Homens retiram tubarão do mar, cortam barbatanas e posam para fotos em PE
Manejo inadequado e comercialização do animal podem configurar infração ambiental e levar à aplicação de penalidades
Um tubarão-cabeça-chata foi retirado do mar por um grupo de homens na Praia do Paiva, em Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife (PE), neste domingo, 29. Imagens registram dois homens golpeando as barbatanas do animal com facas, enquanto um deles chega a subir sobre o tubarão para tirar fotos.
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Em nota, o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), coordenado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, informou que tomou conhecimento dos registros audiovisuais.
"A análise das imagens permitiu confirmar que se trata de uma fêmea adulta, capturada de forma acidental e com nadadeiras filetadas para consumo humano", disse o Cemit.
Segundo o comitê, na Região Metropolitana do Recife, a proximidade entre o ambiente costeiro e os sistemas estuarinos configura uma condição ambiental favorável à ocorrência da espécie para alimentação e reprodução. No entanto, a captura, o manejo inadequado ou a comercialização podem caracterizar infração ambiental, sujeitando os responsáveis às penalidades previstas na legislação vigente, além da possibilidade de apuração pelo Ministério Público para eventual responsabilização na esfera penal.
"O consumo desses animais, além das implicações ambientais, também traz problemas relacionados à saúde pública, uma vez que os tubarões ocupam o topo da cadeia alimentar e apresentam tendência à bioacumulação de metais pesados, como o mercúrio, além de outros contaminantes, podendo representar riscos pelo consumo frequente", alerta o Comitê.
Nesse sentido, o Cemit atua na sensibilização da sociedade, especialmente por meio da educação ambiental. Está em execução o Plano de Educação Ambiental para Segurança Aquática e Prevenção de Incidentes com Tubarões – PEAST/PE (2023), que estabelece 50 ações estratégicas a serem implementadas ao longo de cinco anos. O comitê reforça que a conservação de espécies como o tubarão-cabeça-chata é fundamental para a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas marinhos.