ou "outros". Essa marcação indica que o material não pertence às categorias PET, PEAD, PVC, PEBD, PP ou PS.
Mesmo com tanta dificuldade, algumas iniciativas tentam reaproveitar parte do Grupo 7. Projetos específicos utilizam resíduos desse tipo na fabricação de madeira plástica, placas e artefatos de menor valor agregado. Porém, esses casos ainda representam uma parcela pequena se comparada ao volume gerado.
Diante desse cenário, muitas orientações ambientais recomendam a redução do uso de embalagens do tipo 7. Algumas estratégias envolvem a escolha de produtos com rótulos claros sobre reciclabilidade e preferência por itens feitos com plásticos mais simples. Outra medida importante passa pela pressão sobre empresas para reformular embalagens e adotar materiais compatíveis com a reciclagem em massa.
O desenvolvimento de tecnologias avançadas também entra nesse debate. Processos de reciclagem química, por exemplo, prometem tratar misturas complexas, inclusive do Grupo 7. No entanto, esses métodos ainda enfrentam desafios de custo, escala e impacto ambiental.
Quais são os outros tipos de plástico além do Grupo 7?
Para entender melhor o papel do tipo 7, vale lembrar os demais códigos usados em embalagens plásticas. Cada número indica uma resina principal, com aplicações típicas e diferentes níveis de reciclabilidade.
- Tipo 1 - PET (Tereftalato de Polietileno): garrafas de bebidas, frascos de produtos de higiene, embalagens transparentes.
- Tipo 2 - PEAD (Polietileno de Alta Densidade): galões de produtos de limpeza, embalagens de leite longa vida em parte da estrutura, frascos mais rígidos.
- Tipo 3 - PVC (Policloreto de Vinila): tubos, perfis de janelas, alguns frascos de produtos de higiene e limpeza.
- Tipo 4 - PEBD (Polietileno de Baixa Densidade): sacolas, filmes plásticos, embalagens flexíveis.
- Tipo 5 - PP (Polipropileno): tampas, potes de margarina, embalagens de iogurte, copos e peças automotivas.
- Tipo 6 - PS (Poliestireno): embalagens de isopor, bandejas de alimentos, copos descartáveis rígidos.
- Tipo 7 - Outros: policarbonato, acrílico, bioplásticos, plásticos mistos e multicamadas.
Essas classificações ajudam na triagem e na rota de reciclagem de cada material. No entanto, o Grupo 7 segue como um desafio central, por reunir plásticos mistos com pouca viabilidade de reaproveitamento em grande escala.